Vivemos uma conjuntura de ataques aos direitos da classe trabalhadora e da juventude. O governo ilegítimo de Michel Temer aliado à um congresso lotado de corruptos, busca jogar a conta da atual crise econômica do capitalismo nas nossas costas. Pra isso aprovaram a PEC 55 no ano passado, congelando assim os investimentos em áreas sociais como saúde e educação por 20 anos. Nesse ano a bomba da vez é a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. Querem que trabalhemos até morrer e fiquemos sem direitos garantidos na relação com os patrões, aumentando muito mais a exploração da nossa força de produzir riquezas. Tudo isso é pra encher os bolsos dos ricaços, aumentando o lucro dos patrões e destinando pro bolso de banqueiros metade da arrecadação do estado brasileiro através do pagamento de uma dívida pública imoral e ilegítima.

Mas do nosso lado, há resistência! Ano passado os estudantes universitários no Brasil inteiro ocuparam os seus prédios contra os ataques do governo, junto disso os técnicos administrativos e os professores entraram em greve. Esse ano de 2017, centenário da primeira revolução socialista que ocorreu na Rússia, já começou com um chamado de Greve Internacional de Mulheres. No dia 8 de março, dia internacional da mulher, mulheres do mundo inteiro pararam seus locais de trabalho e fizeram enormes passeatas contra o feminicídio e por nenhuma a menos! Essa luta esteve vinculada aos ataques que os governos como de Trump nos EUA, Macri na Argentina e Temer no Brasil aplicam contra a classe trabalhadora através do ajuste fiscal. Na sequência, dia 15 de março, a classe trabalhadora brasileira entrou em cena com massivas mobilizações no país inteiro, lembrando em quantidade e disposição um pouco do que foi junho de 2013. No final do mês de março, após muita pressão das bases, as centrais sindicais brasileiras reunidas definiram a data da greve geral pra dia 28 de abril, e sua construção nos locais de trabalho, estudo e moradia envolveu amplos setores da juventude e dos trabalhadores. Isso resultou na primeira greve geral no Brasil desde 1989, onde cidades no país inteiro foram paralisadas. Isso mostrou toda a nossa força e abalou o governo, colocando a possibilidade de derrotar as reformas caso continuemos lutando. Uma nova Greve Geral é imprescindível!

Na UFSM, estivemos dando essa batalha! Na Universidade Federal de Santa Maria, a política nefasta do governo pode ser sentida no dia-a-dia. Com os cortes de verbas que o governo aplica, visando encher o bolso dos banqueiros, acabamos perdendo nossas bolsas e tendo assim nossa permanência na universidade ameaçada. As filas nos Restaurantes Universitários vão de mal a pior, e não temos nenhuma solução quanto à isso. Trabalhadores terceirizados perdem seus empregos com a justificativa da Reitoria de que não há verbas para pagar os salários. Ainda recentemente vimos os moradores da olaria atrás da universidade serem mandados embora do lugar onde moraram desde que ajudaram a fazer os tijolos que ergueram a nossa universidade. A crise do capitalismo que o governo tenta jogar nas nossas costas se reflete localmente de maneira nada sutil, chegando ao ponto de se divulgarem informações de que há a possibilidade da UFSM interromper o funcionamento no segundo semestre desse ano.

Por isso está colocada a necessidade de continuarmos as mobilizações junto dos trabalhadores. Uma barreira à nossa luta tem sido o DCE, entidade máxima dos estudantes da UFSM, que deveria representar nossos interesses e impulsionar nossa mobilização. Estando a gestão na mão da Libertas, uma direita liberal, que tem como ideologia as receitas de ajuste fiscal aplicadas pelo governo, não vemos nenhuma iniciativa por parte do DCE para que os estudantes da UFSM se somem na construção da Greve Geral. Se possível, eles ainda nos impedem de travar o debate, boicotando espaços deliberativos do movimento estudantil.

Por outro lado, vemos os setores que faziam parte da antiga gestão tentando se postular como alternativa para os estudantes. Os mesmos que quando o ajuste fiscal e os cortes na educação eram aplicados pelos governos petistas, faziam vista grossa e tentavam nos dizer que “não era momento pra criticar o governo”. Foram os responsáveis pelo apaziguamento do movimento estudantil na UFSM, através da sua política de conciliação de classes. Agora mesmo, quando passaram à oposição, não fazem uma luta consequente para derrubar já o governo e derrotar as reformas. Preferem apostar todas as suas fichas num “Lula 2018”, como se nossos problemas pudessem esperar, e como se Lula e o PT não fossem adeptos da política neoliberal que tanto nos ataca.

Nossos problemas não podem esperar, precisamos conquistar o DCE, ferramenta que deve servir para ecoar nossa voz e nossa luta. Por isso nós da Juventude Vamos à Luta fazemos um chamado à todos aqueles que ocuparam seus prédios por mais direitos ano passado! Um chamado aos integrantes dos Diretórios Acadêmicos que realmente estão comprometidos com a luta contra o governo! Um chamado à todos os coletivos da esquerda combativa, que foram oposição aos governos petistas e hoje seguem na luta contra Temer! Nos unifiquemos já numa chapa de unidade para as eleições do DCE e vamos juntos derrotar a direita da Libertas e a conciliação do PT! Vamos retomar o DCE da UFSM para a luta! Somente com mobilização permanente ao lado da classe trabalhadora de dentro e de fora da UFSM é que derrotaremos o projeto político dos ricos e construiremos uma alternativa política por uma universidade pública, gratuita e de qualidade!