Vamos à luta: Propostas para a greve na UFF
A greve na UFF está num novo momento. O início da greve docente permitiu uma maior unidade dos três segmentos. Isso dá mais força para nossas reivindicações. As plenárias unificadas do SINTUFF, DCE e ADUFF são um espaço importante de construção da greve de forma unificada, sem prejudicar a autonomia de cada setor. Neste texto a Juventude Revolucionária Vamos à Luta (CST e independentes) apresenta sua visão e algumas propostas para uma greve unificada e combativa na UFF.
Quem disse que sumiu!
Um fato destacado, do ponto de vista estudantil, é que estamos recuperando os métodos históricos de luta. Após um momento vivido no pós-pandemia, estamos voltando a construir o movimento estudantil no combate e na ação. Muitos dos colegas estão em suas primeiras assembleias, passagens em sala, ocupações, panfletagens, piquetes, passeatas e comandos de greve. A retomada da organização é um dos avanços mais positivos do atual momento. Nas salas de aulas, nas assembleias, nas ruas, nas praças, novamente está presente o movimento estudantil.
É preciso ampliar esse movimento entre estudantes e forjar ainda mais a unidade com a classe trabalhadora em greve. E isso é possível e necessário, pois dentre outras coisas, temos uma pauta fundamental em comum: a recomposição orçamentária. Lutamos juntos contra o Arcabouço Fiscal de Lula/Alckmin, contra o corte de verbas, para garantir salário, concursos, assistência estudantil, verbas para bolsas (elevando sua quantidade e valores), cotas trans, assim como bolsa automática para cotistas de renda, moradia, moradia e bandejão nos interiores, conserto de elevadores e infra-estrutura, acessibilidade arquitetônica, iluminação do campus, dentre outros aspectos, como melhorar laboratório, bibliotecas e restaurante universitário. Nós do Vamos à Luta defendemos verbas para a educação e serviços públicos, e não para banqueiros e golpistas, além da taxação dos bilionários e multinacionais. Assim, nunca faltaria verbas para creche no campus, pautas feministas, antirracistas, anticapacitistas e LGBTQIA+. Hoje, na UFF, travamos a batalha pela implementação das cotas trans na graduação. Essa é uma pauta nacional, que precisa ser pauta da greve, e que será arrancada com luta.
Fortalecer a greve unificada
A greve dos técnicos é mais bem organizada e forte e mais enraizada no interior. Reflete a tradição de luta e greves do SINTUFF e combatividade dos TAEs, que já realizaram inúmeros movimentos assim, alguns deles inclusive de caráter local, com pautas específicas sobre a jornada de trabalho. Para nossa luta é importante contar com um sindicato combativo e atuante como o SINTUFF e com os ativistas de seu comando local de greve.
A greve estudantil e docente tem como vanguarda o ICHF e cursos do Gragoatá (como Pedagogia e Serviço Social). Precisa avançar ainda para outros setores como a PV, Valonguinho, Direito e outros campi. Há possibilidade para isso. Um exemplo é que alguns cursos da saúde votaram greve estudantil local. Outro é que docentes de cursos como Letras aderiram à greve dos professores positivamente (contrariando uma lenda espalhada pela UJS, que abordaremos depois).
Em nossa opinião, a tarefa coletiva da greve, dos comandos de greves do SINTUFF, DCE e ADUFF, é fortalecer a greve unificada e ganhar para essa luta os cursos que ainda não entraram em greve. O movimento central que devemos fazer é esse: panfletagens, rodas de conversa da greve, passagens em salas, piquetes de convencimento para ganhar a maioria da UFF para a greve. Por outro lado, conquistar o apoio de terceirizadas e terceirizados para a nossa luta, e apoiar suas pautas de reivindicações. Nossas universidades não são compostas por 3 segmentos, mas sim por 4, e devemos considerar essa realidade (unir as lutas de estudantes, técnicos, docentes e terceirizadas).
Ao lado da unificação da juventude com a classe trabalhadora em greve, da unidade operária-estudantil, temos de garantir a independência em relação aos patrões e aos governos de plantão, e da reitoria. Em nosso caso concreto, a independência da reitoria e do governo Lula/Alckmin e a reitoria da UFF. Sem essa independência, não podemos lutar bem por nossas reivindicações. Um coletivo que integre e apoie o governo vai necessariamente defender o governo e tentar desviar o foco da nossa luta aqui na UFF. Por quê? A razão é que necessitam blindar seus ministros e seus cargos governamentais, em detrimento de nossa luta. É o caso da direção do CA de Letras, que é hegemonizada pela UJS/PCdoB, e do PDT e UJS no Direito.
A UJS boicota a greve na UFF
Infelizmente a direção majoritária da UNE (UJS, JPT, LPJ) boicota nossa greve nacionalmente (ver nossa nota nacional aqui https://vamosaluta.com.br/2024/04/30/construir-a-greve-unificada-e-combativa/). Aqui na UFF, a UJS/PCdoB fez de tudo contra a greve estudantil na Letras. Neste curso, chegaram a impedir que se decidisse sobre a greve na assembleia estudantil. Transferindo essa decisão para um plebiscito. O método histórico da democracia estudantil, que aprendemos com a luta operária, é o das assembleias. Nelas todas as pessoas podem debater livremente, expor suas visões, num debate coletivo e olho no olho. Diferentemente de um plebiscito, onde somos individualizados e segmentados. O plebiscito pode ser bom para aferir outras coisas, mas não a decisão central acerca de uma greve. Para uma greve, a assembleia é melhor, porque cada pessoa, que muitas vezes só conhece a situação de sua turma ou seus colegas, pode entrar em contato com a realidade do conjunto do curso e ter mais dados para tomar sua própria decisão. Com mais informação e avaliando o clima geral pode decidir melhor. Não é por acaso que os CAs e DAs e o DCE usaram as assembleias para tratar da greve.
Por outo lado, a UJS espalhou uma fake news contra a greve docente da Letras, no desespero de evitar a greve estudantil do curso. Eles espalharam a inverídica notícia de que “na letras, professor não faz greve” para criar um clima de desmobilização. Buscaram desmoralizar a proposta de greve no curso. Para além de espalhar uma informação inverídica – pois a greve docente na Letras está com adesão razoável – eles desprezaram a autonomia do movimento estudantil. A greve estudantil é um método de luta que o movimento estudantil pode usar. Um exemplo foi a greve estudantil da USP, encaminhada sem greve docente ou de técnicos naquela universidades. Por fim mostraram que não querem a unidade com docentes e técnicos. Na letras, mesmo sem greve estudantil, nós seguimos lutando pelas pautas estudantis, como o fim das matérias pares e ímpares, e por uma nova direção para o CALUFF, uma direção democrática, de luta. Propomos uma nova assembleia geral do CALUFF, para avaliar nossas pautas de reivindicações e para marcar um dia de manifestação estudantil no curso por nossas pautas. Podemos lutar por meio de atos e manifestações, mesmo sem ter uma greve estudantil neste momento na Letras.
Massificar a luta
Uma outra tarefa central é colocar a greve para fora dos muros da universidade. Continuar realizando passeatas nas ruas como o fizemos no centro de Niterói e no rio no dia 9. Realizar panfletagens e colaços em grandes concentrações, divulgando nossas pautas e mostrando a importância de nossa luta. Divulgar que nossa reivindicação por mais verbas e contra o Arcabouço Fiscal é positiva para a educação, saúde e áreas sociais. Mostrar que apoiamos aumento salário para o conjunto da classe trabalhadora e somos contra a escala 6×1. Unificar nossa prática com atos contra a transfobia, como o que ocorreu no dia 8, de justiça por Ariela e Bruno. Ou outras pautas da cidade. E tentar unificar com outras categorias como a saúde federal que está em luta.
Um diálogo com os camaradas do Comitê de Lutas da UFF
Acreditamos que o central para a greve é a unificação com a classe trabalhadora e sua massificação. Justamente por isso, gostaríamos de continuar dialogando com colegas do Comitê de Lutas (formado pelo MEPR e por independentes). Os colegas são muito ativistas e estão nas lutas de forma combativa, o que nós reconhecemos e respeitamos. Mas muitas vezes possuem posições que dificultam a unidade. Primeiro porque no início da greve os camaradas tinham como eixo central da luta a proposta de ocupação de prédios, sobretudo no ICHF. Mas quando essa proposta foi aprovada na assembleia geral do DCE, que votou a deflagração da greve e se iniciou a ocupação no ICHF, os colegas não se jogaram para garantir a ocupação. Ou seja, pareciam desprezar o fato de havia uma ocupação estudantil votada em assembleia. Nós da juventude Vamos à Luta não éramos a favor dessa tática, naquele momento, mas cumprimos a votação da assembleia e nos somamos à ocupação. Em segundo lugar, alguns colegas do Comitê de Lutas (MEPR e independentes) decidiram sozinhos, sem passar por nenhum fórum da greve estudantil, realizar uma piquetagem para bloquear a entrada das aulas do IACS. Uma ação isolada, que não ajudou a construir uma greve estudantil efetiva naquele lugar. Além do que foi rechaçada pelos CAs e DAs do IACS. Em outras palavras, a construção da greve estudantil não pode ser baseada em atitudes vanguardistas de um único setor, por fora da base estudantil. A luta não se define por questões técnicas (cadeiras, cadeados, bloqueios). E caso a base não esteja ganha esse tipo de ação, não ajuda. Por mais corajosa que pareça esse tipo de ação, quando realizada de forma individualizada, não contribui para a luta unificada como o vimos no IACS.
Do mesmo modo, tal metodologia vanguardista foi aplicada pelos camaradas da UJC-PCB no Valonguinho, como resultados negativos para a organização coletiva e para os camaradas. Nós repudiamos as agressões que os colegas da UJC sofreram e exigimos que os agressores sejam responsabilizados pelas agressões. Mas seguimos discordado dessas ações equivocadas. Não se pode piquetar um curso sem uma verdadeira construção coletiva, pela base, construída a serviço de massificar a unificar a greve.
Acreditamos que é necessário debater coletivamente esses equívocos e rever essas posições vanguardistas. É necessário que o ativismo mais combativo não se perca nessas pequenas ações e consiga se vincular à base estudantil, ganhando-a para a nossa radicalidade. Somente assim podemos construir uma greve combativa na UFF.
Manter as assembleias e exigir a suspensão do calendário acadêmico
Para ampliar a greve estudantil entendemos que é importante manter as agendas unificadas com SINTUFF, ADUFF. Além dos calendários nas ruas, garantindo apoio da classe trabalhadora e da juventude que não está na UFF. Internamente, avaliamos que é fundamental garantir a continuidade das assembleias estudantis para seguir lutando por nossas pautas nacionais e locais, além de incorporar na greve a necessidade de revogar o calendário acadêmico da UFF. Neste ponto discordamos de nossos colegas do movimento Correnteza-UJR/UP da UFF.
Na última assembleia estudantil os colegas do Correnteza/UP sugeriram a hipótese de não realização de assembleias estudantis, pois segundo eles o espaço estava esvaziado e agrupando apenas quem era militante. Trata-se de um problema justo, mas com uma hipótese de solução equivocada. Para lotar as assembleias, teremos de realizar mais trabalho de base, organizar melhor a greve estudantil nos cursos que estão paralisados e passar em sala onde ainda ocorrem aulas. Não é deixando de realizar assembleias. Mas infelizmente os colegas da Correnteza não têm jogado todo o peso que têm na greve estudantil. Como no ato do dia 17/04, que foi fundamental para pressionar pela aprovação da greve docente, e os companheiros da UP realizavam uma atividade no horário do ato. Por outro lado, os colegas do movimento Correnteza/UP não visualizam que a pauta de suspensão do calendário acadêmico na UFF é importante para essa batalha.
Tiveram uma postura equivocada, sendo contra essa pauta, e disfarçando sua proposta na defesa da realização de um plebiscito para que se aferisse a posição dos estudantes. Entendemos que a suspensão do calendário é necessária, e ao mesmo tempo expressa a força da greve, e ajudaria a fortalecê-la ainda mais. Por isso, todos os setores que estão defendendo uma greve forte e acreditam que é assim que podemos alcançar vitórias precisam defender e organizar a luta pela suspensão do calendário, e não o contrário. É fundamental que os camaradas do Correnteza reflitam e mudem de posição, pois são um coletivo importante de muito peso no DCE e na base estudantil.
Por um Comando Nacional de Greve e Mobilização Estudantil
Conectada a essa questão, como defendemos na última assembleia geral estudantil, propomos aos colegas do Correnteza/UP, bem como aos demais coletivos do DCE (Juntos, Travessia, UJC) uma ação em comum para exigir da UNE que sejam convocado um CONEG emergencial, para instalar um comando nacional de mobilização e greve estudantil, e para estreitar ações com a FASUBRA, SINASEFE e ANDES. Mas, caso a direção majoritária da UNE não convoque esse fórum, nós defendemos que os DCEs em greve instalem um comando nacional de greve e mobilização estudantil, agrupando comando de greves estudantis, CAs, DAs Executivas e Federações de Curso que estão em greve.
Saudamos a iniciativa do Juntos e Correnteza, a partir de DCEs em que estão, realizando uma plenária nacional virtual no dia 05/05. Essa plenária foi convocada para aglutinar os setores em luta, que contou com a participação de muitas entidades estudantis. Consideramos um primeiro passo na nacionalização da luta estudantil neste momento. No entanto, gostaríamos de fazer uma reflexão, especialmente chamando à reflexão os dois maiores coletivos da oposição de esquerda, que são justamente o Juntos/MES/PSOL e o Correnteza/UP/PCR. Pois, como colocamos acima, e como escrevemos no nosso último jornal Combate Socialista, “Enquanto o movimento grevista cresce, o que temos visto é que a majoritária da UNE a UJS (PCdoB) não é consequente com a luta dos estudantes e na tentativa de blindar o governo Lula não joga seus esforços para construir uma greve estudantil.” O papel que a majoritária joga hoje é de desviar a luta estudantil, e nós achamos que é de suma importância denunciar esse caráter e exigir que a majoritária faça o que precisa fazer: “saia do imobilismo e construa um Comando Nacional de Greve e Mobilização Estudantil”. No entanto, apesar de muito positiva a plenária, não vimos que Juntos ou Correnteza fizessem essa exigência. Mas nós, do Vamos à Luta, achamos que essa é a batalha central para massificar e nacionalizar a greve. Ao mesmo tempo que fortalecemos iniciativas da oposição, precisamos exigir da majoritária a construção da greve e cobrar a responsabilidade da UNE nesse processo. Dessa plenária, se encaminhou uma carta, positivamente assinada por muitas entidades e apontando para a construção do ato do dia 09, mas sem mencionar que, por exemplo, a data do dia 09 foi boicotada pela direção majoritária. Por isso, fazemos essa reflexão, com a intenção de fortalecer, nas próximas semanas, a disputa pela nacionalização da greve, e para que se concretize o Comando Nacional de Mobilização e Greve Estudantil.