Repudiamos a repressão aos estudantes no México! Liberdade aos estudantes de Michoacán!

Fonte: UIT-CI
Tradução: Adriano Abbade e Neide Solimões

Nos dirigimos às autoridades nacionais, estatais e ao povo mexicano para manifestar nossa indignação diante dos fato de Michoacán e exigir do governo e das autoridades judiciais a imediata libertação dos 49 estudantes processados pelo Tribunal de Justiça, o aparecimento com vida dos desaparecidos e a punição para os culpados pelo ocorrido, que foi a Polícia e as autoridades que deram ordem de repressão.

Vamos manifestar e difundir em nível internacional o ocorrido e solicitamos que as organizações de trabalhadores, populares e democráticas de todo o mundo, divulguem e repudiem, bem como exijam a libertação dos estudantes presos.
Durante a noite do último domingo (14), e a madrugada de segunda feira (15), por volta das 4 horas da manhã, a Polícia Estadual e a Polícia Federal empreenderam um operativo atacando a Escuela Normal Indígena de Michoacán, situada em San Francisco Cherán, a Escuela Normal Rural Vasco de Quiroga de TiripetíoMichoacáne oCentro Regional de Educación Normal de Arteaga, todos ao mesmo tempo.
Destacamos a declaração do comitê executivo do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Educação seção XVIII:
“Nunca se viu tanta violência contra os jovens. Nunca tanta violência contra as escolas Normais. O tamanho da ofensiva contra a existência das escolas formadores de docentes, é a magnitude da agressão policial-militar empreendida contra os jovens e instalações, operadas sob o controle do governo estadual e federal. Assim Felipe Calderón se despede de seu governo; Fausto Vallejo adianta assim a necessidade de sua saída do governo de Michoacá.
De acordo com informações fornecidas pela mídia, através do secretário de governo JesúsRayna, 1.200 efetivos militares da Polícia Federal Preventiva e 350 da Polícia estadual, empreendem uma “cruzada” para devolver a alguns empresários as condições para seguir acumulando riqueza. Estes mesmos empresários aplaudem a Reforma Educacional para tornar as escolas um negócio e do sistema educativo um aparato para capacitar força de trabalho barata, dócil, domesticada, individualizada, sem memória histórica e sem perspectiva de futuro como povo. A força bruta na mão do governo é usada para limpar do território toda resistência as Reformas Estruturais; em Michoacán, professores,mestres, universitários, povos indígenas, sindicatos e pais de família, somos o obstáculo para concretizar a destruição de direitos vitais do povo e do saque dos patrimônios nacionais.
15 de outubro não será esquecido. Mais de 300 estudantes e professores são detidos e golpeados pela polícia militar, em Cherán, Arteaga, Calzonzin (sic), Morelia e Tiripetío.  São destruídas por corpos armados partes do prédio central da Normal Rural “Vasco de Quiroga”, de importância histórica. Esses mesmos policiais, tão corruptos quanto seus superiores, saquearam a escola, roubaram bens de estudantes e da Escola Nornal. Helicópteros gringos de alta tecnologia, gases e toda uma implantação de especialistas na agressão física, são a resposta que o governo da as justas reivindicações dos ‘normalistas’.
Hoje permanecem encarcerados 98 presos. Mas a maior indignação é ver que após a criminosa agressão aos ‘normalistas’, se desconhece o paradeiro de 12 estudantes, que estão na condição de desaparecidos.

A agressão chegou na tarde de 15 de outubro até as instalações e dirigentes da seção XVIII. Dezenas de policiais seguiram professores, invadiram as salas lançando gases, balas de borracha, arrebentando portas e prendendo vários companheiros. A PFP e o Grupo de Operações Especiais prenderam nosso secretário geral: Professor Juan José Ortega Magrigal, igual fizeram com nosso representante anterior, o professor Jorge Cázares Torres. Uma razão a mais de indignação para o magistério michoacano.

“Para o tamanho do mal sapo é o tamanho da pedra”. Respondemos a dezenas de milhares de michoacanos, e nos manifestamos para parar essa barbárie. Tiraremos  todos os professores e estudantes da prisão e os maus governantes do poder.

“Segue a greve por tempo indeterminado nas oito Escolas Normais oficiais e nas escolas de educação básica na entidade, até alcançar a libertação de todos os reféns que o governo mantém na prisão, que apresentem sãos e salvos os desaparecidos; até parar a reforma curricular imposta pelo governo federal. Já se fala da necessária saída de Fausto Vallejo Figueroa do governo do estado. O povo michoacano tem a última palavra”.

Depois desse comunicado, 40.000 michoacanos saíram às ruas exigindo liberdade dos presos, também houve bloqueios de estradas em algumas comunidades. No entanto, o  governo mantém 49 prisioneiros que foram colocados à disposição de um juiz. Pretendem castigar os estudantes pela violência que foi desencadeada pela polícia!

Os estudantes foram à luta contra uma reforma educativa neoliberal que destruirá as escolas  normais no México.

Chamamos à solidariedade internacional, exigindo das autoridades mexicanas a imediata libertação dos presos e “desaparecidos” e a punição dos culpados pela repressão!

Viva a luta dos estudantes e do povo de Michoacán!.