Deu ruim, pra eles.

Marco Antônio P. Costa

Tava tudo preparado para acabar com as manifestações. A Santa Aliança entre Dilma, através do Ministro esquerdista (só que não) José Eduardo Cardoso, Alckmin, Haddad, Cabral e Paes tava selada. Todos falando, seja de Paris, de Brasília, de São Paulo ou do Rio, a mesma linha: “somos bonzinhos e esses aumentos são bem pequenininhos. Os vândalos branquinhos de classe média querem fazer arruaça. É um movimento político e violento”. Só isso não bastava. Eles contaram também, desde o início, com a sempre solícita ajuda da grande mídia corporativa. O empenho da Globo, Estadão e Folha em criminalizar o movimento foi muito maior que o já tradicional. Desproporcional mesmo, fora do comum.
O editorial da Folha de São Paulo de hoje tinha o título: “Retomar a Paulista”, que dentre várias pérolas medievais dizia: “(…) É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista (…) No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei”. Os flashes da Globo eram doses cavalares de imagens e falas que sugeriam uma PM que se defende de uma minoria raivosa. O número de manifestantes divulgados foi sempre muito abaixo do número real. 

Mas, às vezes existem os “mas”. O grau de desvinculação da grande mídia com a sociedade é muito gritante e segue uma tendência crescente. E dessa vez eles superestimaram o seu poder. Desprezaram o poder da internet e o poder de uma câmera digital. Sobretudo, desprezaram o sentimento de indignação na população, não apenas pelo aumento da tarifa, mas por ataques e mais ataques. 

O dia foi passando e nos brindando com fatos inesquecíveis. Quando o Datena fez uma enquete sobre a concordância ou não das pessoas com as manifestações, ficou surpreso que a grande maioria respondia concordar. Com canalhice exemplar, alegando que as pessoas não estavam entendendo a pergunta, pediu, no ar, para acrescentar a palavra baderna. A pergunta então foi: “Você é a favor de protesto com baderna?”. A resposta “sim” não apenas continuou na frente como ampliou a diferença para o não. Era em minutos o mito do povo passivo e abestalhado caindo por terra. Este é apenas um dos exemplos simbólicos do dia do qual nós temos que tirar conclusões. Inclusive por se tratar de um programa com viés claramente conservador e de público muito popular, a maioria de nós esperaria, assim como o Datena, uma resposta negativa e conservadora. Vejamos, não são dados nossos, não são dados produzidos pela esquerda, são dados deles próprios, e podemos perceber o descolamento da linha dos governos e da grande mídia, que perde espaço em amplos setores da população.

Fosse diferente, os atos estariam arrefecendo e o que acontece é o contrário, estão cada vez maiores. No Rio, de um ato com cerca de mil estudantes, houve um salto espetacular para algo próximo a 10 mil. Continuo debatendo com os céticos, pois em um dia a premissa de que está acontecendo algo e de que seria maior se comprovou.
Durante o ato, em especial o de São Paulo, começaram a sair as primeiras fotos, notas e vídeos, independentes e da grande mídia. Conforme a guerra cibernética de informações e dados foi se dando, em poucas horas a linha dos grandes meios teve que sofrer alterações. Não que a linha irá mudar. Não que vão parar de distorcer e de manipular. Mas saem enfraquecidos porque após hoje se desmoralizaram mais um pouco. 
A Folha de São Paulo que de manhã incitara a guerra para retomar a avenida Paulista, teve sete de seus repórteres feridos. É bom também para percebermos que entre a linha da direção editorial e os operários da informação há uma enorme distância. A tese que de o movimento era quem causava a violência foi por água abaixo. A tese dos vândalos, também. O vídeo em que centenas de pessoas pedem não violência virou a prova cabal de que a PM é quem ataca e agride. Vídeos de PM´s quebrando suas próprias viaturas, de agressões gratuitas e covardes e de todos os tipos constituem agora um enorme arquivo público e inquestionável, que não deixa dúvidas sobre quem é quem nesse processo. 
Dilma, Alckmin, Haddad, Cabral e Paes seguem unificados tanto na linha política, quanto no método de ação. A linha política é manter o reajuste e fazer os trabalhadores e a juventude pagarem pela crise econômica que, diga-se de passagem, já está muito bem acomodada e sentada, de pernas cruzadas, no sofá da sala de estar do nosso país. No método da repressão brutal e violenta. Nesse ponto vale ressaltar que o governo federal foi mais realista que o rei e desde cedo se colocou à disposição para mandar a Força Nacional de Segurança para São Paulo. Isto porque o PT não reprime nem privatiza…
A Santa Aliança entre os governos, os principais e maiores partidos do país (PT, PMDB e PSDB), a grande mídia, levaram hoje um olé de uma juventude abusada que cansou de esperar e que saiu a lutar.
Vale lembrar que o Prefeito de Porto Alegre, Fortunatti, poucos dias antes do aumento da tarifa cair em Porto Alegre, afirmou que a tarifa não iria abaixar. Quem vai decidir no Rio e em São Paulo se a tarifa vai baixar não são os governos, será a força do movimento e o dia de hoje demonstrou que estamos no caminho certo!