As repressões às manifestações assim como nas favelas deixam às claras a quem serve o governo do Cabral/Pezão. Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, agressões, prisões e recentemente a nova arma com jato d´água, foi somente uma amostra do que as periferias enfrentam há décadas. A revolta popular vem questionando a ordem instituída, com pautas anticapitalistas, de maneira espontânea contra esse projeto de cidade elitista que está muito bem afinado com o grande capital, tendo como principal consequência à segregação espacial ainda mais acentuada entre ricos e pobres, a “limpeza social” com as remoções e a valorização fundiária urbana destinada à especulação. Um projeto desde sempre apoiado pelo PT no poder tanto com Lula quanto com Dilma.
Recentemente o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse que trocar tiros com traficantes na Zona Sul é uma coisa na favela da Coreia é outra. Seguindo essa lógica o morador da periferia é obrigado a ficar no fogo cruzado dos policiais com os traficantes, ter sua casa invadida por uns e por outro, ter que abrir a porta da sua casa pra polícia que não tem mandato, e sim só sua arma carregada nas mãos, ter sua casa arrombada, suas coisas roubadas e destruídas. Essa é a realidade das periferias do Rio e a bala não é de borracha. A disparidade em relação ação policial feita é um reflexo dessa diferenciação do espaço urbano e social e foi sob a justificativa de repressão a um arrastão, que a polícia mais uma vez usou de pratica violenta, na qual resultou em 13 mortes, contra os moradores da Maré, uma ação rotineira para quem vive na favela, lembrando que lá semanas antes algumas pessoas tiveram suas casas invadidas e suas vidas ameaçadas por polícias, em uma “ocupação de preparação para a UPP”. Estabelecem-se aí as bases da criminalização do diferente, do pobre e do negro que sofre uma institucionaliza violência desmedida legitimada pelas grandes mídias. Essa é a Política criminosa do Governo Cabral, Paes e Dilma que alargam as desigualdades sociais e governam a serviço do Capital, perpetuam uma política inicio do século passado de exclusão e opressão do Estado e exercem ações repressivas, para manter o grau de controle da ordem de maneira coercitiva sobre a classe trabalhadora. Nesses governos, o PMDB, PT, PCdoB e as demais siglas do choque de ordem só se esforçam para beneficiar Eike, a FETRANSPOR, a Odebrechet, os Cavendish e demais integrantes dos esquemas de poder do comando DELTA.
No dia 23 de Julho faz 20 anos que policiais militares, em horário de folga, atiraram contra crianças e adolescentes de rua que costumavam dormir na Praça da Igreja da Candelária, região central do Rio de Janeiro, os mortos da Candelária eram pobres, negros e mestiços. “São vinte anos de falta de respeito dos governantes, de falta de políticas públicas para os jovens pobres e negros. Não se investe nas crianças. Mais fácil matar do que cuidar […] Ao contrário, direciona suas ações para privilegiar a população de condição financeira alta;” palavras de Wagner dos Santos, único sobrevivente da Chacina da Candelária, em uma carta aberta. A periferia não ficou de fora da jornada de junho. A Rocinha e o Vidigal, por exemplo, protestaram contra a construção de um teleférico na comunidade, entre outras pautas. Uma das principais obras do PAC 2, o teleférico cuja a principal finalidade é atender turistas de diversos países , vai receber investimentos de R$ 1,6 bilhão do governo federal, porém os moradores reclamam que nem saneamento básico foi implantado. Na Maré foram realizados dois atos em repudio a chacina que nos atingiu.
Agora todos se perguntam onde está Amarildo de Souza, pedreiro de 42 anos, morador da favela da Rocinha, que denunciava abusos por policias da PM e está desaparecido desde o dia 14 de julho. Ele foi levado por policiais da UPP da favela para averiguação e, desde então, não voltou para casa, o que mostra a falência do projeto de (in)segurança “pública” em vigência no estado e no País. Mais uma entre tantas vitima da violência policial, o que levou a comunidade ao asfalto fechando vias da Zona Sul. É importante separar a luta dos moradores da periferia por direitos sociais e políticos do discurso de conivência com o trafico feito pelos meios de comunicação e pelo Estado, pois bandido é o Sergio Cabral e companhia.
Mais que nunca a militância não pode parar devemos ir às ruas e ecoar a voz de quem sofrem preconceito e que são marginalizados, pois bala de fuzil tem CEP. Agora que o projeto de cidade do capital foi esculachado nas ruas, nas acampadas na casa do Cabral, nas manifestações das comunidades, é hora de seguir mobilizado. Após vinte anos de candelárias, de “pacificação” sem voz, não toleramos mais casos de Amarildos!
Por isso é hora de unificar os protestos das comunidades, da juventude com as paralisações e greves dos trabalhadores. Precisamos de mais passeatas, mais acampadas da juventude, mais interdições de rua da Maré, da Rocinha, Vidigal e de uma greve geral pra derrubar Cabral.
