SEGUIR O EXEMPLO DAS JORNADAS DE JUNHO E DA LUTA DOS GARIS

Mariana Trindade – Grêmio NPI -Escola de Aplicação da UFPA 
João Lopes – Grêmio UG – Escola Estadual Ulysses Guimarães 

 A situação política do país não é a mesma desde as jornadas de junho, essa que teve como um dos ápices o aumento da tarifa de ônibus na cidade de Porto Alegre, no RS, sendo combatida por meio da juventude e da classe trabalhadora no mês de abril. Em seguida as lutas contra os aumentos das passagens dos transportes coletivos e toda a política neoliberal do Governo Federal (PT/PMDB/PCdoB), dos supérfluos gastos com a Copa da FIFA e dos corruptos governantes dos estados e municípios se nacionalizaram, colocando milhões de jovens e trabalhadores em grandiosas manifestações Brasil a fora. Em março de 2014, em pleno carnaval carioca, milhares de garis resolveram cruzar os braços e construir uma das mais históricas e vitoriosas greves dos últimos tempos no cenário sindicalista nacional. Rompendo com a burocracia da direção pelega do sindicato que até então fazia as mesas de negociação às escuras com a patronal, a base da categoria obteve 37% no reajuste de seus salários, deixando-o em uma base de R$1.100; tíquete alimentação diário de R$20, que representa um aumento de 60%, e tantas outras conquistas que apenas com a mobilização e trabalhadores em atos de rua puderam tê-las e por a prefeitura de Eduardo Paes em xeque. 

 TODO APOIO À GREVE DOS METALÚRGICOS BRASA 

Desde o último dia 10/04 os metalúrgicos do estaleiro Brasa, em Niterói no estado do Rio de Janeiro, estão de mãos atadas em greve na luta por sua campanha salarial de 2014. O grande estouro para paralisação se concretizar foi o fato de a empresa ter anunciado o parcelamento do pagamento da Participação nos Lucros (PLR) e a Comissão de Fábrica não ter tido acordo com tal ação. Esta que está cumprindo o papel de agente negociador dos trabalhadores nas negociações com a patronal, pois a direção do Sindicato defende os posicionamentos da empresa e tenta frear a luta dos metalúrgicos de base. Vale frisar que o Estaleiro BRASA, de origem holandesa, está diretamente ligado à também holandesa SBM, que é a maior empresa do mundo especializada na construção de plataformas marítimas. Esta que é a mesma envolvida nos escândalos de pagamentos de propina para a obtenção de contratos de aluguel de navios-plataforma para a exploração do pré-sal. Isto é, a empresa tem dinheiro suficiente para, através de propina obter contratos de aluguel (serviços prestados mas que não são feitos pela mesma empresa), mas não tem para o pagamento imediato do PLR dos metalúrgicos e de sua campanha salarial em geral. Nos últimos dias 14 metalúrgicos dos quais alguns compõem a Comissão de Fábrica foram demitidos pela empresa por sua organização nas mobilizações na base da categoria, além de cortes de até R$500 nos salários de trabalhadores paralisados. É inadmissível esse tipo de atitude repressora para com aqueles que estão lutando por melhores salários, assim como o Governo Federal (PT/PMDB/PCdoB) reprime nas ruas as justas manifestações dos que buscam condições de vida social melhores. Greve é um direito constitucional e deve ser respeitado sem retaliações! É seguindo os exemplos da juventude em junho de 2013, dos garis em março e tantos outros que os de baixo conseguirão as suas reivindicações. Neste sentido, por entendermos a importância da luta dos trabalhadores metalúrgicos, declaramos todo o apoio à luta dos metalúrgicos do estaleiro de Brasa e exigimos que a Empresa abra o dialogo e negocie com os operários para a fim de solucionar os conflitos. 

Exigimos a abertura imediata das negociações por parte do estaleiro Brasa 
– Pela reintegração imediata dos 14 cipeiros demitidos 
– Nenhum desconto dos dias parados 
– Pagamento proporcional da PLR aos meses trabalhados de cada um. 
– Pelo reconhecimento da Comissão de Fábrica, como representante legitima dos trabalhadores do Brasa 

Todo apoio à luta dos metalúrgicos!!