Com 2.470 votos, a Esquerda Unificada Derrotou o Governismo na UFMG

Na madrugada do dia 1ª de maio, Dia do Trabalhador, foram conhecidos os resultados das eleições para o DCE-UFMG: A Chapa 2 “Virada” (composta por militantes do Vamos à Luta, UFMG Sem Catracas (ANEL), Voz Ativa (UJR), Isegoria, UJC e com o apoio de outros coletivos e estudantes independentes) venceu com 2470 votos, contra 1765 da chapa Podemos (PT/Consulta Popular) e 1040 da chapa Pra Frente é Que se Anda (chapa de direita que contava com o apoio do PSDB).

Nos últimos dois anos o que se viu foi uma completa paralisia do movimento estudantil. Quando milhares de pessoas saíram às ruas em 2013 questionando o aumento das tarifas, a precarização da saúde e educação e responsabilizando os políticos do regime como Dilma, governadores e deputados, o DCE montou um palanque de professores governistas para acalmar os “ânimos” dos estudantes, dizendo que temos que tomar cuidado, pois se tratava de “manifestações de direita”. Ao passo que os estudantes tentavam ocupar a reitoria, contra a UFMG ser território FIFA, o papel cumprido pelo DCE foi sempre defender o Governo Dilma e desmobilizar.

Da mesma forma no combate a EBSERH, onde espontaneamente os estudantes se mobilizaram contra a privatização do Hospital das Clínicas, mas não contamos com o apoio real do DCE, que gastou menos de 100 reais nessa pauta e a secundarizou. Embora falasse muito sobre essa pauta, nada se avançou no combate as opressões, pois enquanto o governo continuava retirando verba do combate a violência contra a mulher, à gestão Pés no Chão nunca se manifestou contrário, pois o seu feminismo acabava na necessidade de defender o governo. Importante também destacar que embora nunca tenham de fato cumprido um papel importante na mobilização dos estudantes em defesa da Universidade, a última gestão do DCE se jogou na campanha de Dilma sendo um verdadeiro braço do governo na Universidade e agente direto do estelionato eleitoral contra o povo brasileiro. Essa política de defesa intransigente do Governo Dilma ficou nítida no material de campanha da Chapa 1 esse ano, onde não havia sequer uma linha sobre os cortes de 7 bilhões de reais da educação!

No final de 2014 o Governo Dilma anunciou um pacote de ajustes “necessários para equilibrar as contas públicas”, indicando Joaquim Levy, um banqueiro profissional para o Ministério da Fazenda e cortou 7 bilhões de reais da educação, deixando o lema “Pátria Educadora” apenas no discurso. Levy foi também o principal articulador das MP´s 664/665 e do PL4330 das terceirizações! A macropolítica se reflete diretamente na nossa realidade: na UFMG metade dos seguranças foram demitidos e dezenas de trabalhadoras da limpeza também, as bibliotecas fechando mais cedo, a possibilidade iminente de aumento do bandejão e o corte das bolsas demonstra que o ajuste atinge a juventude em cheio. O papel cumprido em dois anos de gestão governista, só desarmou o conjunto dos estudantes frente a essas dificuldades.

Na opinião dos militantes do Vamos à Luta e da CST/PSOL o resultado das eleições só foi possível devido à unificação da esquerda e da conjuntura propícia às lutas, não é mais possível ficar em cima do muro, ou apresentar propostas abstratas: é necessário organizar os estudantes para enfrentar os ajustes do Governo Dilma. Esse cenário ficou nítido na UFMG, onde a tal ”ameaça conservadora” se expressou apenas nos dois anos da gestão petista do DCE. Por isso reivindicamos o acerto da Chapa 2 de ter colocado o combate aos cortes e a independência do governo como eixo fundamental de nossa unidade programática.

O Vamos à Luta batalhou por essa unidade desde as últimas eleições, pois acreditamos que o caminho da vitória é o caminha da unidade programática da esquerda consequente. A Chapa 2 venceu em quase todas as urnas e nós estivemos na linha de frente de um vitória acachapante promovida pela estudantes do Campus Saúde e também no resultado histórico da urna da FAFICH, o principal reduto do PT na Universidade.

O que está dado é um cenário propício às lutas e diante da perseguição dos trabalhadores, como no caso dos garis demitidos do Rio de janeiro, ou a brutal repressão, como no caso dos professores do Paraná, é necessário que cerquemos de solidariedade nossa classe que luta contra os ajustes dos governos e patrões. Esse será o primeiro grande desafio da gestão Virada no DCE!

 

Mobilizar e unificar as lutas contra os ajustes do Governo Dilma! 

Todo apoio à greve dos Professores do Paraná!
Pela reintegração dos garis demitidos no Rio! Pelo fim da perseguição aos que lutam!