Calourada do DCE UNIRIO

Após 2 anos nas mãos da burocracia do PCdoB, em novembro do ano passado o DCE UNIRIO voltou para as mãos dos estudantes, elegendo um DCE independente da reitoria, anti-governista e sintonizado com as ruas.
Na primeira calourada, o DCE-UNIRIO mostrou a que veio, trazendo para dentro da Universidade debates sintonizados com as lutas nas ruas e também com pautas específicas da Universidade, como o Bandejão, que esse ano completa 10 anos de promessa e está há quase dois anos com o prédio pronto mas sem funcionamento.

A Calourada 2014.1 começou no dia 18/02, com um Debate sobre a Redução da Tarifa e as questões dos transportes no Rio de Janeiro, com a presença do vereador e relator da CPI dos Ônibus, Eliomar Coelho, do MC e militante do Vamos à Luta, PH Lima e o web humorista Rafucko. Eliomar falou sobre os desdobramentos da CPI dos ônibus, ressaltando que a mobilização e os atos massivos foram fundamentais para que a CPI conseguisse as assinaturas necessárias para ser instalada. O MC PH Lima contou da sua experiência nas jornadas de junhos, sobre a importância de se organizar e sobre o avanço da consciência a partir das lutas de junho e da greve dos professores em outubro. Rafucko falou sobre a violência policial nos atos e o importância da mídia alternativa.




No dia 27/02 aconteceu o Bloco-Ato “O Glamour foi para o espaço”, pela abertura do bandejão. O bloco convocado pelo DCE,  se concentrou no jardim do CLA e passou nos Centros chamando a galera e cantando marchinhas indignadas como : “Reitor eu quero, Reitor eu quero, Reitor eu quero almoçar/ Dá o bandejão, Dá o bandejão, Dá o bandejão pra minha fome passar”; e “Ei, reitor aí, Me dá um glamour aí, me dá um glamour aí”. Estavam presentes estudantes do CCH, CLA, Ibio, IB, CCJP. O ato seguiu até a reitoria e logo na entrada encontramos o vice-reitor Da Costa, que estava de saída e exigimos respostas e prazos sobre o atraso do nosso bandejão. O Vice-reitor nos recebeu na Sala dos Eméritos da reitoria e afirmou que os equipamentos já estão entrando no prédio do bandejão, mas que não pode dar prazos sobre a abertura, afirmando que provavelmente isso poderia ocorrer até junho. Houve falas bastante indignadas sobre os problemas que os estudantes enfrentam como o valor do prato do aluno, os péssimos transportes públicos, a falta de infra-estrutura em diversos prédios (banheiros, bebedouros, etc). O DCE interviu para mostrar que a intransigência da reitoria reflete a estrutura burocrática que comanda a Universidade, ao mesmo tempo em que evidencia o atrelamento da atual gestão com o governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) que acabou de cortar recursos da áreas sociais para pagar a divida e que destina bilhões para as empreiteiras e para a Copa da FIFA.
A partir da falta de respostas do vice-reitor, nos reunimos no pátio em frente à cantina da reitoria para discutir os próximos passos da nossa mobilização na Unirio.



Pautas especificas, gerais e posicionamentos políticos:
– Abertura imediata do bandejão! Chega de enrolação!
– Bandejão com 3 refeições diárias e que atenda todos os campi;
– Tarifa zero no bandejão e concurso publico para funcionários do restaurante;
– Não à Ebserh! Chega de privatização dos hospitais!
– Concurso publico para professores efetivos;
– Pela construção do novo prédio do CCH e pela conclusão da reforma dos prédios;
– Por democracia real na Universidade! Chega de burocratas e falta de negociação;
– Mais verbas públicas para a educação e saúde não para a Copa da Fifa.
– Contra o ajuste fiscal e o pagamento da divida que acaba de cortar 40 bilhões das áreas sociais!
– Apoio a greve dos técnicos-administrativos e o indicativo de paralisação dos professores! Unificação da luta dos três segmentos! 

Na útlima segunda-feira, dia  17/02, 

aconteceu o segundo debate que o DCE preparou para essa Calourada de 2014.1, com o tema “#NãoVaiTerCopa”. Cerca de 100 estudantes estiveram presentes no palcão do CLA para ouvir os debatedores Marcelo Freixo (Deputado estadual Psol), Babá (professor da UFRJ), Clarice Gurgel (professora da Unirio) e Maria dos Camelôs (Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas). O debate também contou com a importante presença de Pedro Hugo, um dos representantes da Comissão da greve dos garis, que fez uma saudação falando da experiência dessa greve e da necessidade de nos organizarmos bem pras nossas lutas e seguirmos com determinação para conquistarmos os nossos direitos. Ao longo da atividade, o professor Bruno do Serviço Social, representando a Associação dos docentes da Unirio, Adunirio, para fazer uma saudação e também repassar um informe da assembleia dos professores que ocorrida um pouco antes. No seu informe o professor Bruno retomou a greve de 2012 nas Universidades por salário, condições de trabalho, plano de carreira e que o modelo de Universidade que o governo implementa só precariza essas questões, por isso os professores estão retomando o seu movimento; aqui na Unirio os professores, seguindo o indicativo do Andes, aprovaram a paralisação pro dia 19/03, uma paralisação com mobilização e fez um convite aos estudantes presentes no debate para que estejam junto aos professores em defesa da Universidade pública, gratuita e de qualidade. A Maria dos Camelôs, pelo Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, abriu o debate comparando a situação de hoje do Rio de Janeiro com a situação de 2007 do pan-americano, que “a cidade vendida pelo Cesar Maia no Pan-Americano hoje é uma cidade vendida pelo Eduardo Paes e vai ser vendida nas Olimpíadas também”. Maria também problematizou a questão dos investimentos na Copa e nas áreas sociais, “a cidade não educação, não tem saúde, não tem saneamento e tem todo esse dinheiro público, que a população paga de imposto, sendo utilizado nessa Copa que não vai trazer benefício pra ninguém…”. A professora da Unirio, Clarice Gurgel, buscou na sua fala esboçar as razões pela qual as pessoas foram às ruas em junho do ano passado, indo contra a Copa do Mundo e também buscando dinheiro pra saúde e educação e também problematizar a palavra de ordem “Não vai ter Copa”. Clarice também falou sobre os riscos de irmos para às ruas desorganizados e termos que nos responsabilizar pelas ações desorganizadas que geram a narrativa de que os manifestantes são violentos e se desdobrou num processo de criminalização da ruas, dos fóruns, do próprio Freixo, etc. Por fim, a professora reforçou a importância da unidade nas lutas. Babá, professor da UFRJ, começou sua fala a partir das declarações do Romário, em entrevista recente, sobre a roubalheira da Copa e dos principais dirigentes da Fifa, CBF e da presidente Dilma. Babá comparou os gastos bilionários e as obras de diversos estádios caros, com as obras da Copa da África do Sul que viraram verdadeiros elefantes brancos e que só serviram para o lucro dos empresários. Problematizou também a questão da dívida pública, em que quase metade do orçamento do país é usado para pagar a dívida, enquanto que na saúde e educação são investidos apenas cerca de 4% e 3%, respectivamente; mas existe dinheiro pros gastos públicos na Copa e 1 bilhão de reais em “equipamentos de segurança” para conter as manifestações. Babá finalizou apontando que a única saída que nós temos são as lutas e as mobilizações. O deputado estadual do Psol, Marcelo Freixo, iniciou sua fala afirmando que não vê contradição entre a luta ocupada no parlamento e a luta dos movimentos nas ruas e que “é absolutamente possível e necessário ter mandatos e projetos que possam ter como principal tarefa o fortalecimento das lutas populares, das lutas sociais, não à toa a gente virou alvo como virou esse ano”; e que o mandato pode e deve ser instrumento para fortalecer as lutas e também construir uma alternativa, um outro projeto de cidade. Freixo falou sobre o projeto de negócios, de cidade commodities que tem no Rio de Janeiro para o qual é fundamental destruir qualquer capacidade de resistência a ele e associar as manifestações à crime organizado e terrorismo; e, por isso, é fundamental fazer uma legislação de terrorismo como essa, que a legislação da ditadura não chega aos pés dessa. E que a reafirmação da Copa, que é mais cara que existe com 25 bilhões gastos e maior parte de dinheiro público, tem a ver com esse projeto de cidade, de negócios. Freixo problematizou os gastos bilionários com diversos estádios e exigências da Fifa que encareceram as obras e manutenção desses estádios, enquanto se retira dinheiro da saúde e educação.

Mas a Calourada 2014.1 não terminou, ainda teremos um debate sobre a EBSERH e outro sobre a Criminalização dos Movimentos Sociais.
Na próxima quinta-feira acontecerá o segundo ato pelo Bandejão, às 14:00, no Jardim do CLA.



Fonte: DCE UNIRIO