Por Randy Lobato, designer colaborador da equipe de comunicação do Vamos à Luta.


 

Dia 11 de novembro entrou em vigor a reforma trabalhista aprovada pelo Governo Temer em julho deste ano. Os grandes empresários começaram a aplicar a nova lei, agora não mais por debaixo dos panos. Em entrevista para a Folha de SP, Flavio Rocha, o dono da Riachuelo, disse que vai colocá-la em prática imediatamente e ainda chega a afirmar que os trabalhadores estão “contentes com a reforma”.

Dono de uma das maiores redes de departamento do Brasil, a qual abrange da indústria têxtil até o varejo, onde mais haverá impactos da reforma trabalhista, Flavio está sempre muito por dentro dos assuntos referentes à política. Defende “jornadas flexíveis”, trabalho intermitente (prestação de serviço), o Livre Mercado, tem relações políticas com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e até já elogiou o Programa Ponte Para o Futuro, que segundo ele “sintetiza as ideias de qualquer pessoa de bem”. O empresário vê o governo Temer com otimismo, e parece estar muito feliz com as medidas. Não esperaríamos o contrário do dono de um grupo que já foi condenado pelo Tribunal Superior do Trabalho por super-exploração em 2016.

Nem precisa fazer muito esforço para notar que os trabalhadores da moda, na Riachuelo ou em outras lojas de departamento, são precarizados e trabalham até a exaustão. As novas regras entram em vigor justamente na época das festas de fim de ano, na qual a rotatividade de pessoas contratadas irá aumentar. Com certeza, as propostas de trabalho e carga horária serão dignas de postagem na página Vagas Arrombadas no Facebook. Flavio diz estar preocupado com a geração de emprego, se apoiando em leis aprovadas por políticos corruptos, quando sua única preocupação é a busca por mão de obra barata para continuar obtendo seus lucros milionários, em detrimento da saúde física e psicológica das pessoas contratadas.   

A burocracia sindical, que o empresário cita na entrevista para a Folha, é a mais engajada em tentar desmobilizar os trabalhadores. CUT, CTB e UGT não mediram esforços ao longo do ano para desmontar greves e paralisações contra Temer e as reformas. Em vários estados do país, os sindicatos dirigidos por essas Centrais Sindicais, preocupados apenas com o imposto sindical e não com os trabalhadores, negociaram com a patronal e deixaram passar medidas como o trabalho aos domingos e feriados, diminuição do intervalo e aumento da jornada de trabalho. Ou seja, Flavio e a burocracia sindical estão do mesmo lado.

Mas será mesmo que os trabalhadores estão contentes com as reformas? A Greve Geral do dia 28 de abril, greves e paralisações que acontecem até agora, mesmo com a tentativa de desmonte das burocracias sindicais, são exemplos que provam que Flavio está redondamente enganado. Com 3% de aprovação, o Governo Temer vai de mal a pior em sua popularidade, desmentindo qualquer afirmação otimista do empresário referente às reformas de Temer. É piada pronta o grande rico achando que entende dos anseios dos trabalhadores.