Carta à Direção da União Nacional dos Estudantes e da Associação Nacional de Pós Graduandos
No dia 04 de junho foi realizada a Primeira Plenária Nacional dos Estudantes, contando com 70 lutadores/as, representações de 10 Universidades, onde levantamos questões pertinentes às greves estudantis, que tem se fortalecido. Foi debatido o sucateamento das IFES e falta de investimento do governo Lula na Educação Federal. Em 18 de junho ocorreu a Segunda Plenária Nacional, contando com a participação ativa de representantes de 18 Universidades, mais de 100 lutadores/as. Debatemos os graves problemas que a educação pública federal tem enfrentado ao longo das últimas décadas, e apontamos como a UNE e a ANPG não têm jogado forças na construção das greves estudantis. As mais de 12 greves estudantis que vêm e vieram acontecendo neste período, em unidade com TAEs e docentes, ficaram relegadas ao isolamento, por não haver iniciativas das entidades nacionais que as articularem.
A partir destas iniciativas, encaminhamos na segunda reunião a escrita dessa carta para exigir que a UNE e a ANPG convoquem a instauração de um Comando Nacional de Greve e Mobilização Estudantil, de forma a unificar as greves existentes, fortalecer as lutas onde não há greves, pensar ações unitárias e construir uma pauta nacional estudantil, para que possamos reivindicar negociações com o governo sobre as nossas demandas, que são muitas.
A greve é um ato legítimo, onde reivindicamos as melhores condições que o Ensino Superior precisa, além de pautarmos às necessidades da categoria estudantil, visando não apenas a qualidade do ensino, mas também a permanência dos/as discentes dentro das Instituições de Ensino Superiores.
Em cada Universidade há diversos problemas e pautas importantes, no entanto, há algo em comum em todas, os/as alunos/as de graduação e pós-graduação vêm sofrendo com o descaso do governo atual, assim como governos anteriores. As propostas orçamentárias, até então oferecidas, são insuficientes para que haja melhorias significativas. É preciso ir além de obras nas infraestruturas, que não são poucas, já que em diversos campi há prédios deteriorados; é preciso investir pesado em bolsas estudantis (número e valores), moradias, investimentos em laboratórios, museus, restaurantes universitários, além de outras reivindicações que almejamos. Isso garante a permanência estudantil e contribui para a realização de pesquisas e propagação da ciência.
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia da Covid, diversos/as universitários/as desistiram da educação e houve uma redução drástica em ingressos. Hoje, há baixa adesão ao ENEM. O que mostra como a educação federal está cada vez mais precarizada. Para reverter esse quadro, devemos lutar de forma unificada.
Apesar dos argumentos postos de que o Brasil enfrenta uma crise e as verbas estão limitadas, o Arcabouço Fiscal, que sabemos ser apenas uma continuação do Teto de Gasto de governo Temer, limita investimentos nas IFES, contudo, ao mesmo tempo que as universidades acabam sendo prejudicadas, outros segmentos estão sendo priorizados, como é o caso do agronegócio, recebendo o maior Plano Safra de todos os tempos, com valor de 385 bilhões, além do pagamento da dívida pública. O que mostra que não falta dinheiro, mas sim, priorização do Ensino Público.
Vale ressaltar que a Educação Pública era alvo do governo Bolsonaro, inimigo do ensino, mas que atualmente também temos enfrentado ataques constantes e graves, como: militarização das escolas; privatização, Arcabouço Fiscal e falta de orçamento.
É preciso dar um basta nisso! Nós temos que mudar a realidade da Educação Pública, independentemente do governo que está no poder. E a UNE e a ANPG são as entidades que representam os/as estudantes. Desde o início a Direção da União Nacional dos Estudantes não têm se posicionado a favor da greve, nem sequer feito algum pronunciamento, ou ações de fortalecimento das greves.
Diante desse cenário, viemos por meio desta carta manifestar desapontamento e cobrar uma ação da UNE e da ANPG. Exigimos o chamado para um Comando Nacional de Greve e Mobilização Nacional Estudantil, e que as entidades representativas majoritárias apóiem e estejam integradas nessa batalha, para, em unidade, garantirmos uma Educação Federal de qualidade para todos e todas. Queremos uma pauta única, e exigimos negociação!