Praticamente no apagar das luzes do último ano, fomos surpreendidos por mais um ataque da reitoria da USP contra os trabalhadores e estudantes. O reitor Marco Antonio Zago, que há muito tempo pretende desalojar o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) da sua sede, entrou na justiça e obteve liminar para realizar a reintegração de posse do espaço, inclusive com força policial.

A sede do Sintusp funciona no galpão que fica na Prainha da Escola de Comunicação e Artes (ECA) há mais de 50 anos. No mesmo prédio também funcionam hoje o Centro Acadêmico da ECA – CALC, a ECAtlética, a BaterECA, o CaniL e a lanchonete da unidade. Desde o início do ano passado, a reitoria da USP tem insistido na necessidade de desocupar o espaço supostamente por demanda acadêmica da própria ECA. No entanto, o próprio Conselho da unidade desmentiu que havia solicitado o uso desse prédio, demonstrando que se tratava apenas de uma desculpa barata da reitoria para atacar a organização dos Trabalhadores e estudantes da USP.

Não é de hoje que a reitoria de Zago vem promovendo uma série de ataques na USP. Quando eleito para a atual gestão, o reitor afirmou que a Universidade possuía funcionários demais e afirmou que era preciso “acabar com a dinâmica de sindicalismo” na USP. Sendo assim, o reitor implementou dois programas de incentivo à demissão voluntária (PiDV). Junto com Alckmin, vem precarizando a Universidade com os cortes de bolsas, privatização dos bandejões, demissões, retirada dos espaços estudantis, processos administrativos contra trabalhadores e estudantes. Uma combinação potente para precarizar e privatizar a USP, e tentar impedir que tenha luta e resistência. Nesse momento, Zago quer fechar uma das creches da USP, que se encontra ocupada. Além disso, pretende debater no Conselho Universitário, nesse primeiro semestre, o fim dos auxílios alimentação e refeição dos trabalhadores. Um verdadeiro absurdo!

Reitoria ataca organização sindical e cerca sede do Sintusp

Não satisfeita com apenas o pedido de reintegração de posse, visto que ainda faltava uma notificação da justiça, a reitoria se aproveitou do recesso de Natal e Ano Novo para, com a Universidade vazia, começar a colocar grades no entorno do prédio da sede do Sindicato e poder controlar o acesso a todo o espaço. Controle esse realizado com o apoio da PM de Alckmin. Uma manobra para começar a implementar a reintegração de posse. Tudo isso sem nenhum diálogo com o Sindicato. No dia 03 de janeiro, nós da juventude Vamos à Luta, que também compomos o DCE da USP, atendemos o chamado do Sintusp, junto com outras entidades, para tentar impedir o término dessa obra e que as grades fossem colocadas inclusive em frente à entrada do Sindicato. Agora a justificativa do reitor é aumentar o estacionamento da reitoria. Numa Universidade com tantos problemas de infraestrutura, não nos parece, nem de longe, que essa seja a obra prioritária. Para tentar intimidar a resistência contra o cerceamento do Sintusp, Zago e Alckmin colocaram PMs armados com armas de fogo letais dentro da Universidade pública. Infelizmente, nos dias seguintes, a reitoria conseguiu concluir o cercamento do espaço.

Defender o Sintusp, a prainha e o espaço de vivência da ECA!

Apesar de estarmos ainda no período de férias, tem crescido o apoio à campanha #SintuspFica e os trabalhadores e estudantes tem realizado assembleias para organizar a luta contra mais esse ataque de Zago e Alckmin. No dia 19/01, vai rolar um grande ato contra a desocupação do espaço e em defesa do direito de organização sindical, que contará com a presença com a presença de importantes professores e intelectuais da USP, e parlamentares. É fundamental fortalecer essa atividade e todas demais que se seguirem. Além disso, temos que aproveitar o período de matrícula dos calouros e o início das aulas para colocar as Calouradas também à serviço dessa luta. Somente com muita unidade entre os trabalhadores e estudantes poderemos derrotar esse ataque.