RJ | A FAETEC não tá normal

Filipe Albérico, Gabriel Fernandes e Lais Gomes*

Na última semana o presidente da FAETEC Wagner Victer declarou a mídia que a situação das escolas técnicas estaduais do RJ estava normal. Depois desse absurdo a hashtag “NãoTáNormalFAETEC” virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais chegando ao segundo lugar dos tópicos mais comentados do Twitter com mais de dez mil tweets no dia 19/02. Estudantes da Rede denunciaram a situação precária na volta às aulas: ares-condicionados quebrados, falta de material didático e de itens de higiene, salas de aula caindo aos pedaços, turmas lotadas e várias unidades sem merenda.

A realidade das FAETECs que Victer e Pezão não querem mostrar

Em várias unidades, como no ISERJ, as aulas foram canceladas ou os alunos tiveram que sair mais cedo na primeira semana, pois sem receber seus salários, os terceirizados estavam em greve e não havia merenda. Na ETE Adolpho Bloch, esses trabalhadores tiveram que lutar muito – com apoio do Grêmio Estudantil e dos professores – para receber os três meses de salário e 13º atrasados. Lá o curso de Marketing não abriu novas vagas e, temporariamente, está sem alunos novos. Em vez da FATEC abrir concurso público, ela enxuga as unidades que tem mais professores os remanejando para cumprir a carga horária em outras escolas e, assim, acabando com cursos e projetos ou comprometendo seu bom funcionamento.

Na ETE Visconde de Mauá (onde não há mais merenda no turno da noite) o principal projeto que dava a oportunidade de jovens e adultos se alfabetizarem – o PROEJA – foi encerrado obrigando os alunos que não passaram para o próximo período à abandonarem a escola. Em Quintino a qualidade da merenda diminuiu e, na última semana, foi servido no almoço apenas arroz e ovo. E na última quarta-feira, na ETE Ferreira Viana, os alunos foram liberados, pois não havia almoço e estudantes denunciam que os professores estão tirando dinheiro do próprio bolso para oferecer material para as aulas.

Dilma, Pezão e Victer são responsáveis

Isso ocorre porque os governos Dilma e Pezão (PT/PMDB) estão aplicando um ajuste fiscal que já retirou bilhões da educação e eles ainda querem cortar mais. E Victer, ao mentir dizendo que a crise não está atingindo a FAETEC, é conivente com essa política. Mas enquanto isso, Dilma destina metade do orçamento do país aos banqueiros através do pagamento da dívida, Pezão concedeu um incentivo de R$38 milhões à Supervia e, ambos, junto com Eduardo Paes já gastaram R$39 bilhões com as Olimpíadas. Ou seja, sabemos que esse papo de “não tem dinheiro” para dar salário digno para os nossos professores e garantir a nossa educação de qualidade é o maior caô. E, além disso, também sentimos os efeitos desse ajuste fora da escola: as compras de supermercado ficaram mais caras, a conta de luz e o preço das passagens de ônibus, trem e metrô subiram e ainda tem o RioCard que volta e meia não funciona.

Em meio a todo esse caos há uma paralisia completa da AMES-RJ. A direção majoritária da AMES, formada pela juventude do PCdoB/UJS, fica calada. Não chamam sequer uma plenária de todos os grêmios do Rio de Janeiro, justamente porque tem rabo preso com os governos de Dilma, Pezão e Paes, responsáveis por essa situação.

Se a FAETEC não tá normal, nós vamos à luta

Com o exemplo das Jornadas de Junho de 2013 e dos estudantes de SP que ocuparam mais de 200 escolas contra o projeto do governador Alckmin (PSDB) que pretendia fechar centenas de colégios, está claro que somos capazes de derrotar o pacote de maldades que Pezão e Dilma impõem contra nós. Nossa indignação com a situação das nossas escolas precisa se transformar em luta organizando debates, assembleias e manifestações. Os professores e funcionários também estão insatisfeitos e podem seguir o exemplo dos professores da rede estadual que começarão sua greve a partir do dia 2/3 com um ato às 15h na ALERJ que devemos todos participar. Por isso, mais do que nunca é a hora da gente se unir: grêmios, estudantes, professores e funcionários com calendários de luta unificados contra a precarização da FAETEC e os cortes na educação.

*Estudante da ETE Visconde de Mauá, Presidente do Grêmio da ETE Adolpho Bloch e Ex-aluna da ETE Quintino – Militantes da Juventude Vamos à Luta RJ