Construindo uma saída pela esquerda!
Desde a escolha de seus ministérios no começo do ano, Dilma (PT) já deixava claro que seguiria governando a serviço dos banqueiros, das empreiteiras e do agronegócio. Assim, Dilma e Levy articularam um plano de ajuste fiscal contra o povo trabalhador e a juventude, uma política aplicada também por governos estaduais e municipais do PMDB ao PSDB. Diversos cortes nas áreas sociais, sendo a educação, uma das áreas mais afetadas, com um corte que ultrapassa R$10 bilhões, o ataque aos direitos dos trabalhadores como o PPE (Programa de Proteção ao Emprego), a PL 4330 das terceirizações e as MPs 664/665, aprovadas com o voto dos parlamentares do PT e do PCdoB. Além disso, o Congresso Nacional capitaneado por Eduardo Cunha (PMDB) aprovou a PEC 171 da redução da maioridade penal, um brutal ataque à juventude, principalmente a pobre e negra, que é quem mais sofre com o ajuste fiscal de Dilma, governadores e prefeitos, com a retirada de direitos e a privação do acesso à educação e saúde públicas e de qualidade.
Entramos no segundo semestre de 2015 e as crises econômica e política só se aprofundam. O governo Dilma (PT/PMDB) amarga 65% de reprovação dos brasileiros e o PT está afundado nas denúncias da operação Lava-Jato. No início do mês de agosto, Dilma/Temer mostraram a incapacidade em aplicar o ajuste fiscal e entraram em desespero, tanto que a Federação da Indústria de São Paulo (FIESP), a Rede Globo, o presidente do Banco Bradesco e a Confederação Nacional da Indústria saíram em defesa da “governabilidade do planalto”. No mesmo sentido se posicionaram o New York Times e Financial Times. Em meio a esse caos, Dilma/Temer construíram um acordo com o presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB) para reverter a crise do governo e do Congresso. O documento “Agenda Brasil” prevê mais ataques aos trabalhadores e o povo, como o avanço das terceirizações, a ampliação dos cortes de verbas da saúde e educação, o arrocho salarial dos servidores e ainda propõe cobrança de taxas no SUS. Todas essas medidas para continuar pagando a absurda dividia pública aos banqueiros, que consome quase metade do orçamento do país.
Em meio a esses brutais ataques ao povo trabalhador e à juventude, ocorrem importantes mobilizações secundaristas como a da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC) no Rio de Janeiro, unificadamente com os servidores da rede, contra os cortes de verbas de Dilma/Pezão e prefeitos. Em Belém, mais de 700 jovens e trabalhadores da educação estadual saíram às ruas para denunciar a insegurança vivida dentro e fora das escolas; contra o plano de privatização das escolas pensado pelo governo do PSDB/PSD, hoje completamente sucateadas e sem condições de garantir um ensino e merenda escolar de qualidade; e também contra os cortes nos pontos de professores, levando a expressivos descontos em seus salários.
Essas mobilizações, passeatas, assembleias e plenárias de fóruns de organização dos estudantes secundaristas ocorrem pois sentimos no cotidiano os cortes de verbas: estrutura precária, salas de aula sem ventilador e ar condicionado, falta d’água, alteração do cardápio das merendas, falta de segurança e falta de professores que às vezes nos deixam meses e meses sem algumas matérias. Essa é uma realidade comum a maioria dos colégios do país que não nos dá outra alternativa senão lutar, mesmo muito vezes tendo que enfrentar o autoritarismo das direções escolares.
Enquanto os secundas estão ocupando as ruas, infelizmente a presidenta da UBES pousa sorridente para uma foto ao lado da ruralista Kátia Abreu: uma vergonha! Não é à toa que essas mobilizações secundaristas aconteçam totalmente por fora das direções das entidades estudantis como a AMES-RJ (UJS/PCdoB) e a UBES (UJS/PCdoB/PT). Essas juventudes que controlam as nossas entidades estão na contramão das nossas lutas, pois defendem o governo conservador de Dilma. É por que vão aos gabinetes reunir com os governos, assim como no dia 12 de agosto, quando foram a reunião da presidenta com os movimentos sociais, que tinha como objetivo central blindar o governo Dilma, diante de sua pior crise e impulsionar os atos do dia 20 de agosto. Mais uma vez a majoritária da UBES (PT/PCdoB) se mostra linha auxiliar do governo Dilma/Temer, estando na defesa de quem hoje aplica um brutal ajuste fiscal em cima dos trabalhadores e da juventude.
Por isso, a UBES precisa de uma nova direção que seja de oposição de esquerda ao governo Dilma, com independência política e radicalmente democrática. Uma direção que ajude os estudantes secundaristas em sua principal tarefa hoje que é derrotar a Agenda Brasil de Dilma/Renan e todo o conjunto do ajuste fiscal, ombro à ombro aos servidores públicos federais, apresentando uma alternativa que ajuste dos banqueiros, com o programa de suspensão e auditoria do pagamento da dívida pública. O 41º CONUBES precisa refletir esses debates e expressar a indignação dos secundas de todo o país em um plano de lutas que coloque os estudantes nas ruas para resistir a esses ataques. Essa é a batalha dos coletivos da oposição de esquerda na UBES e dos grêmios de luta em todo o país devem travar a serviço de fortalecer um terceiro campo alternativo frente à falsa polarização PTxPSDB: uma saída pela esquerda!
– Barrar o ajuste fiscal, a Agenda Brasil e os cortes do governo Dilma na educação!
– Os estudantes não podem pagar pela crise! Ajustar os banqueiros com suspensão do pagamento da dívida!
– Mais educação, menos cadeia! NÃO à PEC 171 da redução da maioridade penal! NÃO ao PLS 333/2015 de José Serra (PSDB) apoiado pelo PT que altera o ECA e amplia a internação no sistema sócio-educativo!
– Abertura de concurso público para professores!
– Merenda de qualidade para todos!
– Segurança de verdade nas escolas debatida com os alunos e a comunidade! Educação não combina com repressão e PM não é solução!
– Contra os planos de privatização como o do governo Jatene (PSDB) e as OSs na educação!
– Democracia nas escolas: eleições diretas para diretor e autonomia para a organização dos grêmios estudantis!
– Por uma nova direção para o movimento estudantil secundaristas de oposição de esquerda ao governo Dilma, radicalmente democrática e independente dos governos!
