Avaliação do processo eleitoral para o DCE da USP

Avaliação da Juventude Vamos à Luta sobre o processo eleitoral para o DCE da USP.

Nos dias 27, 28 e 29 de maio ocorreu o processo eleitoral para o DCE da USP. Acreditamos que este processo, para além de definir a direção da entidade, deve cumprir o papel de politizar os estudantes e apontar o motivo dos nossos problemas e como resolvê-los, não apenas apresentar o problema e propor uma política sem mostrar como concretizá-la. E para nós, a resolução dos problemas da USP perpassa, necessariamente, pela mobilização que enfrenta a política da reitoria e dos governos, que deliberadamente escolhem não utilizar da verba presente em caixa, no estado ou no país para melhorar nossas condições de vida e de estudo. Por isso, colocamos desde o início do processo a necessidade do critério de independência para enfrentar o projeto da reitoria e do governo Tarcísio, mas também do governo federal Lula/Alckmin, que está em consonância com esses projetos, impondo uma precarização cada vez mais intensa à vida da juventude. 

Infelizmente, a eleição do DCE da USP não serviu à politização dos estudantes. Vimos, por parte da chapa “Reviravolta”, composta pelas juventudes do PT e UJS (PCdoB) o contrário: uma tentativa de afastar os estudantes e despolitizar o processo, através de um método violento de agressões a membros de outra chapa e de criação de confusões em urnas desfavoráveis para eles, a fim de impedir a votação dos estudantes, desviando o debate e a diferenciação política. Avaliamos que, lamentavelmente, a chapa “Fazer valer a Luta”, atual gestão, composta pelo Correnteza (UP), Juntos (MES – PSOL), Rua (Insurgência – PSOL), Afronte (Resistência – PSOL), fortalece essa despolitização, quando defende um discurso de “voto útil”, reduzindo a disputa eleitoral a duas chapas, dando mais enfoque aos fatos políticos do processo do que a política em si, na mesma medida que se abstém de citar e direcionar qualquer crítica ou exigência ao governo federal, como se o cenário da USP se reduzisse ao governo Tarcísio e estivéssemos isolados da política nacional. A verdade é que politizar o processo ficou em segundo plano em detrimento de levar o aparato e isso justifica, inclusive, o recuo da política para a composição da Juventude Sem Medo (Afronte e Rua), que hoje compõe o governo federal e apresenta uma política muito próxima a da majoritária da UNE: de blindar a nível nacional o governo Lula, não estimulando o avanço da luta estudantil ou a nacionalização da greve da educação federal. Apesar disso, esperamos que os companheiros travem as batalhas necessárias na direção da entidade e estaremos em unidade de ação nas lutas que surgirem. 

Outro elemento que favoreceu a despolitização do processo foi a dispersão das organizações que hoje compõem o campo daqueles que têm independência em relação aos governos. Uma unidade nos colocaria em melhores condições para disputar e politizar a eleição, mas o que vimos foi uma diferenciação entre as chapas em aspectos secundários, desviando o centro da disputa no debate e fortalecendo o cansaço dos estudantes em relação ao processo, com abordagens e passagens em sala que apresentam o mesmo programa e reforçam a falsa impressão de que “todas as chapas são iguais”. Acreditamos que devemos tirar lições desse processo em relação à unidade. Enquanto o veto e a autoconstrução forem priorizados em detrimento das necessidades do movimento estudantil, os estudantes seguirão se afastando do ME. Não queremos reforçar a falsa ideia de “picuinha”, que auxilia àqueles que querem desmobilizar os estudantes, queremos que os estudantes participem e tenham confiança na luta que propomos e, para isso, é fundamental que a autoproclamação seja deixada de lado e batalhemos de fato pela unidade dos que lutam com independência dos governos. 

Nesse sentido, achamos importante dialogar com os companheiros da UJC (PCBR), que compuseram a chapa “Disputar o presente, construir o futuro” e explicaram o motivo de saírem sozinhos em uma chapa citando apenas as organizações que compunham a antiga gestão do DCE, como se a unidade se restringisse a essas organizações, sem citar outras forças que, inclusive, fizeram um chamado para a composição unitária. 

Além disso, é necessário responder aos companheiros que compõem a chapa “Intifada”, que hoje reivindicam enquanto chapa da unidade e nos chamam a tirar as lições do processo e da “recusa” ao chamado de unidade dos setores que têm independência dos governos. Também vemos com importância que avancemos nesse debate para os próximos processos, mas é fundamental que acumulemos em relação às diferenças de perspectiva que temos que, na nossa perspectiva, atrapalham para o avanço dessa unidade. Em primeiro lugar, acreditamos que esse chamado deve ser ampliado. Os compas do “Já basta”, restringiram ao seu chamado nós, da Juventude Vamos à Luta, Rebeldia e Faísca, sem colocar a UJC, que hoje reivindica a oposição em relação ao governo (https://esquerdaweb.com/por-um-dce-anticapitalista-e-independente-das-burocracias-dos-governos-e-patroes/) . Os compas do “Faísca”, por sua vez, nem nos colocaram em seu chamado (https://www.esquerdadiario.com.br/Eleicoes-DCE-USP-Por-uma-chapa-de-oposicao-unificada-dos-setores-independentes-do-governo). Avaliamos que quanto maior a unidade, maior a possibilidade de chegar aos estudantes e ampliar a luta, por óbvio, sempre com o critério de independência. Por isso, acrescentamos esse chamado à UJC, Correnteza e Juntos. Além disso, é fundamental que apontemos que não recusamos o chamado de unidade e que a consequência da luta por unidade não se restringe a uma convocatória formal. Antes do início da eleição, soltamos um chamado para todas as organizações citadas aqui, apresentando nossa perspectiva em relação à conjuntura e a necessidade de uma chapa unitária (nota completa: https://vamosaluta.com.br/2024/05/06/construir-uma-chapa-de-luta-com-independencia-de-todos-os-governos-para-o-dce-da-usp/). Cenário que, infelizmente, não foi concretizado. Mesmo assim, seguimos na batalha até o dia da inscrição, denunciando o cenário de condução das composições de chapa através dos vetos e auto construção (nota completa: https://www.instagram.com/p/C6zFzpzpCh8/). Dado o cenário de dispersão das chapas já colocado, escolhemos compor a chapa “Acampamentos e barricadas”, junto com os compaheiros do Rebeldia. Para nós, não estava em debate compor a chapa que batalhou ou a que não batalhou pela unidade, porque nenhuma chapa de fato comprou essa batalha. inclusive, os camaradas da intifada, desde o seu chamado reduzido, até o método de denúncia do Faísca (MRT) às organizações com quem chama unidade, que se manteve, até mesmo, durante o processo eleitoral, em passagens em sala apontando a chapa “Acampamentos e barricadas” como igual à “Fazer valer a luta”, que hoje conta com a composição de setores governistas, ou então apontando que a chapa “Acampamentos e barricadas” apoia a polícia, o que é uma mentira. Acreditamos que essas posturas também devem ser revistas para que avancemos na unidade e apontamos que, da nossa parte, nunca houve ou haverá uma recusa a um chamado de unidade por parte das organizações que compuseram a chapa Intifada. 

Por fim, é essencial que façamos o diálogo com os compas do Rebeldia, com quem compusemos chapa unitariamente. Temos acordo que o método adotado pelo compas do Faísca atrapalha na construção da unidade, mas acreditamos que isso não pode se sobrepor à construção desta unidade, que é hoje a principal tarefa do ME para que avancemos na mobilização dos estudantes. Nesse sentido, nos somamos ao Faísca e Já Basta e chamamos os compas do Rebeldia a tirarem as lições dessa eleição e reavaliarem a recusa da unidade para processos posteriores. 

 

Estudante da USP, venha construir a Juventude Vamos à luta

Durante o processo eleitoral, para além de pedir votos, estivemos apresentando nossa concepção política para os estudantes. Somos uma organização nova na USP, chegamos neste semestre e, por conta do nosso tamanho, não conseguimos concretizar a política que defendemos. Por isso, chamamos você, estudante com quem conversamos, que comprou o nosso jornal, a ingressar nas nossas fileiras e fortalecer esse projeto que acaba de chegar à USP. Seguiremos batalhando pela unidade na USP e nos somando às lutas estudantis e dos trabalhadores. Procure a nossa militância para adquirir nosso jornal e reunir conosco!