Por Juventude Vamos à Luta Campinas

Segundo o IBGE, quanto mais baixa a classe social, maior o número de negros. O mesmo se repete nos presídios, e ocorre ao contrário nas universidades. Claramente, com os ajustes do governo Temer, como a PEC 55 e a reforma da previdência, os mais prejudicados são as negras e os negros. O racismo não é apenas um instrumento de dominação étnica, mas também ideológica e política. É uma ideologia a serviço dos interesses da classe dominante burguesa — uma classe que detém o capital e que também se considera superior ao povo pobre e negro.

Dadas as injustiças sobre o povo negro, uma das suas reivindicações históricas do é a política de cotas, que reserva uma determinada quantidade de vagas para serem ocupadas por negros dentros das instituições, em especial, as universidades. O modelo proposto é de cotas étnico-raciais, que inclui também povos originários. Desde 2003 já temos universidades brasileiras adotando cotas, como a UERJ, e graças à incessante luta do movimento negro brasileiro, em 2012 foi aprovada a Lei de Cotas! A aprovação dessa lei durante o governo Dilma (PT) é uma gigantesca vitória do movimento negro e da pressão social pois era um governo racista, que leiloava direitos das minorias, que fazia acordos com fundamentalistas religiosos e que, através do estímulo às terceirizações e da péssima educação básica oferecida, piorou o nível do emprego e da segregação racial.

Apesar dessa imponente vitória dos estudantes e trabalhadores negros do país, até agora não tivemos a implementação das cotas em umas das maiores universidades da América Latina, a UNICAMP e outra das estaduais paulistas, a USP. A greve histórica de 2016 teve um importante acúmulo de debate sobre a política de cotas étnico-raciais, e a maioria dos institutos que entraram em greve aderiram à pauta das cotas e também organizaram rodas de debate. Nessa luta, conseguimos arrancar do reitor Tadeu (que é contra cotas) as 3 audiências públicas sobre o tema e a colocação do projeto na pauta do CONSU, a ser votado em 2017!

Para nós, muito além da representação institucional, o determinante que fará a reitoria e o CONSU engolirem o elitismo e aprovarem as cotas será a pressão dos estudantes! Por isso a 3ª audiência pública na segunda-feira 12 de Dezembro é nossa prioridade máxima!

Depois de fazer a greve das cotas, nossa tarefa é fazer vitoriosas audiências sobre cotas e, em 2017, a calourada das cotas! Unificar os estudantes ingressantes na luta, para irmos todos na frente da reitoria no dia da votação, mostrando que lutaremos juntos pela justiça e igualdade étnico-racial. #CotasSim #CotasJá!