Após o 45° Conubes, seguir a luta secundarista nas escolas!
Entre os dias 14 e 16 de junho aconteceu o 45º Congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas. Nós da Juventude Revolucionária Vamos à Luta (CST e Independentes) fomos com uma bancada de lutadores das escolas públicas para apresentar nossa tese “Por uma UBES Combativa e Independente”. Atravessados pelas tentativas de despolitização, da péssima organização do evento, do plano de nos cansar da direção majoritária (UJS, LPJ e juventudes do PT), passamos os três dias firmes, expondo nossa política nas mesas de debate, atos e atividades. Lutamos para garantir uma entidade que seja consequente com as lutas da juventude secundarista, do apoia a greve da educação federal e pelo encaminhamento de um calendário nacional unificado de lutas.
O CONUBES expressou que ninguém suporta mais o NEM. Seguiremos exigindo: Lula, revogue já!
Houve um acordo entre todos os estudantes nesse Congresso: nenhum estudante aguenta mais o Novo Ensino Médio. A partir das diversas experiências dos secundaristas com o NEM no Brasil todo, ficou evidente que, além de uma mentirada que não se aplica na prática, o projeto tem levado à evasão escolar, num plano óbvio de expulsão dos jovens pobres e trabalhadores da educação. O que acontece, na realidade, é que os itinerários não servem pra nada, levam à perseguição de professores e a falta de sentido e, junto com isso, a integralização com anulação do ensino noturno, faz com que quem precisa trabalhar (que é cada vez mais gente) se veja obrigado a largar a escola.
Além disso, a disparidade entre escolas públicas e particulares só aumenta. As inscrições para o ENEM acaba hoje, dia 19/06 e, no último dado do Ministério da Educação, mais de 5 milhões de estudantes se inscreveram, no entanto, apenas 1 milhão e 600 mil são concluintes, o que significa que mais de dois terços dos inscritos são treineiros e não estudantes do 3º ano do Ensino Médio que realmente têm perspectiva de adentrar as universidade públicas brasileiras. Assim, possivelmente não temos nenhuma grande novidade: alunos de escola particular tentando o exame durante todo o ensino médio e os estudantes da escola pública nem indo prestar a prova.
Isso se dá porque, ainda que o Lula tenha prometido revogar o NEM, o governo somente mexeu em algumas questões e encaminha um projeto de lei que mantém os itinerários e o notório saber, ou seja, a parte mais central do Novo Ensino Médio. Por isso, exigimos durante todo o CONUBES e seguiremos falando: Lula, revogue completamente o Novo Ensino Médio, já!
A direção majoritária da UBES não quer lutar contra quem ataca a educação
Apesar de cantarem que “ou para a reforma ou paramos o Brasil”, infelizmente, essa é a verdade que temos que falar. Exemplo maior disso é a política traidora que apresentava a majoritária (UJS/PCdoB, LPJ e juventudes do PT), na qual simulavam que houve uma verdadeira revogação do NEM e reivindicavam o PL mentiroso de Lula, tentando mentir que a batalha já foi vencida para blindar o governo que ocupam.
Da mesma forma, fingem que a greve da educação federal que já dura mais de três meses não existe. Os trabalhadores e estudantes lutam por investimentos na educação nacionalmente, reajuste digno para os técnicos e professores e recomposição orçamentária nas universidades e escolas (prometida por Lula quando ainda era candidato, que significa ter verba que foi tirada durante o governo Bolsonaro. Não falam sobre a greve, se negando a exigir do governo Lula mais verbas para educação, para salário e concurso público dos servidores.
Nós da Juventude Revolucionária Vamos à Luta, junto com outros setores da oposição, fomos diversas vezes impedidos de falar nas mesas e, inclusive, barrados na nossa defesa de resolução sobre conjuntura nacional na plenária final do dia 15/06. Fazem isso, porque precisam impedir que mostremos a verdade para os estudantes que querem lutar por educação pública, gratuita e de qualidade e contra o projeto nefasto do NEM. Por isso, seguimos lutando por uma UBES combativa, independente e democrática.
Pelego se sacode, unificou oposição
Nos três dias, nos grupos de discussão e plenários, os vários coletivos de oposição à majoritária se expressaram em distintas falas e agitação. Mas infelizmente nesse primeiro momento estávamos divididos, sem um bloco unitário das oposições. Para superar esse problemas a juventude Vamos à luta lutou firmemente por uma unidade da oposição a UJS/PCdoB e aliados.
As juventudes Sem Medo (dos coletivos da majoritária do PSOL) votaram resoluções em conjunto com a UJS e abandonaram o campo da oposição.
Por isso agitamos por todo o Mineirinho a proposta de unidade da UJR/Rebelião, UJC, Juntos e Rebeldia para resoluções unificadas. Batalhamos para construir uma chapa de oposição que se postule como uma alternativa de direção para o movimento estudantil secundarista. Chapa que felizmente se concretizou.
Apesar de que a UJS/PCdoB e aliados se reelegeram, acreditamos que esse congresso foi positivo para as oposições. A chapa unificada foi um passo à frente na luta contra a majoritária. Defendemos que essa unidade avance após o Conubes e se expresse num polo de luta nas escolas e nos estados para disputar com a majoritária da UBES. Para lutar pelos nossos direitos e contra o projeto excludente e privatista da educação presente nos estados e no Brasil. Para que essa oposição permaneça no cotidiano de cada cidade, escola e sala de aula: para derrotar o Novo Ensino Médio e os projetos de governos como os de Tarcísio e Zema, que atacam a nossa permanência.
O Vamos à luta defende uma UBES independente de todos os governos: municipais, estaduais e federal, independente do governo Lula/Alckmin e que se enfrente todos os dias com a extrema direita golpista. O imobilismo da direção majoritária da UBES é fruto do têm rabo preso com o governo federal; para lutarmos de verdade, não podemos ter nenhum governo de estimação, para quando nos atacarem, podermos enfrentá-los sem nenhum obstáculo. Só podemos lutar com perspectiva de vencer contra o NEM se tivermos um setor combativo e independente.
Seguiremos batalhando pela construção de um calendário de luta – como o 11 de agosto, dia do estudante – e chamamos todas, todos e todes a estarem conosco nas lutas que virão, com combatividade e independência para ir até o final! Vamos à Luta!