Estudantes e rodoviários unidos pelo passe livre e pelo aumento de salário

Assembleia dos rodoviários votam pela continuidade da greve

Cristian Nunes e Marcela Pellin 

Coordenadores do Grêmio do Julinho e do Vamos à Luta-POA.
Vinicius Manoel Eckert 
Membro do CECS-UFRGS e do Vamos à Luta-POA


Em Porto Alegre, desde segunda-feira passada, está ocorrendo uma das maiores greves dos rodoviários da história da cidade. A categoria exige 14% de aumento no salário, redução da jornada de trabalho para 6h e uma série de outras pautas que visam melhorias nas atuais condições degradantes de trabalho que esses trabalhadores estão expostos. No inicio da paralisação havia um acordo judicial que previa a circulação de 30% da frota dos ônibus para que a greve fosse considerada legal, por estar se tratando de um serviço essencial. A imprensa local não poupou discurso acusando os grevistas de estarem fazendo uma greve com os empresários do transporte para conseguir aumento de salário às custas do aumento da passagem. Mas nunca foi noticiada a proposta dos rodoviários de colocar 100% da frota para circular desde que houvesse passe-livre para todos os usuários até o fim da greve. Já que isso não agradaria a máfia do transporte que a mais de 60 anos atua na cidade sem licitação, o prefeito ignorou a proposta dos rodoviários e exigiu na justiça que 70% da frota circulasse nos horários de pico. No entanto os rodoviários demonstrando sua garra e organização literalmente pararam a cidade, e desde quarta-feira passada, deixaram 100% dos ônibus na garagem em resposta ao desrespeito ao seu direito de greve.

O prefeito Fortunati que sempre se manteve servil à máfia do transporte não sabe mais o que fazer. Já não pode mais utilizar o aumento do salário dos rodoviários como desculpa para o aumento da passagem, mas não abre mão de defender o lucro dos empresários, tanto já solicitou a Brigada Militar intervenha e retire os grevistas a força das garagens para permitir que os ônibus saiam, chegando ao cúmulo de solicitar a da Força de Segurança Nacional. Não tendo êxito em nenhuma dessas tentativas teve como ultima cartada colocar vans escolares para cumprir o papel do Transporte paralisado.

 Mas o desconforto dos de cima é reflexo de uma forte organização dos de baixo que desde o ano passado, quando o aumento do preço da tarifa de ônibus levou milhares de jovens às ruas, iniciou-se um grande questionamento sobre o lucro exagerado, e muitas vezes ilegal dos empresários dos ônibus, em detrimento de um transporte acessível e de boa qualidade para o conjunto da população. E agora se vê a continuidade desse processo, a máfia do transporte é questionada pelos trabalhadores que só veem o lucro do patrão aumentar, enquanto seu salário está cada vez menor, exigem melhorias no transporte, que reflete diretamente em suas condições de trabalho. É uma greve forte e muito radicalizada e que tem seus efeitos sentidos pelo conjunto da sociedade. Mas que não perde o apoio social, pelo contrário todas as pesquisas de opinião que a imprensa promoveu, os rodoviários foram sempre muito defendidos. Bem como na semana passada, em pleno janeiro e em meio às férias, mais duas mil pessoas saíram às ruas de Porto Alegre pelo Passe-Livre, contra o aumento da passagem em apoio a greve dos rodoviários, demonstrando que não há contradição entre uma conquista e outra, mas reafirmando que para que qualquer uma se efetive será necessário mexer no lucro dos empresários. E assim como nos levantes de 2013, as velhas instituições burocratizadas estão sendo questionadas, tanto que essa greve se dá por fora do sindicato, que nos últimos anos serviu de freio à mobilização da categoria. E a cada tentativa desesperada de fechar um acordo rebaixado, para acabar com a mobilização, o sindicato é cada vez mais derrotado pela base que não pretende sair de mãos vazias dessa luta. Chegando ao ponto de na ultima assembleia da greve os rodoviários impedirem o presidente do sindicato de falar, que depois foi chorar para a imprensa dizendo que sindicato é formado por 20 membros que estão sendo atropelados pela base que é formada por mais de 8 mil.
Coletivo Vamos à Luta nas garagens para os piquetes da greve
Nós do coletivo Vamos à Luta que estamos presentes nas garagens junto com os rodoviários nos piquetes de greve, vemos a determinação dessa categoria que cansou de ser explorada e sabemos que é fundamental manter a unidade entre estudantes e trabalhadores. Pois 2014 será um ano muito importante na história do Brasil, onde muitas categorias de trabalhadores entrarão em greves tão radicalizadas e fortes quanto a dos rodoviários. Já que no ano da copa as lutas se intensificarão, visto que é crescente o descontentamento social com a entrega dos nossos direitos pelo governo à FIFA, para organizar uma copa para os ricos, em detrimento dos diretos mais básicos da população como saúde, educação e transporte. E sabemos que é só na luta que poderemos conquistar condições mais dignas de vida. Dessa forma a juventude indignada de Junho estará sempre junto com a classe trabalhadora a luta para arrancar vitórias concretas para o povo que não quer mais viver como antes.