POR MAIS SEGURANÇA, MAIS CULTURA E DEMOCRACIA NA UFMG – CONTRA A PORTARIA 034

Em um ato de intransigência a reitoria da UFMG (Campolina) cercou o espaço onde tradicionalmente ocorria o evento cultural “NA TORA”, espaço de integração estudantil realizado pelos próprios estudantes. Essa medida soma-se a várias outras que tem como intenção esmagar os que não concordam com uma Universidade mera produtora de mão de obra, mas sim como espaço UNIVERSAL do conhecimento, com integração entre os estudantes de diversos cursos. A reitoria deixa de lado o caráter social da Universidade quando restringe o acesso de não alunos ao campus, aprofundando uma lógica segregacionista e distanciando a universidade de seu principal dever, contribuir com a sociedade. A reitoria vem apertando o cerco com os que ousam denunciar seu caráter autoritário, elitista e excludente, perseguindo e utilizando-se de intimidação para coibir os estudantes, como na luta contra a privatização do HU´s (EBSERH) e contra o aumento do bandejão. A proibição das festas vem no mesmo sentido, para a reitoria não é interessante que existam espaço de integração estudantil. O novo modelo utilizado para construção de prédios são os CAD´s – complexos apenas com salas de aula. Revelando uma mentalidade de que os estudantes devem ser apenas máquinas de estudar e não seres humanos que precisam conversar, conhecer e aprender com a pluralidade, por isso também querem reformar a FAFICH para limitar os espaços de convivência e os espaços das entidades estudantis. O direito de organizar festas, atividades culturais e de espaços para interação e organização dos estudantes foi uma importante conquista do Movimento Estudantil na luta contra a ditadura militar, conquistas que estão ameaçadas pela nossa reitoria.
O principal argumento para aplicação da Portaria 034 (proibição das festas) é a defesa de que as festas contribuem para o aumento da violência. Mas na verdade a insegurança é algo crônico na UFMG, assaltos e violência ocorrem cotidianamente. Os últimos casos mais problemáticos de violência ocorreram durante o dia e longe de qualquer atividade cultural. A reitoria tenta colocar a culpa nos estudantes, mas é ela quem não garante a segurança da comunidade acadêmica em nenhum momento do dia. O reitor Clélio Campolina também entra em contradição quando proíbe a festa para os estudantes, enquanto realiza grandes eventos regado a Whisky para os amigos da reitoria. Defendemos uma melhor política de segurança na Universidade, sem repressão aos estudantes, amplo direito e incentivo à organização de atividades culturais.
A reitoria está propagandeando que o espaço onde ocorre o “NA TORA” será construído o prédio do curso de Arquitetura. Acreditamos que existem vários espaços ociosos no Campus Pampulha que podem e devem ser destinado para as atividades culturais, é muito problemático que a única forma de dialogo que a reitoria conhece é cercar e proibir. Alguns estudantes defendem a proibição das festas porque acham que a Universidade é lugar apenas para estudar e que a maioria dos estudantes que participam dessa atividade não tem que trabalhar no dia seguinte. Nosso Coletivo é formado, em sua maioria, por estudantes trabalhadores e defendemos o direito de podermos papear com nossos colegas após um dia desgastante de trabalho, de estudo e de enfrentar o caótico transporte público de BH. Ninguém vive só de estudar e trabalhar, não somos máquinas e estamos cansados dos desmandos do Sr. Campolina. Por isso convidamos todos os estudantes a se somarem na luta em defesa do direito a educação de qualidade, ao lazer, a democracia, ao pluralismo e contra o autoritarismo da Reitoria da UFMG. Só o movimento estudantil organizado e na luta é capaz de mudar essa realidade. VAMOS À LUTA!