As manifestações do dia 13/12 contra a PEC 55, que congela por 20 anos investimentos em áreas sociais como saúde e educação, foram bastante reprimidas em todo o país, deixando escancarado toda a articulação e unidade que existe entre o governo Temer e os governos estaduais para reprimir os movimentos sociais que saem às ruas para não pagar a conta da crise econômica. Em todo o país foram cerca de 100 pessoas detidas, mais de 50 em Recife, prisões em Belo Horizonte, e em Brasília cerca de 60.

A justiça queria enquadrar as prisões na Lei de Segurança Nacional, sancionada pela ex-presidente Dilma(PT), essa lei proíbe que sejam fechadas vias publicas dando toda a liberdade para que a PM use seus artefatos para reprimir qualquer manifestação seja qual for o caráter dela, uma arbitrariedade sem limites prendendo jovens porque portavam isqueiros. Nós não temos duvida que terrorista é o governo que propõe que seja precarizada ainda mais a saúde e educação e avançam sobre os nossos direitos como a aposentadoria colocando um mínimo de 49 anos de contribuição, forçando os jovens que entrarão no mercado de trabalho cada vez mais cedo a trabalhar “até morrer”.

Uma nova praça de guerra em Brasília

A manifestação na capital do país juntou 5 mil pessoas, na maioria estudantes que ocuparam a esplanada contra a PEC. Os manifestantes foram recebidos por dezenas de policiais que os revistavam antes de chegarem a concentração na Biblioteca Nacional, foram proibidas a entrada de carros de som, bandeiras, e houve apreensão de máscaras e vinagre, vendedores ambulantes foram também impedidos de vender água e qualquer outro produto, uma tentativa de deixa-los sem defesa contra as bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e sem água, uma demonstração de brutalidade do governo Temer e seu aliado Rollemberg(PSB).

A praça dos três poderes estava fechada para circulação, e a PM em numero bastante desproporcional ao total de estudantes começou a repressão quando foram cantadas palavras de ordem contra a Policia Militar.

A tática black block, mais uma vez um debate sobre ações isoladas

Achamos que é necessário um diálogo com os adeptos dessa tática, achamos legitimo que queiram expressar sua raiva contra a PEC e também contra a repressão, entretanto não podem se jogar em ações isoladas que colocam os manifestantes em mais risco do que já correm contra a PM repressora dos governos. Em um primeiro momento eles defenderam os manifestantes, respondendo a repressão da PM, em um segundo atacaram os ônibus, um foi queimado, e chegaram a discutir se atacariam carros de pessoas que voltavam para casa.

Uma vez mais a tática serviu para amentar a repressão da PM do que ganhar o conjunto da população para apoiar a manifestação. Continuamos afirmando que os governos são responsáveis pela repressão, e defendemos que o momento é de radicalizar, mas é necessário ação do conjunto dos manifestantes.

A maioria da População é contra a PEC 55

No dia de sua aprovação no Senado, o Datafolha divulgou pesquisa em que 60% da população reprova a PEC 55, uma demonstração de que o governo ilegítimo e corrupto de Temer não tem apoio para suas medidas. O governo Temer ainda enfrenta uma impopularidade cada vez maior devido ao nível de vida dos trabalhadores e da juventude que não para de piorar e ainda foi golpeado com seu nome citado mais de 40 vezes na delação premiada de um dos executivos da Odebrecth, ou seja, esse governo não pode mais continuar, é impopular, ilegítimo e deve ser retirado pela mobilização da juventude e dos trabalhadores. Para além disso é responsável direto pela brutal repressão nos dias 29/11 e 13/12 das manifestações em Brasília, enquanto oferecia um luxuoso coquetel para os parlamentares.

Unificar as lutas para derrubar Temer e o congresso do ajuste e da corrupção

Mais do que nunca é hora de organizar a indignação da juventude e do povo pobre, que lutam contra as retiradas de direito, da Reforma da Previdência à PEC 55, passando pela Reforma do Ensino Médio. È necessário que o conjunto dos movimentos sociais e juventude convoque uma plenária nacional da juventude que ocupa escolas e universidades pelo país para definirmos um calendário de lutas. A UNE/UBES e sua direção majoritária PCdoB/PT devem articular junto as centrais sindicais CUT e CTB um dia de greve nacional em que os estudantes devem se juntar aos trabalhadores parar o país e por para fora Temer, Renan Calheiros, Rodrigo Maia e todos os inimigos da juventude e do povo trabalhador!