Estudantes da UFOP deflagram greve estudantil: a transformação do agora é necessária

Por Ana Carolina Meirelles *
Quando entrevistaram o escritor Eduardo Galeano na Praça da Catalunya, em Barcelona, no ano passado, em meio a manifestações embaladas pelos sentimentos de transformação da ordem do sistema, da democracia não representativa e manipulada, ele disse: “Há outro mundo possível que nos espera, este mundo de mierda está grávido de outro, e só os jovens vão conseguir levá – lo para frente”.
De Barcelona para Minas Gerais, estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto são entusiasmados pela trajetória do possível. Desde o dia 17 de maio, com a deflagração da greve dos docentes, o Comando de Greve Estudantil da UFOP permanece organizado e tendo reuniões periodicamente para seguir a mobilização dos estudantes.
A Deflagração da Greve Estudantil veio com a necessidade de ter os estudantes uma pauta de reivindicações próprias e também lutar unificadamente com outras Instituições Federais pelos 10% do PIB para a Educação.  Os estudantes da UFOP dizem não para o sucateamento da Educação no Brasil e questionam a expansão desordenada aplicada pelo Reuni nas Universidades.
Na UFOP, os problemas originados pelo Reuni atingem níveis insustentáveis. A especulação imobiliária, a falta de moradia estudantil, a falta de professores qualificados e efetivos para compor o corpo docente, o problema da acessibilidade nos prédios, o atraso no Sisbin para disponibilizar os livros nas bibliotecas, fazem com que o estudante da UFOP hoje se mantenha mobilizado para poder conquistar seus direitos.
O Comando de Greve Estudantil da UFOP elaborou a primeira pauta de reivindicações a nível nacional para levar para Brasília, na marcha do dia 5 de junho.  Dentre elas estão: ampliação da política de assistência estudantil, ampliação dos hospitais universitários que não devem ter investimentos da EBSERH. Os estudantes defendem a equiparação das bolsas de iniciação científica ao salário mínimo e incentivo à pesquisa, extensão e ensino com remuneração e reconhecimentos iguais.
No programa Ciências Sem Fronteiras, do governo Federal, reivindicam a contemplação dos cursos de humanas nos convênios. Também lutam pela implementação da lei de Libras, nº 10436, regulamentada pelo decreto 5626; pela defesa do serviço público e fiscalização do serviço terceirizado; extensão dos horários de funcionamento da biblioteca e de outros departamentos, melhorias e ampliação dos Restaurantes Universitários, meio passe já, dentre tantos outros.
Os Estudantes da UFOP apoiam à greve dos docentes e também o indicativo de greve dos Técnicos – administrativos da UFOP.  O Comando de greve acredita que o momento da greve é histórico e que podemos impulsionar ainda mais essa luta a exemplo da juventude chilena.  Termino com Galeano “porque somos todos iguais por uma vida diferente”.
Ana Carolina Meirelles é estudante de comunicação social da UFOP e militante do Coletivo Vamos à Luta.