Pré-tese ao Congresso de Estudantes da Unicamp

Entre os dias 14 e 19 de Outubro ocorrerá o Congresso dos Estudantes da Unicamp! Será um momento muito importante em que todos os/as estudantes poderão se reunir para debater profundamente a situação nacional, estadual os problemas da Unicamp e qual saída podemos apontar. Nós da Juventude Vamos à Luta estivemos em todos principais processos de luta da Universidade, somos de vários cursos das exatas, educação e licenciaturas, e queremos convidar você a construir esse processo conosco, debatendo idéias, opiniões e construindo esse processo!

Juventude: Linha de Frente contra o Governo Bolsonaro

A crise econômica mundial já dura mais de uma década. A receita dos governos capitalistas é uma só: descarregar nas costas dos trabalhadores e da juventude a conta da crise. No Brasil, o governo de extrema-direita de Bolsonaro/Mourão vêm bombardeando nossas condições de vida, aplicando ajustes como a Reforma da Previdência, os cortes de verbas da educação e seguindo a lógica do toma-lá-dá-cá que tanto criticavam. Desde as marchas de mulheres pelo #ELENÃO, o vira-voto no segundo turno das eleições, o 8 de Março, e o Tsunami da Educação a juventude provou que não aceitará os planos de Bolsonaro e Dória sem lutar!

Assim que o Governo anunciou os cortes de 30% das federais, a juventude se levantou em marchas multitudinárias, e não foi diferente na Unicamp. Nós, que construimos a atual gestão do DCE, passamos em salas, fizemos jograis e panfletagens para chamar a mobilização e a resposta não foi outra: lotamos as ruas de Campinas, e levamos 8 ônibus para São Paulo no dia 15 de Maio! Impulsionamos também o ato do 30M e organizamos a plenária da cidade: mais uma vez a resposta da juventude foi se levantar e lutar!
Estivemos também ao lado das trabalhadoras e trabalhadores nas paralisações e greves em 14 de junho, onde milhares cruzaram os braços e protestaram contra a destruição da aposentadoria impulsionada por Bolsonaro e Maia através da Reforma da Previdência. O 13 de Agosto, ainda que menor que os atos de maio, foi forte na cidade, com cerca de 5000 pessoas e vários cursos paralisados.

Foi nesse período que a popularidade de Bolsonaro despencou. Isso demonstrou que, mesmo uma parcela crescente de quem votou em sua candidatura, não está disposto a entregar seus direitos. É possível derrotar o governo!

Não ao Future-se e à Privatização da Universidade

Seguindo a agenda neoliberal, o Ministro Weintraub anunciou o programa “Future-se”, um ataque sem precedentes à Educação Pública. Essa proposta começa com a captação de dinheiro privado para as Universidades Públicas, e como “troca” a Universidade Pública tem sua gestão transferida para a iniciativa privada. A aprovação do projeto coloca em risco a autonomia Universitária, a democracia interna, o tripé ensino-pesquisa-extensão, permitindo além de tudo isso a contratação de servidores por OS’s – incluindo os professores -, não mais por concurso, e abre a possibilidade de cobrança de mensalidade.

A expectativa dos governos federal e estadual é lesionar tanto o orçamento público educacional que as universidades procurarem alternativas privadas, como o Future-se

A juventude da Unicamp que tanto se levantou no primeiro semestre, deve seguir mobilizada, porque a aprovação desse projeto na esfera federal será rapidamente importada pelo Governador João Dória para ser aplicada em todas Estaduais Paulistas!

Por tudo isso o Congresso dos Estudantes é instrumento fundamental que deve ser aproveitado para organizar a juventude e as lutas contra o Future-se, os cortes na educação e na CNPQ, os ataques a autonomia universitária e todo projeto Governo Bolsonaro/Dória!

Amazônia em Chamas

Nas últimas semanas também se intensificaram os debates sobre a defesa do Meio Ambiente, a partir do brutal processo de queimadas da Amazônia, levando a que centenas de milhares de pessoas fossem às ruas nos dias 24 e 25 de Agosto. Mas não é só a a Floresta que corre perigo. Bolsonaro liberou quase 300 agrotóxicos em 8 meses de Governo, envenenando não só o solo e a água, mas também toda população! Ele quis extinguir o Ministério do Meio Ambiente, e seguem as ameaças contra a Estação ecológica de Tamoios, o assassinato e ameaças aos Wajãpi e agressões aos demais povos originários. O projeto de Bolsonaro é entregar o país ao agronegócio, latifundiários e mineradoras, por isso exonerou o então presidente do INPE que anunciou o aumento das queimadas do país em 82% e agora persegue os órgãos de fiscalização ambiental. É necessário ocupar as ruas em defesa do Meio ambiente e construir a Greve Internacional do Clima, chamada para 20 de Setembro!

Bolsonaro e Dória: tirem as mãos da Unicamp!

Na Unicamp somos quase 35 mil estudantes entre graduação e pós, nos 3 campi, sendo que a Universidade é responsável 8% das pesquisas do país! Ou seja, temos um gigante potencial tecnológico e uma enorme responsabilidade social.

Ato do 30 de Maio em Defesa da Educação no Largo do Rosário, no centro de Campinas

Nossa Universidade tem seu passado repleto de grandes exemplos de resistência e luta em defesa da assistência estudantil, contra cortes e ajustes dos sucessivos Governos. A conquista da moradia só aconteceu depois que em 1986, quando ocupamos e transformamos o CB em casa por 2 anos; em 2016, tomamos a reitoria contra os cortes de verba, por permanência e por cotas étnico-raciais, numa greve forte que ficou na memória dos estudantes.

O fato é que o desmonte da Universidade Pública percorreu um longo caminho. Basta olhar a situação orçamentária das 3 estaduais: USP, Unicamp e Unesp. O Governador João Dória (PSDB) não investe os necessários 9,07% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), nas Universidades Estaduais, o que gerou um rombo de R$ 360 milhões em 2014. Além disso, descumpriu o acordo de aumentar os repasses quando construíram o campus da FCA (Limeira) e para completar usou a crise econômica como desculpa para cortar R$ 457 milhões da verba em 2015-16.

Todo esse montante tem apenas um destino: o pagamento da Dívida “Pública” estadual e os R$ 16,3 bilhões de isenções fiscais que São Paulo concede por ano ao agronegócio e megaempresários. Como vemos, não foram poucos os motivos para a greve de 2016. Houve dois pula-catraca no bandejão – um que expulsou o Santander da universidade, com seu RA-de-débito compulsório; outro contra o aumento de 50% no bandejão, que passou de R$2 a refeição para R$3, ou seja, de R$ 88 para R$ 132/mês em média.
O próprio reitor Knobel, efetivamente, opera os cortes de verbas via CONSU, perseguindo estudantes grevistas e descumprindo o acordo de construção da nova moradia.

O que já estava ruim, Dória quer piorar: O governador anunciou mais um corte em 2019, que chega a R$ 40 milhões na Unicamp. Esse corte está fazendo falta na assistência estudantil, na recusa de ampliar a moradia mesmo tendo sido uma conquista da greve de 2016, e no corte de horários do Intercampi.

O Reitor Knobel se coloca como defensor da Educação e democracia, então fazemos um chamado sincero: pare de perseguir os estudantes grevista e venha lutar ao nosso lado contra Dória! Essa é a essência do projeto, estandarte do governo de Jair Bolsonaro: privatização total.

Toda a luta que acumulamos demonstra a força que temos! Devemos nos preparar, com nossos CAs, DCE e quem mais se jogar na luta, para voltar às rua pelo Meio Ambiente, Educação e contra o Future-se; pressionar que as entidades nacionais do movimento estudantil e sindical, dirigidas pelo PT e PCdoB, façam o que é esperado delas: e organizem a luta contra o governo; combater as perseguições a estudantes e o projeto privatista da “CPI das Estaduais”, que visa criminalizar a ciência pública; e consolidar e efetivar as conquistas da luta: as cotas, as bolsas e a ampliação da moradia.

Os Estudantes precisam de uma Nova Direção

Esse momento exige a mais ampla unidade contra Bolsonaro. No entanto os setores que dirigem a UNE (entidade que deveria representar todos os universitários do país) (UJS/PT/LPJ) apostam nos métodos burocráticos e pouco transparentes para lidar com a entidade, atropelando a democracia estudantil. A defesa de nossos direitos é colocado em xeque quando a “oposição”, como a UJS/PCdoB, apóia Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara, ou quando os Governadores do PT no nordeste defendem que a Reforma da Previdência não apenas seja aprovada, mas que inclua os servidores estaduais e municipais. Pior ainda foi quando ocupamos as ruas dia 30 de Maio e a Presidente da UNE declarou que as marchas não eram “contra, nem a favor de Bolsonaro”.

A necessidade de construção de uma nova direção para o movimento estudantil segue atual, por isso defendemos:

  • Unidade nas ruas para derrotar Bolso-Dória

Esses governos precisam ser derrotados, e para isso é necessária a mais ampla unidade nas ruas. É urgente a construção de um calendário de lutas contra os ataques dos Governos à educação, a Reforma da Previdência e em defesa das pautas democráticas, contra o autoritarismo.

  • Unidade com a classe trabalhadora

Para fazermos um forte enfrentamento aos governos que estão aí é preciso uma forte unidade dos estudantes com a classe trabalhadora. Nós da Juventude Vamos à Luta apoiamos e nos solidarizamos com todas as lutas, greves, protestos e mobilizações das trabalhadoras e trabalhadores em defesa de seus direitos, contra a política de BolsoDória. Os trabalhadores são nossos aliados, não os patrões, reitorias e governos!

  • Não ao pagamento da dívida pública!

Todos os dias mais de R$2 bilhões são destinados à dívida pública e o enriquecimento dos banqueiros! Defendemos que esse dinheiro seja revertido para saúde, educação, um plano de obras públicas, lazer, esporte e artes. É preciso revogar a EC 55 (Teto de Gastos), que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais para garantir o pagamento da dívida pública.

  • Universalizar o ensino público

Acesso e permanência não são privilégios! É preciso lutar contra o projeto privatista de Bolso-Dória e em defesa da educação. Por uma Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade, com permanência e valorização dos professores e técnico-administrativos.

  • Mulheres contra Bolsonaro

A Primavera Feminista segue viva! Nós, que demos o ponta pé nas lutas contra Bolsonaro em Setembro, não podemos parar. Campinas tem taxas de feminicídios acima da médica estadual, e não existe delegacia das mulheres em Barão Geraldo.
É necessário lutar contra o assédio, a violência machista e pelo direito ao nosso corpo, com a legalização do aborto.

  • LGBT+ contra Bolsonaro

A cada 19h uma pessoa LGBT+ é assassinada no Brasil. Além disso apenas 10% das pessoas trans/travestis ocupam postos formais de trabalho, e o Presidente não tem vergonha nenhuma de destilar seu ódio contra nós! A decisão do STF de crimi-nalizar a LGBTfobia é importantíssima, mas ainda insuficiente. São necessárias ações de educação de toda população.

  • Negritude e indígenas contra Bolsonaro

Em 2016 conquistamos as cotas étnico-raciais na Unicamp, uma vitória importantíssima para o movimento estudantil. Bolsonaro, um presidente declaradamente racista e inimigo dos povos indígenas, atua em defesa dos latifundiários e mineradoras. É preciso combater o racismo estrutural e a falsa política de segurança pública que de fato significa o genocídio da população negra, ao mesmo tempo em que batalhamos pela demarcação das terras indígenas.

Datas importantes do CEU!

20ago-8set:
divulgação

9-22 set:
entrega de teses

23set-11out:
tiragem de delegados

14-19out:
congresso

veja a programação
na página do DCE