Unificar a luta da juventude com os trabalhadores

O dia 15 de março foi, sem dúvidas, um dia histórico. Atos massivos tomaram conta das ruas do país inteiro contra a Reforma da Previdência e Trabalhista, lembrando bastante as manifestações de junho de 2013. Mas agora com a entrada em cena da classe trabalhadora, com seus métodos de luta, realizando importantes paralisações. O que vimos foi a expressão prática da unidade entre a juventude e a classe trabalhadora.

Como continuidade dessa luta, está sendo convocada uma greve geral para o dia 28/04. Vai ser um dia fundamental para  os ataques do governo Temer. É tarefa da juventude se jogar na construção desse dia. Nas jornadas de junho de 2013, participamos dos maiores atos desde as Diretas Já. A última greve geral no país foi em março de 1989. Vamos fazer história de novo! Rumo à greve geral!

A jornada de lutas de março e as debilidades do governo Temer

A jornada de lutas do mês de março, que teve início com os maiores atos de mulheres das últimas décadas no 8M, passou pela massividade e exemplo do dia 15, e continuou com importantes passeatas no dia 31, demonstrou a enorme disposição de luta que existe. Por outro lado, o fracasso dos atos do MBL e Vem pra Rua no país inteiro, mostrou que não existe espaço para aqueles que não querem lutar contra as reformas e o governo Temer. Um dado significativo é que 74% das pessoas que participaram desse ato em São Paulo são contra a Reforma da Previdência.

A juventude e os trabalhadores mostraram que têm força para enfrentar o governo Temer e todos os seus ataques, como os projetos de reformas e o PL da Terceirização que acaba de ser sancionado. É possível derrotar esses projetos. Principalmente porque se trata de um governo fraco, rejeitado pela maioria da população e com uma série de atritos na sua própria base no Congresso Nacional. O mais recente exemplo é o rompimento de Renan Calheiros com Temer. Além disso o país tem 13 milhões de desempregados e os escândalos de corrupção e as investigações da operação Lava-Jato seguem atingindo os principais partidos do país, de dentro e fora do governo, como o PMDB, PSDB e PT ajudando a aumentar a indignação da população.

É um fato que o 15M impactou. Não é à toa que Temer anunciou que retiraria da Reforma da Previdência os servidores públicos estaduais e municipais, e agora já se discute deixar a votação das reformas apenas para o segundo semestre. Além disso, a base do governo perdeu a votação sobre o pagamento de mensalidade na pós-graduação das Universidades públicas. Ou seja, podemos ter vitórias. Ao mesmo tempo, não temos nenhuma confiança no governo e temos que seguir mobilizados até a Reforma cair, independente de quando for a votação.

A situação das escolas e Universidades

Nós da juventude também temos sentido fortemente os impactos do ajuste fiscal. A aprovação da PEC do Fim do Mundo, no final do ano passado, que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos, vai precarizar ainda mais a situação das escolas e Universidades. Além disso, temos outros ataques como a Reforma do Ensino Médio e projeto “Escola sem partido”. Agora, o governo acabou com o programa Ciência sem Fronteiras. Precisamos também enfrentar os ataques à educação. Temos que retomar os exemplos das ocupações secundaristas e das ocupações das Universidades contra a PEC. É preciso colocar essa juventude em movimento de novo, aliada aos trabalhadores, para construir a greve geral e lutar para que tenhamos direito ao futuro.

Lutas contra a Reforma da Previdência: e a juventude com isso?

A juventude vai ser particularmente afetada com a nova proposta de Reforma da Previdência. Se essa reforma for aprovada, uma pessoa para se aposentar aos 65 anos, precisaria trabalhar todos os anos de forma ininterrupta desde os 16. Numa conjuntura de aumento do desemprego, principalmente entre os jovens, e precarização do trabalho cada vez maior, sabemos que essa não é uma realidade plausível. Nós que estamos entrando ou ainda vamos entrar no mercado de trabalho corremos o risco de perder o direito de um dia conseguirmos nos aposentar. Por isso, é fundamental que participemos dessa luta com toda nossa força

28A: Organizar assembleias, comitês e construir a Greve Geral nas Universidades e escolas! A UNE tem que chamar a greve estudantil!

Não temos dúvidas que a juventude será a mais afetada com todos os ataques que o governo Temer tenta aprovar. Somos nós que estamos entrando agora ou ainda vamos entrar no mercado de trabalho que também estamos correndo o risco de perder o nosso direito a se aposentar. Além disso, entendemos que mais estrita unidade da juventude com os trabalhadores é fundamental para que a nossa luta tenha mais peso e maiores condições de obter conquistas. Nesse sentido, entendemos que também é nosso papel ser parte da construção da greve geral no dia 28 de abril. Defendemos seguir o exemplo dos estudantes da USP que paralisaram no 15M e se incorporaram massivamente ao ato.

É papel da direção majoritária da UNE (PCdoB/ PT), ser consequente com essa luta e se jogar na construção desse calendário, convocando uma greve estudantil nacional pro dia 28/04. É preciso colocar todo o aparato da entidade à serviço dessa mobilização.

Devemos organizar e preparar em cada Universidade e escola o dia 28/04. Que os DCE, Centros Acadêmicos e Grêmios convoquem assembleias estudantis para deliberar a incorporação na greve. Que se construa comitês de mobilização, junto com os funcionários e professores, para preparar as atividades de mobilização, com panfletagens, colaços, cartazes, agitações todos os dias até a greve geral.