A onda dos “rolezinhos”, os encontros marcados por jovens pelo facebook nos shoppings de São Paulo, tem causado muitos debates. Contando com a participação de milhares, como no último dia 11, no Shopping Metrô Itaquera, com mais de 3 mil pessoas, esses eventos tem sido criminalizados por empresários, pelos governos Alckmin e Haddad que ordenam a repressão policial e pelos meios de comunicação. O fato é que mesmo que de forma despretensiosa os rolezinhos expressam a vontade dos jovens das periferias de ocupar espaços que lhes são negados não pelas leis que teoricamente garantem o direito de ir e vir de todos, mas pelo poder econômico e pela aparência.
Essa situação escancarou o verdadeiro apartheid social existente no Brasil, onde as elites se sentem ofendidas com a massa da periferia, majoritariamente negra ocupando um espaço que deveria ser apenas seu. Mesmo sem ter havido nenhum roubo nos eventos, no segundo rolezinho do ano, a polícia prendeu 23 jovens por “perturbação do sossego”, no Internacional Shopping Guarulhos (SP). Aumentando o preconceito, um juiz concedeu uma liminar que multa em R$ 10 mil quem comparecer em conjunto aos shoppings. No entanto, a repressão só estimula esse processo e mais dez ‘rolezinhos’ estão programados. Em solidariedade aos jovens e em repúdio ao racismo e a criminalização da pobreza, estão sendo marcados rolês em várias cidades nos próximos dias.
Parte das rebeliões juvenis que ocorrem em todo o planeta contra o sistema
Com diferentes expressões, em todo o mundo a juventude das periferias tem contestado o sistema, o racismo e a segregação. Ao longo da história vemos revoltas como nos EUA nos anos 1960, a luta contra o apartheid na África do Sul e os recentes movimentos de jovens imigrantes contra as leis xenófobas. As revoltas nos subúrbios de Paris em 2005 de imigrantes africanos, a rebelião plebeia dos britânicos pobres, negros e dos imigrantes nos subúrbios de Londres em 2011, ou os protestos na Suécia em 2013. Em todos esses levantes houve processos radicalizados de luta com onda de saques, destruição de lojas e queima de carros.
A nova situação mundial em que o avanço do desemprego, do trabalho precário e da falta de perspectivas para a juventude, tem produzido rebeliões, greves gerais e revoluções e imposto cada vez mais novos métodos de luta e contestação aos ataques que o sistema capitalista apresenta contra os de baixo. Os rolezinhos são uma expressão, mesmo que inconsciente e despretensiosa, desse processo internacional. Outra são as explosões sociais, com bloqueio de ruas e choques com a polícia, vistas na zona norte paulistana ou em Manguinhos (RJ).
É a juventude da periferia quem paga a conta da crise social
Os números mostram que as ações dos governos são insuficientes para resolver o problema da exclusão e a resolver a crise social que afeta a juventude da periferia. Em relação aos negros, aumentou em 30% o assassinato de negros e diminuiu em 25% o de brancos entre 2002 e 2010. Outro dado preocupante é o aumento do assassinato de jovens negros no Brasil. A taxa é de 89,3 mortes a cada 100 mil habitantes negros de 20 anos contra 31 para brancos da mesma idade. Enquanto bilhões são destinados para estádios de luxo da Copa (R$8,01 bilhões gastos na construção de estádios e R$10bilhões que a Fifa irá lucrar) para a juventude da periferia resta as estatísticas negativas. Dilma e seu governo tem responsabilidade sobre o racismo, a violência policial e extermínio da juventude que se encontra sem perspectivas.
A polícia que reprime e a falta de políticas públicas que proporcionem o acesso a cultura e lazer para a juventude em detrimento do consumo fútil tem responsáveis diretos: Dilma, Alckimin e Haddad e demais governantes. São eles que cortam verbas da educação para beneficiar banqueiros, empreiteiras e seus demais financiadores de campanha. São os responsáveis pela falta de oportunidade da juventude e pela repressão. Foram os que reprimiram brutalmente as manifestações de junho e é o governo Dilma que prepara uma tropa de 10 mil homens da Força Nacional de Segurança para conter as manifestações contra a Copa racista da Fifa. Por isso é preciso também denunciar e derrotar esses governos que estão na contra mão do que pede a juventude pobre das periferias.
Total apoio aos rolezinhos! Contra o racismo e a criminalização da pobreza!
O ano de 2014 inicia de um lado com o aprofundamento da crise econômica, com verdadeiras tragédias como no Maranhão, chuvas e alagamentos em vários estados e o caos nos transportes e com a violência urbana. Por outro, o processo iniciado em junho de 2013 se dissemina de várias formas para diversos setores da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre.
Direta ou indiretamente os rolezinhos são filhos de junho e contestam o bem estar da burguesia branca e esnobe paulistana e brasileira. Mesmo sem saber para onde vai e que proporção ganhará os próximos passos dessas ações, são atos que devem ser apoiados e cobertos de solidariedade, pois são uma luta direta contra o sistema, o racismo e a criminalização da pobreza.
– Total apoio aos rolezinhos!
– Não à criminalização da pobreza!
– Derrotar o apartheid brasileiro!
– Derrotar o apartheid brasileiro!
– Rolezinho no congresso, na alvorada e na mansão dos Sarney!
– Derrotar o ajuste fiscal de Dilma e dos Governadores, suspender o pagamento da divida e destinar recursos para as áreas sociais
– Verbas pra saúde e educação e não pra Copa da FIFA!
