Vamos à Luta com os trabalhadores em greve da Volks!

A Volks de São Bernardo (SP) enviou, no final de 2014, telegramas comunicando a demissão de cerca de 800 trabalhadores e informando que eles não voltariam ao trabalho no retorno das férias coletivas, no dia 06 de janeiro. Em um comunicado, a direção da empresa afirmou que além dos 800 demitidos, ainda haveriam 2100 funcionários excedentes. Em 6 de janeiro, dia do retorno ao trabalho, foram realizadas assembleias nos três turnos e os metalúrgicos decretaram greve por tempo indeterminado, decisão aprovada por unanimidade.

Essas demissões estão longe de ser um caso isolado, são parte de uma política orquestrada pelo governo Dilma (PT/PMDB) e os patrões, numa clara tentativa de retirada de direitos. Esta orientação fica clara com as medidas de restrição dos benefícios do seguro-desemprego e de direitos previdenciários, e também no corte de verbas de 39 ministérios, que visa deixar de investir cerca de R$ 22,7 bi neste ano de 2015. Na educação, apesar do lema do novo governo ser “Brasil: Pátria Educadora”, teve R$ 7 bilhões em cortes.

Também as centrais sindicais pelegas, como a CUT, a CTB e a Força Sindical, fazem parte dessa tentativa de aplicar a conta da crise nas costas dos trabalhadores e da juventude, pois defenderam, junto ao Ministério da Fazenda, a redução das jornadas de trabalho com diminuição dos salários dos trabalhadores, política que está na contramão da luta em defesa dos direitos trabalhistas que estão sendo retirados pelo governo.

Os bravos metalúrgicos da Volks vêm mostrando sua disposição de lutar e enfrentar as demissões. No dia 12 de janeiro, um ato histórico dos operários ocupou a via Anchieta. Participaram dessa manifestação, além dos trabalhadores da Volks, os da Mercedes – onde houve 244 demissões. No dia 15 de janeiro a greve chegou ao seu décimo dia, muito radicalizada, parando 100% da fábrica.

Com sua luta, os trabalhadores metalúrgicos dão o exemplo e mostram que é possível vencer, mas que para isso é necessário sair às ruas e enfrentar os governos e os patrões, assim como já nos mostraram greves históricas que aconteceram em 2014 como a dos garis do Rio de Janeiro, que teve uma vitória monumental, ou a juventude que foi se mobilizou em 2013 e derrotou no Brasil todo o aumento das passagens. Fica o exemplo dos metalúrgicos do ABC, assim como já temos o exemplo da juventude e trabalhadores que estão indo as ruas em dezenas de cidades para lutar mais uma vez contra o aumento das passagens dos ônibus.

É tarefa da juventude indignada que foi às ruas em 2013 apoiar todas as greves dos trabalhadores que estão lutando contra os ajustes, assim como novamente fazer grandes manifestações para derrotar o aumento das tarifas, pois somente com greves, atos e protestos poderemos sair vitoriosos e derrotar os ataques dos governos que são apoiados pelas burocracias sindicais e estudantis como a CUT e a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB – Kizomba/PT), que atuam para desmobilizar as nossas lutas e só se preocupam em defender o governo e garantir seus cargos na máquina pública.

É necessária a mais ampla unidade em defesa dos demitidos da Volks, e a organização conjunta de todas as lutas, greves, campanhas salariais e protestos contra o aumento das tarifas do transporte em curso, contra os ataques do governo Dilma, dos governos estaduais e municipais e dos patrões.