UFMG: O SISU e a democracia na universidade

Everton Luiz
Vamos à Luta UFMG

O Sistema de Seleção Unificado (SISU) foi utilizado como única forma de ingresso na UFMG em 2014. Anteriormente, eram feitas duas provas, uma de primeira etapa avaliando conhecimentos gerais, matemática e português, e outra especifica para cada curso, a segunda etapa. Posteriormente a Universidade adotou o ENEM como primeira etapa, persistindo ainda a segunda etapa de áreas específicas.
Com a implementação do SISU, a UFMG aumentou em muito a proporção de vagas, no último vestibular eram 86 mil candidatos, com a entrada do SISU 186 mil estudantes fizeram o cadastro para pleitear uma das vagas oferecidas pela instituição, chegando ao número de 52,65 candidatos por vaga. 
O aumento dos concorrentes quer dizer democracia?
As correntes governistas do movimento estudantil como a UJS( direção majoritária da UNE), afirmam que o projeto do governo visa democratizar o ensino pois expande geograficamente a concorrência pelo país inteiro. O SISU incentiva dessa forma, ainda mais a educação meritocrática em que bom aluno é aquele que tira boas notas e compete com seu adversário pela vaga. Uma educação que nada tem a ver com inclusiva, pelo contrário. O governo Dilma ao invés de democratizar o ensino afasta cada vez mais a juventude pobre e trabalhadora de uma universidade pública gratuita e de qualidade. A universidade toma então a forma mercadológica que tem se intensificado nos últimos anos cada vez mais.
Quem são os novos alunos da UFMG?
O percentual de estudantes de outros estados do país que concorreram as vagas saltou de de 7% no ano passado para 17% esse ano, com maioria sendo do estado de São Paulo, muitos destes ainda aguardam o resultado da FUVEST, o que pode impactar ainda nas próximas chamadas. São estudantes de todo o país, exceto o estado do Paraíba. Os candidatos que concorrem às vagas da UFMG, e que poderão fazer seu curso com tranquilidade, não são filhos da classe trabalhadora, mas sim uma casta privilegiada da burguesia brasileira. Diante de um cenário de educação precarizada e de pífia situação econômica da classe trabalhadora no Brasil cada vez mais explorada, é preciso ser coerente para entender que aqueles que poderão pagar um aluguel ou ficar em alguma república sem sacrificar financeiramente sua família não são os filhos dos pobres nos morros. Grande parte dos novos alunos da UFMG não são filhos de pedreiros ou peões como gostam de afirmar os governistas, pelo contrário fazem parte daqueles que frequentam shoppings e temem que a juventude pobre ocupe seu lugar em um rolezinho num fim de semana qualquer.
Assistência estudantil
A UFMG conta com uma assistência estudantil precária, com bolsa de cerca de R$400 mensais, em uma cidade em que a passagem de ônibus custa 2,65, gerando um gasto de R$106,00, apenas de passagem para ir e voltar da universidade. Em uma cidade com uma das cestas básicas mais caras do país. A especulação imobiliária fomenta todos os dias novas ocupações urbanas, pois o preço do aluguel aumenta indiscriminadamente. Faltam vagas nas moradias, que também são caras, dependendo do nível de carência de cada estudante. Para, além disso, a seleção do nível de carência e a verba de PNAES( Plano Nacional de Assistência Estudantil) são administrados pela FUMP, uma fundação privada que utiliza recursos do plano para reforma no bandejão , compra de computadores e mobiliário, só em 2011 foram gastos mais de 2 milhões de reais dessa forma*. Pior ainda é a situação das mães que não tem direito sequer a uma creche ou escola para colocar seus filhos enquanto estudam. Essa assistência estudantil que já tem qualidade abaixo do aceitável não dará conta de certo dos novos estudantes, mais necessitados ainda de assistência estudantil. É imprescindível o fim da FUMP e a criação de uma pró-reitoria que garanta que a verba do PNAES sejam gastas apenas em manutenção de estudantes na universidade, e que tenhamos assistência de qualidade. As bolsas devem ter seu valor fixado como valor mínimo igual ou maior ao salário regulamentado em janeiro desse ano pelo governo, os valores devem ser reajustados anualmente com uma reunião entre uma comissão de bolsistas e a reitoria/MEC. Tarifa ZERO para o bandejão! A juventude pobre não tem lugar na UFMG, não tinha com vestibular e hoje tem menos ainda com o SISU.
COPA 2014
O calendário da UFMG também sofreu alteração devido à Copa do Mundo, além de toda a brutal repressão sofridas por milhares de estudantes que foram as ruas em junho do ano passado, o governo e a reitoria ainda fizeram com que o campus Pampulha, que antes era refugio para estudantes perseguidos na ditadura militar, fosse reduto da Força de Segurança Nacional que saia das matas para atacar o povo em luta. Essa é a política de educação do governo, reprimir os manifestantes e garantir o lucro as empreiteiras e da FIFA. Para isso também, a UJS também defende o vergonhoso voluntariado para a COPA. A UFMG fica dentro da “área FIFA”, ou seja, os estudantes e a população são impedidos de sequer andar pelo local. Cria-se, então o Estado de Exceção, que vigorou durante a Copa das Confederações. As sinalizações não mudaram, o governo compra e prepara mais policiais para enfrentar os manifestantes durante o evento, claramente defendendo o lucro das empresas.
É preciso derrotar nas ruas as políticas do governo para educação
O governo Dilma, mente quando diz que os 10% do PIB para educação foram conquistados com o leilão do Pré-sal, os royalties destes não conseguem garantir nem ao menos 6% do PIB, pois o rendimento dos poços são divididos até mesmo em posse da Petrobras que hoje é uma empresa mista, ou seja, com a Petrobras no controle, ainda os lucros seriam divididos entre seus acionistas privados e o Estado. A divida publica consome cerca de 42% do orçamento da União, chegando a mais de 1 trilhão de reais no ano de 2014, enquanto para a educação e a saúde serão menos de 5%. O governo não ouviu as vozes das ruas e não investe pesado em educação, não é essa sua prioridade. É necessário auditar a dívida pública suspender seu pagamento, assim como revogar o leilão do pré-sal, para financiar a educação e a saúde, aumentando as vagas das universidades mais próximas as casas de cada estudante, com assistência estudantil adequada, um quadro de professores qualificados, técnicos em números suficientes, para garantir o acesso a educação de qualidade dos alunos para que estes não tenham que viver longe de sua família ganhando uma bolsa miserável, tornando-se mais um trabalhador precarizado e explorado.
É preciso mobilizar os estudantes, e a classe trabalhadora para fazer com que a universidade seja o lugar do povo pobre e trabalhador, com real democracia do ensino. Para isso é necessário derrotar o governo e suas privatizações, a FIFA, e as empreiteiras.
*Prestação de contas da FUMP (Fundação Mendes Pimentel, ano 2011).