Majoritária da UNE aprova plataforma “chapa branca” no 62º CONEG da UNE

Balanço público do Vamos à Luta – Juventude Indignada

Há um ano aconteciam em diversas cidades os atos de junho de 2013, quando milhões foram às ruas para derrotar os aumentos das tarifas do transporte e reivindicar mais investimentos públicos em saúde e educação, questionando os gastos bilionários da Copa da FIFA. Esse ano, vivenciamos as greves e lutas dos trabalhadores no país inteiro: rodoviários, professores, servidores federais, metalúrgicos, metroviários, sem-teto, etc. O sentimento de indignação de junho continua presente e é papel da juventude apoiar os trabalhadores em suas lutas. É o exemplo que estão dando os estudantes da USP, Unicamp e Unesp, lutando junto com os professores e técnicos-administrativos contra o arrocho salarial do governo Alckimin (PSDB) e prestando solidariedade aos 42 metroviários demitidos.

Nesse contexto, que ocorreu em São Paulo, entre os dias 30 de maio e 01 de junho, o 62º CONEG da UNE, que reuniu os DCE’s, UEE’s e Executivas/Federações de curso. Infelizmente, o CONEG não refletiu nada dessa conjuntura. A direção majoritária da UNE (PCdoB/PT) jogou atuou para que esse fosse um espaço muito superestrutural, esvaziado, com pouca base de estudantes. Não à toa o local do evento foi alterado em cima da hora para dificultar a organização dos estudantes em participar do espaço. Embora acontecendo na USP, o CONEG não conseguiu refletir a greve geral e as mobilizações que acontecem na Universidade. A luta dos estudantes e da juventude em todo lugar passa por fora da direção majoritária da UNE porque já não tem confiança nessa direçãoeles que não tocam as lutas de apoio às greves porque defendem o governo Dilma que não negocia com as categorias em greve. A exemplo do DCE da UFF, dirigido pela majoritária, que atua junto com a reitoria para jogar os estudantes contra a greve dos técnicos-administrativos. A Oposição de Esquerda poderia ter jogado esse papel de levar pro espaço do CONEG a greve e o exemplo dos estudantes da USP, pois dirige o DCE. Também como uma forma de esvaziar o CONEG, a direção majoritária realizou na mesma data uma atividade da UEE-SP, que também reunia os DCE’s, para que os estudantes das universidades paulistas em greve tivessem que se dividir entre os dois espaços do movimento estudantil. 

 A plataforma da UNE e o papel da Oposição de Esquerda

O principal objetivo da direção majoritária da UNE nesse CONEG era aprovar na plenária final a plataforma da UNE para as próximas eleições. Uma plataforma chapa branca que não reflete as principais reivindicações daqueles que foram às ruas em junho, nem dos trabalhadores grevistas de agora. Uma plataforma para blindar o governo Dilma e, posteriormente, apoiar sua candidatura à reeleição. Isso não é novidade. No CONEG de 2010, também foi votada uma plataforma eleitoral proposta pela direção majoritária e a Oposição apresentou e defendeu uma outra proposta.

No entanto, diversos coletivos da Oposição de Esquerda (Jsol, Juntos, Rebele-se, RUA), apostavam na possibilidade de se apresentar e defender na plenária final desse Coneg uma plataforma única com o consenso entre todos os campos da entidade: majoritária, campo popular, oposição de esquerda. Ainda que no final das contas tenham sido apresentadas duas plataformas na plenária final do CONEG, uma da direção majoritária e campo popular e outra da Oposição, queremos discutir o que estava em jogo com aquela possibilidade de consenso.

É fundamental debatermos qual o caráter da Oposição e a necessidade de enfrentar a burocracia do movimento estudantil e o governo Dilma. Se essa é a necessidade prioritária para os coletivos que compõem a OE ou se a prioridade é tocar as lutas “comuns”, com uma entidade “unificada” atuando em consenso com todos campos e setores. Nós do Vamos à Luta entendemos que é errado diluir a OE na confluência com a majoritária da UNE e o campo popular. O que está em debate é qual o caráter da Oposicão? Se a Oposição tem que servir para derrotar a burocracia ou não; se é para ser oposição de esquerda ao governo Dilma ou não; se é para ser alternativa de direção ou é para consensualizar com a burocracia.

Entendemos que a razão de ser da Oposição tem que ser derrotar a burocracia que trai a luta dos estudantes em todos os espaços do movimento. Não é possível consenso sobre uma programa para os estudantes levantarem nessas eleições com a direção majoritária que, em São Paulo, esteve junto com o governo Haddad e contra as greves dos rodoviários, que diz que não há contradição entre a Copa, saúde e educação e chama a juventude pra ser voluntária da Fifa e restringe a meia-entrada.
Em todos os locais, as lutas e greves vem se dando cada vez mais por fora e contra as velhas burocracias pelegas encasteladas nas entidades, tanto na juventude, quanto nas greves dos trabalhadores. Foi assim na greve estudantil de 2012 que ocorreu por fora da majoritária e também é assim nas greves que vem acontecendo como garis no Rio de Janeiro e operários metalúrgicos em Niterói. Por isso, é importante que a Oposição esteja cada vez mais conectada com o sentimento de indignação da juventude, afirme um perfil próprio e combata a burocracia do movimento estudantil.

Entendemos que é fundamental que a Oposição reafirme o perfil que conformou nossa chapa no Congresso da UNE (Conune) de 2013: oposição de esquerda ao governo Dilma/ Temer (PT/ PMDB), oposição de esquerda à direção majoritária da UNE (PCdoB/ PT). É afirmando um perfil próprio, construindo pela base o movimento estudantil para derrotar o governo e a burocracia, defendendo as pautas levantadas em junho e apoiando as lutas dos trabalhadores que a Oposição poderá se constituir como uma alternativa de direção pro movimento estudantil. Por isso, o papel da OE agora é de levar o programa que defendemos juntos na plataforma própria para as lutas da juventude defendendo o rompimento com a política econômica neoliberal do governo Dilma e que os ricos paguem pela crise econômicaReforma Agrária com expropriação de todos os latifúndios e o fim do agronegócio; auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública com destinação desses recursos às áreas sociais, sobretudo saúde e educação e fim do superávit primário; fim da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF); uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores com revogação os leilões das bacias petrolíferas retomando o monopólio estatal; estatização das empresas que ameaçarem demissões e reestatização das empresas privatizadas; anulação da Reforma da Previdência; demarcação imediata de todas as terras indígenas e quilombolas e contra a retirada da Constituição federal do capítulo referente aos direitos dos povos indígenas; fim das isenções fiscais aos empresários do transporte; pela estatização do transporte público sob controle dos trabalhadores e com tarifa zero; defesa de uma educação 100% pública, laica, com a garantia do tripé, que reconheça e combata os preconceitos existentes em nossa sociedade; por uma política de expansão de vagas do ensino superior público, com garantia de investimentos suficientes para termos qualidade no ensino e estrutura adequada nas IFEs, a fim de se atingir a universalidade no acesso e o fim do vestibular; Pela democratização das administrações das Universidades, dando um maior protagonismo aos estudantes na construção do ensino superior, paridade nos órgãos colegiados de decisão, fim da lista tríplice e eleição direta para reitores e reitoras, diretores e diretoras e coordenadores e coordenadoras; Contra a militarização das cidades; fim das UPPs: para que o Estado esteja nas periferias com uma política de segurança pública com garantia de direitos; por uma saúde 100% pública, gratuita e de qualidade; em defesa do SUS, pelo fim das OS’s e fundações privadas; imediata abertura de concursos para todos os níveis da saúde; revogação do decreto da EBSERH; Fim dos subsídios aos planos de saúde privados.