Reitoria aprova a “PEC do fim da USP” após brutal repressão dentro da Universidade

Em meio a uma praça de guerra em frente à reitoria da Universidade de São Paulo, os representantes do Conselho Universitário (órgão máximo de deliberação da Universidade) eram escoltados pelos policiais da KoBan (“policiamento comunitário”) para garantir que se instalasse a reunião, cuja pauta er a proposta “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira na USP”, apelidada de “PEC do fim da USP”. Essa proposta, resumidamente, pretende limitar os gastos do orçamento com a folha de pagamento, o que significa congelamento das contratações, congelamento salarial, retirada de benefícios e pode levar à demissão de 5 mil funcionários. Uma política pra precarizar ainda mais a Universidade, leva a acumulação do trabalho dos funcionários e atinge fortemente os estudantes, pois os primeiros serviços que são cortados são os de assistência e permanência estudantil, com os fechamentos de creches e terceirizações dos bandejões. Apenas após às oito horas da noite que o reitor Marco Antônio Zago conseguiu aprovar sua proposta por 52 votos a favor e 32 votos contrários, com 2 abstenções. Um reflexo claro da crise que se abriu com a realização dessa reunião e votação da proposta. Todos os apelos para adiamento da discussão durante o C.O. foram ignorados pelo reitor.

Os estudantes, funcionários e professores convocaram um ato unificado para lutar contra essa proposta absurda. Cerca de mil pessoas participaram da mobilização, o maior ato contra um Conselho dos últimos anos da USP. A resposta da reitoria ao movimento foi dada pela PM com a brutal repressão, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo, spray de Pimenta, balas de borracha e cassetetes dentro da Universidade, na porta do prédio do Reitoria. Essa ação vergonhosa deixou feridos e alguns detidos. Foram 4 estudantes e 2 trabalhadores detidos, todos liberados durante a madrugada. Alguns foram detidos pela PM enquanto eram atendidos dentro do Hospital Universitário, feridos por cassetetes, chutes e socos dos policiais. Nós da juventude Vamos à Luta, junto com a atual gestão do DCE da USP da qual somos parte, estivemos presentes no ato, e posteriormente, acompanhando a situação dos detidos na delegacia.

Está claro que é necessário responder à altura e repudiar veementemente o que aconteceu na USP. Não podemos naturalizar que estudantes e trabalhadores sejam duramente reprimidos, dentro da própria Universidade, apenas por lutar por seu caráter público, gratuito e de qualidade. Não podemos naturalizar que os trabalhadores concursados possam ser demitidos e ver seus trabalhos sendo precarizados. Chamamos a solidariedade das entidades do movimento estudantil e sindical à nível nacional.

Nessa quinta-feira, dia 09/03, os estudantes e funcionários vão realizar um ato conjunto em repúdio ao ataque e brutal repressão da reitoria. E o Diretório Central dos Estudantes chama uma assembleia estudantil também para o dia 09, às 18 horas, no vão do prédio da História e Geografia para debater os próximos passos do movimento. Nossa principal tarefa é derrotar e derrubar o principal responsável pela barbárie de ontem.

Contra a PEC do fim da USP!
Contra a repressão! Lutar não é crime!
Fora Zago!