Direção majoritária da UNE e UBES vendem direito histórico da juventude! Já basta de traições da juventude governista!
O governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) e seus aliados sancionaram nesta segunda-feira, 05/08, o estatuto de juventude. Tal projeto foi marcado por dois graves retrocessos: o primeiro, a restrição da meia-entrada em 40% em eventos e atividades culturais e o segundo a volta do monopólio das carteiras para as mãos da UNE, UBES e ANPG (dos pós-graduandos). Além disso, Dilma vetou o artigo que garantiria meia-passagem aos estudantes em transporte interestadual e aprovou o artigo que impede a meia-entrada nos eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Isso comprova que o governo está a serviço dos interesses dos empresários do transporte, da indústria cultural e da FIFA. Uma denúncia que já fazíamos desde o Congresso da UNE, como parte de nossa atuação na Oposição de Esquerda da entidade.
Essas medidas representam um brutal ataque a juventude de nosso país. As juventudes do PCdoB (UJS) e do PT, que dirigem a UNE e UBES, venderam nosso direito para ter de volta o monopólio de emissão. É uma das maiores traições da história do movimento estudantil e deve ser respondida a altura pela juventude. Com a volta do monopólio das carteiras estudantis, elas passam a ser propriedades da UNE, UBES e ANPG, que ganharão milhões à custa de um direito que nos foi retirado; um recurso manejado por dirigentes vendidos ao governo. Sem falar que o monopólio torna mais burocrático e caro tirar uma carteira. Basta lembrar que em vários estados o comprovante de matrícula da instituição já dava acesso a meia-entrada.
Com a restrição de 40%, perdemos o direito de acesso ilimitado a um desconto que diminuía as dificuldades dos estudantes desfrutarem de teatros, cinemas e festas. Isso favorece as propostas dos barões da indústria cultural que desejam restringir ainda mais o acesso, incluindo idosos, deficientes, etc, nos 40%. Se questões básicas de segurança não são vistoriadas pelo governo, como se viu na tragédia da Kiss no RS, não há porque esperar que exista fiscalização sobre o cumprimento dos 40%. Quer dizer, a restrição abre margem para o fim da meia-entrada.
Por todas essas razões, o Estatuto da “Juventude” está na contramão do momento que vivemos no Brasil após as Jornadas de Junho. Ocasião em que a juventude se levantou e protagonizou as maiores mobilizações de nossa história. Tomou as ruas por fora e contra as direções majoritárias estudantis, que estavam mais preocupados com cargos nos governos corruptos e neoliberais. Enquanto a juventude repudiou massivamente a Copa da FIFA, os burocratas governistas eram “voluntários” do evento.
Randolfe não representa a juventude! Trai a luta e se alia ao governo Dilma!
Ao longo dos últimos anos vimos a adaptação de partidos, entidades e diversas figuras da esquerda à ordem capitalista. Do PT à direção da CUT, passando pela direção majoritária da UNE, dirigida pelo PCdoB/PT. Temos o exemplo de Lindbergh Farias, ex-presidente da UNE, líder dos caras pintadas de 1992, que passou a admirar Collor de Melo. Por isso denunciamos a postura do senador Randolfe Rodrigues, da maioria na direção do PSOL, que junto com a base governista ajudou na elaboração e aprovação do estatuto que retira direitos da juventude. Randolfe é repudiado pela juventude lutadora e pela base militante e de esquerda do PSOL. Suas movimentações nas eleições, em Macapá, e no dia a dia no congresso mostram que este senhor tornou-se mais um político da ordem estabelecida. Por isso a juventude indignada não deixa passar despercebida tamanha traição.
Construir uma jornada nacional de luta contra a restrição da meia-entrada e por passe livre!
Nós repudiamos o ataque do governo e a traição da direção majoritária da UNE e UBES. Acreditamos que é da mesma forma como se reduziu a passagem em 10 capitais que será possível barrar essa medida. O caminho de nossa vitória e da derrota dos aliados declarados e enrustidos do governo é nas ruas. Uma jornada de lutas da juventude se faz necessário contra a restrição da meia-entrada, por passe livre e outras pautas, como o Fora Cabral e Alckmin!
Construir uma reunião nacional dos Fóruns e Blocos de lutas estaduais! Unidade com a classe trabalhadora!
Para nacionalizar a luta e unificar nossos calendários é importante realizar uma reunião conjunta entre o MPL de São Paulo, o Fórum de Lutas do Rio, o Bloco de Lutas de Porto Alegre, a Assembleia Horizontal de BH, o Belém Livre do Pará e demais movimentos pelos Estados. Uma reunião para coordenar nossas ações frente à continuidade das passeatas, acampadas, ocupações de câmaras, etc.
Precisamos juntar forças com os trabalhadores que começam a entrar em cena em suas campanhas salariais. Datas de mobilização como o dia 8/08, conjunto com os professores do Rio ou o dia 14/08 unificado com os Metroviários e MTST em São Paulo devem se reproduzir pelos estados. Nesse processo devemos batalhar para massificar o movimento e incorporar os trabalhadores, como classe e com seus métodos, à onda de lutas. É a luta coletiva e ampla que garante nossa vitória. Uma tarefa importante é transformar a paralisação nacional convocada pelas centrais no dia 30/08 numa greve geral contra o governo e os patrões. Nesse dia devemos marchar pelas ruas de todos os estados. Esse é o caminho a seguir para derrotar os ataques: lutar e vencer!


