Vivemos um momento histórico para a juventude brasileira. Desde o dia 10 de novembro, xs estudantes de São Paulo têm ocupado suas escolas para barrar o projeto de “Reorganização Escolar” proposto por Alckmin e seu Secretário da Educação Hermann. Enquanto escrevemos este boletim, quase 100 escolas já estão ocupadas. Além disso, em todas as regiões do estado, ocorrem manifestações contra a “Reorganização” e em solidariedade às ocupações. Vemos um imenso apoio da população aos estudantes, sejam pais dxs ocupantes, ou da vizinhança no entorno das escolas.
O projeto de Alckmin acelera o desmonte da educação pública
O projeto do governo estadual, atualmente, prevê o fechamento de 92 escolas e a divisão das atuais escolas em “ciclos” de ensino infantil, fundamental e médio. Ou seja, além das escolas que serão fechadas, a ideia de Alckmin é fechar turnos inteiros de centenas de escolas. Com essa medida, na verdade, o governo visa o desmonte da educação, pois serão fechadas milhares de salas de aula, aumentará (ainda mais!) o número de alunos por turma e deve provocar a demissão de muitos professores. Pelos cálculos divulgados, 311 mil estudantes serão afetados pela medida. Inicialmente, esse número chegaria a 1 milhão, mas Alckmin já recuou no projeto devido à força da mobilização dos estudantes desde os primeiros atos de rua. No fundo o objetivo é um só, cortar verbas da educação pública..
A precarização da educação pública é uma política de todos os governos
Assim como no estado de São Paulo, a educação vem sendo cada vez mais precarizada em todo Brasil. Neste ano, o governo Dilma cortou mais de R$10,2bi da educação. A grana falta, sobra para os banqueiros que aumentam seus lucros ano após ano. A resposta a estes cortes veio com uma fortíssima greve nas universidades, que durou mais de 100 dias. Alckmin não faz nada de diferente. Corta verbas da educação, nas escolas e nas universidades. Por isso, os professores fizeram 90 dias de greve. Esses fatos mostram como o governo PT/PMDB aplica a mesma política dos governos do PSDB, sendo absurdo que os burocratas governistas da direção da UNE e UBES ainda tentem blindar o governo Dilma e não falar do desmonte que existe na educação brasileira.
Vamos tomar o que é nosso! Ocupar todas as escolas até derrotar a “reorganização” de Alckmin!
É preciso fortalecer e ampliar as ocupações. Os estudantes têm enfrentado e derrotado até agora a repressão da PM e as tentativas da justiça de reintegração de posse, que foi obrigada a voltar atrás. O governo já está acuado e na defensiva. A força do movimento obrigou o governo a apresentar uma proposta na audiência pública do dia 19 de novembro, através de seu secretário de educação Hermann. Na verdade, a proposta do governo era uma tentativa de manobrar os estudantes parar ganhar tempo, pois suspenderia a “reorganização”, mas apenas por 10 dias e somente 48 horas após as desocupações de todas as escolas. Os estudantes não são bobos, rapidamente perceberam essa tentativa do governo, deram uma resposta clara: seguem ocupados e chamando mais estudantes a ocuparem suas escolas. É possível e preciso derrotar a “reorganização”. O apoio ativo dos sindicatos, DCEs, Grêmios Estudantis, é fundamental. Por isso, nós da juventude Vamos à Luta temos sido parte do apoio concreto visitando e ajudando no dia a dia das ocupações, divulgando ao máximo essa luta nas redes sociais e nos espaços que reúnam estudantes secundaristas como foi o Conubes, apoiando desde outras escolas do país, realizando atividades para discutir as ocupações. Achamos que a Apeoesp, a UNE e a UBES devem sair da semi-paralisia em que se encontram e jogar todo seu peso para o fortalecimento das ocupações. É importante também o apoio de movimentos sociais. Durante a quarta manifestação contra o fechamento das escolas, no dia 20, a direção do MTST declarou que “Vamos parar escolas, estradas, o que for preciso para barrar a medida. Mas se o governador fechar alguma unidade, vamos ocupar e pôr para funcionar”. Apoiamos essa proposta e propomos que os secundaristas e o MTST organizem uma plenária estudantil, popular e sindical para concretizar essa ação.
Por um comando estadual para fortalecer a unificação e coordenação da luta
Neste momento é fundamental o fortalecimento do Comando das Escolas Ocupadas, com representantes eleitos nas assembleias por escola. A participação de todas as escolas ocupadas neste Comando é fundamental para ampliar e fortalecer a mobilização. A luta se encontra em um ponto onde a unificação e coordenação se faz urgente. A participação dos estudantes que ocupam as escolas nos rumos e nas decisões do movimento será fundamental para vencermos. Não podemos aceitar que nenhum acordo seja feito com o governo por fora da decisão de assembleias das ocupações. Dizemos isso porque no dia 23/11 a direção da UMES (PPL) e da UBES (UJS/PCdoB) tentaram falar em nome das ocupações sem nenhuma consulta ampla aos estudantes em luta. Por isso é necessário estar alerta a este tipo de situação, fortalecendo pela base das ocupações a democracia na condução da luta.
Por Manoel Sousa – Juventude Vamos à Luta (Campinas) e Yago Medeiros – Diretor da UBES pela Oposição de Esquerda, publicado originalmente no nosso Boletim Nacional de novembro/dezembro de 2015
