Nota contra a criminalização do Movimento Estudantil na UnB

Movimento SEM CAMPUS
Os estudantes da Faculdade de Ceilândia (FCE) e  de todos os campi da UnB, que compõem o “Movimento Sem Campus” e que desde o dia 13 de setembro ocupam a reitoria da universidade com o intuito de obter uma resposta e posicionamento concretos da administração no que diz respeito à conclusão das obras do campus de Ceilândia, vêm manifestar, através dessa  nota, todo o seu repúdio e indignação diante da tentativa deliberada da reitoria de criminalizar o movimento estudantil.
Como todos sabem, o prazo estabelecido para entrega das obras do campus da FCE-UnB está prestes a completar três anos de atraso. Durante todo esse período, os estudantes, professores e técnicos da Universidade tiveram que conviver, trabalhar e desenvolver suas atividades acadêmicas em espaços inadequados e sem a mínima estrutura. Esse também foi um período de grande organização e atuação do movimento estudantil de Ceilândia, que com o apoio dos estudantes de todos os Campi da UnB, promoveu intensa luta, sempre procurando encontrar uma solução para o problema. Diante do constante descaso e falta de compromisso por parte da administração da universidade, os estudantes resolveram fortalecer ainda mais as suas manifestações, e a atual ocupação já é a segunda protagonizada pelo movimento em menos de três meses.
No processo que garantiu a mais recente ocupação da reitoria, os estudantes entraram em confronto com seguranças e outros funcionários (decanos e assessores), que ali estavam para impedir o ato legítimo do movimento. A administração vem tentando, através de uma enxurrada de mentiras propaladas através da SECOM e com declarações falaciosas, criminalizar e culpar os estudantes pelo ocorrido.
Quando chegamos ao prédio da reitoria, como dito acima, já havia sido montado pela administração um aparato de repressão instruído a barrar a entrada dos estudantes a qualquer custo. A universidade foi capaz de se valer do absurdo de recrutar guardas patrimoniais e funcionários da administração para reprimir os estudantes. O confronto só ocorreu porque fomos reprimidos e impedidos de entrar em um espaço que é nosso. Nenhum estudante que se envolveu no confronto o fez por desejo, por fúria individual ou agiu com violência gratuita.
Não iremos permitir que a administração da universidade utilize esse fato para criminalizar, punir ou perseguir quem quer que seja. Nosso movimento não aceitará a tentativa da reitoria de nos dividir e nos enfraquecer. Reiteramos nosso posicionamento e deixamos claro que não negociaremos essa questão. Nenhuma punição acadêmica, administrativa ou judicial ao movimento estudantil que exerce seu direito legítimo de lutar por melhores condições de ensino e por uma universidade que esteja à altura das necessidades do nosso povo!

Movimento SEM CAMPUS
Movimento Estudantil da Universidade de Brasília