Vamos à Luta combater o Machismo! #EuNãoMereçoSerEstuprada

Gabriela Araújo – Vamos à Luta UFU
Joice Souza – Vamos à Luta PA
Na última semana o IPEA lançou dados de uma pesquisa na qual 65% dos entrevistados concordam parcialmente ou totalmente com a afirmação: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. É um absurdo que ainda tenhamos um pensamento tão retrógrado que beira a irracionalidade. Esse pensamento encobre e muitas vezes legitima a violência que as mulheres sofrem todos os dias, dentro e fora de suas casas, reproduzindo um modelo machista de sociedade em que as mulheres não tem direito sobre o seu próprio corpo.
Esse tipo de mentalidade favorece a impunidade dos agressores, pois muitas mulheres ao serem estupradas deixam de denunciar o crime, por vergonha ou por sentimento de culpa. Não é a toa que o estupro é um dos crimes mais subnotificados do mundo. Em 2012, foram notificados 50.617 casos de estupro no Brasil, 22% a mais que em 2011. No entanto, estima-se que o número real de ocorrências seja até 10 vezes maior que o número de denúncias.
Se analisarmos o perfil dos casos notificados veremos que na maior parte dos casos, as vítimas eram crianças ou adolescentes e os agressores fazem parte do ciclo familiar ou de amizade das vítimas.  Ao nos deparar com os dados, somos acometidos por uma dúvida: será que as pessoas não perceberam, ate hoje, que mulheres usando burcas são diariamente estupradas? Em nenhuma hipótese a culpa do estupro é da vítima. O que causa um estupro não são as roupas de uma mulher, a origem está unicamente no estuprador e em sua cultura machista.
Aliado a tudo isso presenciamos um governo omisso. A presidente Dilma (PT/PMDB) é incapaz de colocar na ordem do dia os debates relacionados às mulheres e outros grupos de “minorias”, barrando projetos como o “kit anti-homofobia” nas escolas. Tudo para manter seus pactos com o que tem de mais conservador na politica. Foi também para agradar os setores conservadores que compõem sua base aliada que o PT preferiu indicar Assis Couto, deputado da frente contra o aborto, para a presidência da CDHM.
No Brasil, cerca de 15 mulheres são vítimas de feminicídio todos os dias. A Lei Maria da Penha, um importante avanço para as mulheres, não conseguiu diminuir significativamente esses números, pois não há investimento público necessário para sua aplicação.
A exploração sexual e o tráfico de mulheres também têm números alarmantes. Estima-se que hajam cerca de 131 rotas de tráfico de pessoas no país. E as zonas de prostituição e exploração sexual explodem em áreas próximas a obras do PAC ou da Copa do Mundo da FIFA. Em fevereiro de 2013, foi descoberto que cerca de 14 mulheres e uma travesti eram mantidas em regime de escravidão e cárcere privado em uma casa de prostituição próxima às obras da usina hidrelétrica de Belo Monte. A prostituição e a exploração infantil também aumentaram exponencialmente em Rondônia com a construção das Usinas de Santo Antônio e Jirau. O pequeno Distrito de Jaci Paraná se transformou em um mercado de sexo a céu aberto.
No país governado por uma mulher, milhares de mulheres são assassinadas agredidas, estupradas, traficadas ou empurradas para a prostituição todos os dias. E o que vemos de atitude por parte da presidenta é outro discurso quando algum escândalo vem à tona. O compromisso de Dilma, infelizmente, é com setores conservadores e com as empreiteiras e a FIFA, para os quais, os direitos das mulheres são uma afronta a Deus (no caso dos primeiros) ou a seus lucros (no caso dos últimos).
Em nossa sociedade, assentada sobre as bases do patriarcado, onde os homens detêm poder sobre tudo e principalmente sobre as mulheres, fomos privadas dos direitos sobre nós mesmas. Primeiro pertencemos ao nosso pai, depois aos nossos maridos e por fim ao Estado. Todos eles dizendo o que podemos ou não fazer de nossos corpos. Nossas roupas, curtas ou longas e até mesmo nossa nudez não são um convite ao estupro. Nosso corpo é de direito exclusivamente nosso. É tempo de ensinar os homens a nos respeitar e não a obedecermos. Somos homens, mulheres, gays, lésbicas, transexuais, travestis e tudo mais que quisermos ser. Nosso corpo é uma festa ao nosso dispor, ele é nosso e só nós temos direito sobre ele.