Mais uma vez o ano começa com reajuste das tarifas do transporte na maioria das capitais do país. Em muitas cidades já estamos pagando mais caro por um transporte cada vez mais precário e que coloca em risco a vida dos usuários, motoristas e cobradores. De acordo com uma pesquisa da FGV, no Rio e em SP, o tempo que o trabalhador precisa trabalhar para pagar apenas uma passagem, são os mais altos do mundo, demonstrando o absurdo que é o aumento da tarifa. Dessa vez, os governadores e prefeitos nem esperaram passar o calor das festas de final de ano, não só com medo de levantes contra o aumento da tarifa como os que ocorreram nas Jornadas de Junho de 2013, mas também porque a brutal crise econômica que há no país faz com que eles adiantem nas costas do povo a conta de suas campanhas eleitorais financiadas pelos empresários.
Unificar as lutas contra o tarifaço, o ajuste e a repressão
Está em curso um verdadeiro tarifaço com aumento dos juros, do combustível, da energia elétrica e das passagens do transporte: tudo isso como parte do pacote de ajuste operado nacionalmente pelo governo Dilma (PT/PMDB) que já começou seu segundo mandato atacando direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego, e cortando verbas das áreas sociais, como os R$7 bi a menos na educação pública. Dilma, governadores e prefeitos, do PT ao PSDB, estão unificados na aplicação do ajuste, no aumento das tarifas e na repressão aos protestos, como ficou claro no último ato que ocorreu em SP no dia 16 de janeiro, quando Alckmin (PSDB) e Haddad (PT) estiveram juntos para reprimir com gás, balas de borracha e prisão de manifestantes.
A poderosa greve dos operários da Volks em São Bernardo (SP) que conseguiu reverter as 800 demissões que haviam sido feitas pela patronal dá a toda classe trabalhadora e a juventude o exemplo de como resistir e sair vitorioso aos ataques dos governos e patrões. Por isso, é fundamental que, cada vez mais, a juventude se junte à classe trabalhadora, unificando a luta da tarifa com as greves – como as dos funcionários terceirizados em diversas universidades federais do país e dos servidores do DF – e campanhas salariais, como a dos garis e rodoviários no Rio. Exemplo disso é a proposta do DCE Unirio que convocou uma plenária unificada dos DCEs, CAs, DAs e movimento sociais do RJ para tirar uma agenda concreta de lutas no estado para barrar o aumento e as medidas de ajuste de Dilma, Pezão e Paes.
Repetindo Junho de 2013 é possível vencer
Nos dias 9 e 16 de janeiro, a juventude indignada começou a dar nas ruas a resposta contra o aumento. Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e em outras cidades, ocorreram grandes atos que demonstraram a disposição dos manifestantes de lutar até a tarifa cair.
Em SP, a proposta de “Passe-Livre Estudantil” de Alckmin e Haddad não iludiu a juventude, pois vem junto com um absurdo aumento da tarifa em R$0,50, deixando claro que o governo quer que os trabalhadores que usam o transporte público (muitas vezes familiares dos estudantes que terão o limitadíssimo “Passe-Livre”) é que paguem a conta mais uma vez. O Passe-Livre deveria ser custeado diminuindo o lucro absurdo dos empresários, porém, covardemente, os governos do PT e do PSDB optam por defender o lucro dos tubarões do transporte e atacar os trabalhadores que dependem do transporte público. Em BH, apesar da revogação do aumento de algumas linhas de ônibus no dia 10 de janeiro, a juventude segue mobilizada nas ruas para garantir a vitória total dessa luta.
No entanto, só é possível revogar o aumento e impedi-lo nas cidades onde ainda não ocorreu, massificando os atos como em Junho de 2013, quando os milhares que ocuparam as ruas no Brasil, fizeram recuar todos os governos que diziam que não era possível baixar as passagens dos ônibus, trens, metrô e barcas. Infelizmente, a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB-Kizomba/PT) está mais uma vez na contramão da batalha pela massificação dos atos, com o objetivo de blindar os governos compostos por suas siglas partidárias da responsabilidade pelo tarifaço, tanto que em São Paulo decidiram se retirar das manifestações e, sem a menor legitimidade das ruas, abrir negociações com o governo Haddad (PT).
Portanto, é importante que os fóruns ou plenárias convocadas pelo Movimento Passe-Livre, votem uma agenda nacional unificada de manifestações nas capitais e, nas cidades menores, datas que não coincidam com os atos das capitais, a exemplo do que foi tirado no último encontro convocado pelo MPL em Niterói. Também a partir desse exemplo, é necessário votar atividades de panfletagem em locais estratégicos que convoquem a população a participar dos atos e, além disso, votar trajetos que estejam taticamente a serviço da massificação dos atos, diferente do que ocorreu no último do Rio que foi da Candelária até a Cidade Nova, sendo que o trajeto Candelária-Cinelândia possui um potencial mobilizador muito maior.
Diante disso defendemos:
– Revogação do aumento das passagens retirado do lucro dos empresários do transporte!
– Basta de repressão aos manifestantes!
– Chega de caos e acidentes no transporte público! Pela estatização dos transportes públicos, sob controle dos trabalhadores e usuários, com tarifa-zero para toda população!
– Nenhum direito a menos para os estudantes e trabalhadores! Nenhum centavo a menos na educação pública! Barrar o ajuste de Dilma/Levy!
– Auditoria popular nas contas das empresas de transporte e suspensão das isenções fiscais!
– O rodoviário é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo! Fim da dupla-função nos ônibus! Por aumento de salário e condições de trabalho para os motoristas e cobradores!
– Qualidade também é pela vida das mulheres! Eu não sou Cinderela, por transporte de qualidade 24 horas por dia! Chega de ônibus, trens e metrôs lotados e assédio sexual e violência contra as mulheres nos transportes!