Rebelião contra o ajuste na Grécia

La Clase 

Simón Rodríguez Porras (USI-PSL)
Protestas en Grecia contra el ajuste 2012.jpg
Milhares de trabalhadores mobilizados nas ruas da Grécia. Crescem os choques com as forças repressivas, dezenas de edifícios incendiados em Atenas, empresas tomadas, portos fechados, centenas de feridos e presos. A violência com que a burguesia européia vem impondo o ajuste no país mediterrâneo vem tendo como contrapartida uma obstinada resistência dos trabalhadores e do povo. As consignas dos trabalhadores gregos contra os cortes salariais e as demissões, contra a ditadura dos banqueiros e dos empresários e pela ruptura com os bancos multilaterais e o governo que opera como seu títere deve inspirar a solidariedade de todos os povos que sofrem sob o peso da crise capitalista.   

O pacote aprovado pelo parlamento no domingo, dia 12 de fevereiro prevê a demissão de 20% dos servidores públicos (150 mil demitidos nos próximos 4 anos), a diminuição em 22% do salário mínimo, corte nas pensões e aposentadoria, entre outras medidas. Trata-se do mais recente elo em uma cadeia de ataques aos direitos dos trabalhadores para fornecer a confiança aos bancos internacionais e na capacidade do governo de pagar a dívida externa. O ajuste empreendido em 2009 se traduz no aprofundamento da recessão ( a economia que já leva quarto anos em recessão, caiu 7% no último trimestre de 2011). O desemprego dobrou, chegando a 20,9%, o rendimento médio dos trabalhadores caiu 25% e cresce de maneira alarmante a desnutrição infantil e o número de pessoas sem teto. É esta troca da miséria pela dívida que vem impondo o governo da União Européia, porém a tecnocracia exige maiores cortes no gasto público.  

Toda a repressão e demagogia não reduziram a combatividade popular e operária. Dezenas de greves de caráter nacional e mobilizações multitudinárias tem sido a resposta a cada golpe econômico lançado desse governo contra a população. Em vez disso, o regime é que dá sinais de quebrar-se ante a pressão e a mobilização. A Federação Panhelênica de Oficiais de Polícia, com um nível importante de influência, anunciou que boicotará as medidas de repressão ordenadas pelo governo. Se em junho do ano passado pode ser aprovado um pacote de medidas com a deserção de apenas um deputado governista, na votação de domingo se apresentaram 41 expulsões no bloco do governo. Um ministro e cinco vice-ministros renunciaram. Em desespero, a UE pressiona os principais partidos gregos para conseguir um compromisso escrito de que seguirão adiante com o ajuste independente do resultado das eleições que acontecem em abril. E a burguesia mundial fixa sua atenção na Grécia, pois como um padrão, poderia arrastar o resto da eurozona ao desastre. Porta-vozes da ditadura capitalista da China, principal sócia comercial da Europa reconhecem que a situação é crucial.       
Os trabalhadores também devem seguir com atenção a batalha que trava o povo grego, pois representa um exemplo a seguir. Desde a mais importante usina siderúrgica até uma universidade e um hospital, passaram ao controle de seus trabalhadores no marco da resistência contra o ajuste, greves consecutivas paralisam a maior parte do país e as ruas vibram com consignas contra o governo de Lucas Papademos, títere da troika, do Banco Central Europeu , do Fundo Monetário Internacional e da Comissão Européia. Sua luta é a de todos os trabalhadores e os povos do mundo que combatem os planos de ajuste.