Na última semana o governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) anunciou um novo corte de R$8,7 bilhões no orçamento. Dilma e Levy, mais uma vez, passaram a tesoura na educação, retirando R$1 bilhão e totalizando um corte de R$10,2 bilhões no setor. Os cortes chegam, portanto, a R$80 bi e possuem uma única finalidade: garantir o superávit primário para pagar juros da dívida para os banqueiros. Ao mesmo tempo que a situação econômica piora, com aumento da inflação e do desemprego, se aprofunda a crise política do país: o governo tem apenas 7% de aprovação e a Operação Lava-Jato evidencia esquemas corruptos e prende políticos e empreiteiros, como José Dirceu (PT) e Marcelo Odebrecht. Além disso, a oposição de direita e o governo convocam manifestações nos dias 16 e 20/08: enquanto estão juntos aplicando o ajuste e saqueando o dinheiro do povo para enriquecer encenam que estão em lados opostos para disputar a chave do cofre nas eleições de 2016 e 2018.
Chega da educação pagar a conta da crise
O segundo semestre letivo não começará em 67 universidades federais. Os calendários acadêmicos estão sendo suspensos seja pela greve, como na UFRJ e na UFF, ou pela falta de dinheiro, como ocorre em mais da metade das federais mineiras. Nos hospitais universitários a situação também é grave, com falta de insumos básicos e fechamento de alguns setores, como na UFMG e UFU. Para os estudantes do ensino superior privado também há grandes dificuldades. O número de bolsas integrais do PROUNI caiu e, em um ano, os contratos aditados do FIES reduziram em 50%, além do recente aumento na taxa de juros para 6,5% ao ano.
Nos estados os governos dão a mesma resposta à crise. No RS, Sartori (PMDB) optou por parcelar o salário dos servidores para manter seu compromisso com os credores da dívida do estado. No RJ, Pezão (PMDB) cortou mais de R$500 milhões, aprofundando a precarização das universidades estaduais e os colégios estão sem receber verbas de merenda e manutenção há dez meses. No PA, Jetene (PSDB) quer implementar um modelo de privatização das escolas como se isso fosse resolver a crise generalizada da educação pela qual seu governo é responsável.
Eu acredito é na rapaziada: a greve é o caminho
Em todas as universidades federais do país, os servidores técnico-administrativos estão em greve e os professores fazem o mesmo, somando 43 IFES com a entrada da UFJF e UNIRIO nessa semana. Os trabalhadores de vários setores do serviço público federal decidiram parar: INSS, Judiciário, FIOCRUZ, saúde etc. Os estudantes estão em greve em nove universidades federais (UFRJ, UFF, UNIRIO, UFMS, UFGD, UFMT, UFG, UFPB, UFBA) e mostrando que a principal tarefa da juventude é de unificar a luta com os trabalhadores para derrotar o ajuste fiscal de Dilma e Levy.
Essa mesma juventude também não aceita a PEC 171 da redução da maioridade penal, pois sabe que o ajuste e a redução são parte de um mesmo pacote de maldades do governo e do Congresso Nacional para encarcerar adolescentes, em sua imensa maioria pobres e negros, que estão em situação de conflito com a lei por conta de uma crise social produzida pelos verdadeiros bandidos engravatados. Foi com esse sentimento que construímos a Plenária Nacional do Movimento Estudantil no dia 7 de julho durante a Caravana à Brasília que resultou em um Manifesto para uma Jornada de Lutas do dia 11/08, Dia do Estudante: Não à redução! Não aos cortes de Dilma na educação! Fazemos um chamado especial aos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e à ANEL para que retomem esse eixo construído no Manifesto, se joguem na realização das ações do 11A junto aos grevistas, evitando erros como o do Rio de Janeiro, estado que está sem convocatória de protesto para a data.
Nem 16 nem 20: a saída é nas greves e pela esquerda
Nós da Juventude Vamos à Luta (CST-PSOL) acreditamos que a mobilização independente dos trabalhadores e da juventude é o verdadeiro terreno de construção de uma saída pela esquerda por meio de um terceiro campo contra PT e PSDB. Por isso, não vamos aos atos do dia 16/08, convocados pela velha direita (PSDB/DEM), pois esse setor não é alternativo e, nos estados onde governa, também aplica o ajuste e tem na corrupção uma marca no modo de governar.
Tampouco participaremos dos atos do dia 20/08, que tem o objetivo de blindar um governo conservador e de direita, com argumentos de há uma “ofensiva conservadora” e um “golpe da direita” em curso propagados por organizações como o PT, o PCdoB, as direções da CUT, CTB, a direção majoritária da UNE e UBES e até mesmo por correntes do PSOL. Não existe um golpe em curso, pois o governo do PT, PMDB e PCdoB atendem ao principal interesse dos grandes empresários que é aplicar o ajuste para salva-los da crise. Uma hipocrisia completa de quem governa o estado do Maranhão ao lado do PSDB, como faz o PCdoB, de quem elogia as gestões dos tucanos na década de 90, como o fez Aloizio Mercadante (PT) e de quem governa com Joaquim Levy e Kátia Abreu.
É nesse sentido que convocamos o dia 11 de agosto como um dia independente, construído pelas organizações que estão na oposição de esquerda ao governo Dilma, com os lutadores e lutadoras, com os grevistas e com os estudantes que, além de não aceitar o ajuste fiscal dos governos, luta contra os cortes e contra a redução da maioridade penal do corrupto Eduardo Cunha, porque quer mais educação e menos cadeia. Só assim é possível construir uma alternativa política de esquerda que mobilize a classe trabalhadora e a juventude para ajustar os banqueiros e empresários, com auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública e destinação dos recursos do país para vida digna ao nosso povo.
