Nota de repúdio ao ato da UMES Contra a greve do CPERS

Na atual conjuntura mundial em que vivemos, somos testemunhas das lutas que surgem a todo o momento. Cada vez mais pessoas indignadas e ansiosas por uma condição de vida mais igualitária. No mundo árabe caíram ditaduras de décadas, na Europa milhares saem às ruas para protestar em virtude do desemprego e da falta de perspectivas para o futuro; nos EUA o movimento OCUPPY WALL STRETT pede que não se jogue a crise nas costas dos trabalhadores. Este último movimento vem crescendo e já está presente em varias cidades, inclusive ocupando a Universidade de Harvard, em protestos contra a mercantilização da educação, que também ocorrem no Chile, onde milhares de estudantes foram às ruas pedindo uma Educação Pública e de qualidade.


No Brasil, as mobilizações também vêm crescendo. Várias manifestações estão acontecendo, como as greves nas obras do PAC, dos bombeiros – maciçamente apoiada pela população, assim como as ocupações de várias reitorias. São reivindicações contra a falta de investimentos na educação entre outras. Os jovens têm sido extremamente importantes em todas essas lutas, sempre lutando ao lado da classe trabalhadora.

Infelizmente, em Passo Fundo no RS, a realidade nem sempre é essa. A UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas), controlada pela UJS – PC do B (que é articulada através da coordenadoria de juventude, cargo ocupado pelo PC do B que usa essa coordenadoria para cooptar estudantes para a UJS), organizou um ato contra a greve do CPERS (professores estaduais) no último dia 16/11. A alegação é de que os estudantes serão prejudicados já que não poderão ingressar no ensino superior sem a conclusão do ensino médio, em caso de greve. Essa é uma ideia lamentável, pois a verdade é que, em caso de greve, as instituições de ensino superior permitem que os alunos não concluintes do ensino médio possam participar do processo seletivo, oferecendo um prazo maior para entregar o certificado de conclusão. Outro motivo alegado para serem contra a greve é de que as férias serão menores, o que minimamente se pode entender como ridículo, pois posicionar-se contra uma luta que trará benefícios para os próprios estudantes, seja pelo motivo que for, é algo inconcebível. No Chile, para citar como exemplo, os estudantes perderam um ano letivo inteiro em função da luta pela educação publica e nem por isso deixaram de ir às ruas reivindicar seus direitos. 
Mesmo contra a greve, a UMES se diz a favor das reivindicações do CPERS como o pagamento do piso, e contra a reforma do Ensino Médio, que vai transformá-lo numa “Fabrica de mão de obra barata”.
O que a UMES precisa entender é que para alcançar estas pautas será necessário pressionar o governo PT, PSB, PC do B, o que só será possível por meio da greve, pois o governador Tarso não cumpriu com a sua parte nas negociações feitas e simplesmente ignorou as reivindicações dos professores. Se o movimento se diz a favor do piso salarial, não é se manifestando contra o professor que as mudanças ocorrerão. É no mínimo inocência pensar que conversando com o governador as coisas vão mudar.

Este é mais um exemplo do que se tornou o PC do B, partido que se diz comunista, mas que tem se mostrado como partido do novo código florestal que vai devastar o meio ambiente, das fraudes no Ministério dos Esportes, e que em todo país vai contra as greves legitimas dos trabalhadores preferindo participar de um governo corrupto ao invés de lutar ao lado dos trabalhadores. 

Repudiamos esta atitude da UMES/PCdoB de ir contra a greve e damos total apoio à greve do CPERS, pois entendemos que só com muita luta as reivindicações serão ouvidas.
Coletivo Vamos à Luta Passo Fundo, CST-PSOL Passo Fundo