Ana Cárdenes.

Jerusalém, 30 jul (EFE).- Os jovens estão acampados nas praças, os médicos em greve geral, os granjeiros se manifestam, os pais preparam um protesto contra os preços da comida de bebês e um grupo convocou uma greve geral no Facebook: nem o calor desanima os indignados de Israel.

Nos últimos dias aumentaram os pedidos que exigem a renúncia do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que cancelou uma visita oficial à Polônia para fazer frente aos conflitos que se multiplicam sob seu olhar.

Nesta terça-feira, Netanyahu apresentou seu plano de reforma da habitação para tentar baratear os preços com medidas que parecem insuficientes. Dezenas de jovens se manifestaram na segunda-feira em frente à sua residência oficial, exigindo aos gritos que saísse “para ver como o país se colapsa”.

Os acampamentos de indignados, que surgiram nas principais cidades do país liderados pelo do bulevar Roschild em Tel Aviv, se estenderam a outras duas localidades no sul em uma onda de protesto que parece longe de se dissipar.

Segundo uma enquete divulgada pelo jornal “Haaretz”, 87% das pessoas apoia as queixas e 54% não está satisfeita com a forma como Netanyahu está enfrentando a crise imobiliária.

Outro grupo que está exigindo que o Governo se ocupe de seus problemas é o dos médicos, que também têm Netanyahu na sua mira, uma vez que o político também ocupa o ministério da Saúde.

Os médicos realizaram nesta terça-feira uma greve parcial nos centros de cirurgia, que funcionaram apenas para intervenções cirúrgicas urgentes e tratamentos oncológicos.

Os representantes da Associação de Médicos avançaram a pé sob temperaturas próximas aos 40 graus em uma marcha desde sua sede, nos arredores de Tel Aviv, até Jerusalém, e o presidente da organização iniciou uma greve de fome para exigir mais vagas de trabalho, mais leitos nos hospitais, aumento salarial, redução de turnos e a melhoria do sistema sanitário.

Os tribunais rejeitaram a tentativa do Governo de forçar os médicos a voltarem a seus postos de trabalho e esta manhã centenas de profissionais bloquearam a entrada da cidade de Ashkelon.

Antes dos profissionais de saúde, os granjeiros também tomaram as ruas de Israel na segunda-feira para denunciar a proposta de reforma do mercado de lacticínios, um remendo feito às pressas para acabar com semanas de protestos de consumidores contra os preços desses produtos.

Os produtores se opõem à abertura, à importação e ao rebaixamento dos preços taxados e exigem subsídios ao campo.

Os pais de crianças pequenas também iniciaram sua própria luta contra o elevado preço dos produtos de consumo infantil e anunciaram que se manifestarão em Tel Aviv nesta quinta-feira, carregando seus bebês com balões amarelos atados a seus carrinhos.

Sem dúvida, as redes sociais foram o motor de boa parte destes protestos. Nesta semana, um israelense criou um grupo no Facebook que convoca uma greve geral para o próximo dia 1º de agosto e, em poucos dias, mais de quatro mil pessoas afirmaram que não irão trabalhar na próxima segunda-feira.

Nas palavras do articulista israelense Ben Caspit, do jornal “Maariv”, esta é “a luta dos trabalhadores em Israel, que tentam pôr comida à mesa todo dia e não conseguem chegar ao final de mês. É uma guerra existencial da classe média, as pessoas que representam a espinha dorsal da sociedade e da economia israelense”.

A classe média secular sente que – apesar de ser ela quem trabalha, serve no Exército e paga impostos (algo que não fazem outros grupos como os judeus ultra-ortodoxos) – está sendo empurrada cada vez mais para baixo com o constante aumento dos preços e a estagnação salarial.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2011/07/26/protestos-da-classe-media-agitam-verao-israelense.jhtm?utm_term=@brunnolima07&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
Leia também: http://oglobo.globo.com/blogs/lafora/posts/2011/07/25/greve-geral-vista-394410.asp