Há 5 meses, a companheira Julia Borges, está militando no movimento 15-M na Inglaterra, participando de suas assembléias, protestos e atividades inclusive em outras cidades. Morando na periferia de Londres, próximo a Tottenhan, acompanhou de perto as explosões sociais que aconteceram no ultimo mês, analisada em texto já publicado por nosso blog.

Júlia Borges

Assim começou o 15-O no mundo. Um chamado a transformar o sistema que vivemos. A convocação foi atendida em mais de 900 cidades. Em Londres não foi diferente. Mais de 3mil pessoas tomaram o centro financeiro no intuito de ocupar o LSX, que foi cercado pela polícia em uma tentativa de intimidar os manifestantes.
Com a praça cercada, instalou-se uma assembléia onde votamos ocupar por duas horas a frente da St Paul’s Cathedral, o que logo se transformou em um acampamento que vai durar até 12 de Dezembro.
Os indignados londrinos são uma expressão das mobilizações que atingem o mundo desde as revoluções do mundo árabe, as ocupações de praças na Espanha e, sobretudo a ocupação de Wall Strett nos Estados Unidos. Sem dúvida, ao ler e ouvir as mensagens diretamente em inglês, no coração do imperialismo, o movimento em Londres foi potencializado. O movimento que vinha aglutinando uma pequena vanguarda, hoje começou a desabrochar.
Por outro lado refletem o novo momento da luta de classes que está em curso desde o ano passado com a greve do metrô de Londres, a revolta estudantil de dezembro. Em 2011 o movimento cresceu com 2 greves gerais e a revolta dos subúrbios em todo o país.

Somos os 99%, indignados e organizados
Centenas de jovens, adultos e inclusive pais com seus filhos pequenos mantém o acampamento funcionando a todo vapor. Nas assembléias, apesar do frio, todos escutam uns aos outros e constroem uma plataforma que propõe a garantia de saúde e educação públicas, deslegitimar o capitalismo, apoiar a greve de 30 de Novembro, o protesto estudantil de 9 de novembro e definitivamente não permitir a entrega de mais nenhum centavo a banqueiros ou corporações.

Entre os manifestantes a moral esta muito elevada. Numa de nossas assembléias, uma senhora declarou que esperava há muito um movimento como esse e que está determinada a destruir este sistema.

É assim que a democracia parece

No início éramos milhares de indignados com cartazes e palavras de ordem. Hoje, no 5ª dia de acampamento, continuamos com as palavras de ordem, os cartazes por todos os lados, mas também temos comissões que estruturam tudo, algumas delas são: logística, mídia, reciclagem, processos legais, informação, primeiros socorros, tecnologia, etc, o que permitem que todos tenham uma forma de contribuir com o movimento.

O apoio da população é visível. Um dos principais jornais da cidade o “The Guardian” lançou uma pesquisa, que será fechada em dias, perguntando aos londrinos se apóiam o movimento. Até agora 87,5% das pessoas estão do nosso lado. Independente do resultado da pesquisa é possível ver e sentir a solidariedade. As pessoas doam cobertores, cadeiras, sacos de dormir, computadores, dinheiro, combustível para o gerador, enfim de tudo.

Graças à solidariedade temos uma cozinha com alimento suficiente e conseguimos manter o acampamento. Após a polícia retirar nossos banheiros algumas empresas ao redor permitem que usemos os deles, as pessoas recolhem até o lixo do acampamento visto que não temos coleta seletiva. E, a cada minuto mais e mais pessoas vêm ao ponto de informação, enviam emails, twitters ou mensagem no facebook perguntando como podem nos apoiar.

A revolução está apenas começando, Vamos à Luta!”

A cada hora o acampamento muda, mais cartazes são feitos, inclusive contra Belo Monte, as barracas antes improvisadas da cozinha, de imprensa, etc, são substituídas por outras melhores e mais estruturadas. Pouco a pouco percebemos que estamos começando e que os milhares que temos hoje podem se transformar em milhões de indignados como tivemos em Madri no 15-O.

A assembléia de hoje votou expandir o acampamento, ir às escolas, universidades e outros lugares buscar solidariedade, fala-se em ampliar a assembléia para bairros, organizar dias de protestos com pautas como: contra os cortes, os bancos, a favor do sistema de saúde público, etc.

A crise social na Inglaterra motiva o crescimento do movimento. No último trimestre 80mil britânicos ficaram desempregados. O governo pretende privatizar o sistema de saúde, cortou vários programas sociais e está envolvido em uma série de escândalos. A explosiva situação dos subúrbios vai piorar.

Até o momento, 20 diferentes sindicatos já aderiram à greve do dia 30 de Novembro, o protesto estudantil do dia 9 de novembro pretende contar com, no mínimo, 15.000 estudantes. O acampamento pretende organizar e protagonizar mais atividades. Sem dúvida os ventos da primavera árabe chegam ao outono londrino com força total.

Diante do chamado a uma mudança global e do inicio da revolução propaganda pelos organizadores do 15-0, já demos um grande passo. E a caminhada continua para conquistar o não pagamento da dívida, a estatização dos bancos, do sistema financeiro e das empresas que demitem. Vamos à Luta transformar o “impossível” realidade!