Um grupo de 34 alunos do ensino médio não come há uma semana; oposição rejeitou convite para encontro com o presidente Sebastián Piñera

Estadão.edu

27 de julho de 2011 | 16h 51

Trinta e quatro alunos chilenos do ensino médio, todos menores de idade, fazem greve de fome há uma semana em protesto contra o sistema educacional do país. Segundo a agência de notícias Ansa, o ato intensificou a onda de manifestações estudantis que exigem uma educação estatal gratuita e de qualidade.
O financiamento estudantil está no centro dos protestos dos jovens chilenos porque todo curso universitário no país é pago, mesmo nas instituições públicas. Quem não tem dinheiro é obrigado a pegar empréstimo bancário. E, desde os anos 90, as dívidas de crédito educativo são administradas por bancos, com taxas de mercado.
Toda semana, desde junho, dezenas de milhares de alunos dos ensinos médio e superior saem às ruas da capital, Santiago, para pedir uma ampla reforma. Já enfrentaram várias vezes bombas de gás lacrimogêneo e a ameaça da cavalaria da tropa de choque da polícia, os carabineros.
A crise levou o presidente Sebastián Piñera a demitir oito ministros apenas na última semana, entre eles o da Educação. Nesta quarta-feira, 27, os dirigentes dos partidos de oposição ao governo se negaram a participar da reunião convocada por Piñera para discutir uma solução à greve estudantil.
“É necessário que o governo dialogue primeiro com os atores sociais”, disse o senador e presidente do Partido Democrata Cristão do Chile, Ignácio Walker, citado pela Ansa. Também fazem parte da coalizão de oposição conhecida como Concertación os partidos Socialista, Radical Social Democrata e Partido pela Democracia.
A decisão da oposição foi criticada pelas autoridades. O presidente da secretaria geral do governo, Andrés Chadwick, afirmou que lamenta “que a Concertación não tenha estado à altura”.
Já os presidentes do Partido Comunista (PC) e do Movimento Amplo Social justificaram a ausência no encontro porque não seria uma cúpula com todos os partidos políticos do país, mas reuniões em separado.
De acordo com a Ansa, o novo ministro de Educação, Felipe Bulnes, disse hoje que convidou os estudantes, professores e representantes “do mundo escolar”, “cada um deles individualmente”, para “entender suas inquietações”, mas que o convite foi recusado. Bulnes acusou os manifestantes de “intransigentes”.