Mariana Nolte – Vamos à luta UFF
Uma semana nada santa para os moradores da comunidade do Caramujo em Niterói que sofreram mais uma vez com a violência policial. Dois jovens foram assassinados: Anderson Silva, de 21 anos, foi baleado ao sair de uma vigília de Páscoa na Igreja e Emanoel Gomes, de 16 anos, foi atropelado por um “caveirão” do BOPE. “A gente que mora aqui se se nte na guerra”, afirmou uma moradora do Caramujo ao jornal O Fluminense. Indignados, centenas de moradores realizaram um protesto na tarde de sábado queimando carros e ônibus e paralisando avenidas importantes da cidade.
Rodrigo Neves quer reforçar violência nas comunidades
No ano passado, o grito “Cadê o Amarildo?” ganhou as ruas expressando a revolta com a desaparecimento do assistente de pedreiro Amarildo de Souza, torturado e morto por policiais militares da UPP da Rocinha ou o brutal assassinato da auxiliar de serviços gerais Claudia Ferreira. De lá pra cá, uma série de denúncias e protestos vem acontecendo em favelas da cidade do Rio de Janeiro, contra a ocupações militares das comunidades. O projeto da UPP implementado pelo primeiro mandato do governo Cabral e com apoio governo Lula demostrou que veio para intensificar a criminalização da pobreza e a repressão nas comunidades, caindo por terra o discurso de “guerra ao tráfico” ou “guerra às drogas”. A recente invasão das Forças Armadas ao Complexo da Maré, sustentada por Dilma e Pezão mostra que esse tipo de ação truculenta, que mais lembra os anos de chumbo de Ditadura Militar, está intimamente liga ao projeto de cidade dos ricos, dos gringos, e dos megaeventos das FIFA e do COI.
Ainda assim, o governo de Rodrigo (PT/PMDB/PCdoB), em parceria com o governo estadual, quer implementar a partir do próximo mês este mesmo modelo de segurança pública na cidade de Niterói. Para dar legitimidade a este projeto, a prefeitura convocou para o dia 10/04 uma marcha organizada por uma ONG presidida pela esposa do prefeito, coagindo os servidores da prefeitura a participarem do evento. Além disso, no dia 16/04, a prefeitura realizou, no Campo de São Bento, uma cerimônia de entrega de 50 armas de choque para guardas municipais. Segundo a própria prefeitura em matéria oficial do site (http://www.niteroi.rj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2207:2014-04-16-23-52-53) as armas devem ser usadas na atuação com usuários de drogas nas ruas.
A direção majoritária “Há quem sambe diferente” (UJS-PCdoB/PT) do DCE da UFF participou de uma reunião no dia 03/04 com a Prefeitura de Niterói na qual todo este projeto foi apresentado. Por seu atrelamento ao governo Rodrigo, não denunciam essa política e não chamam os estudantes da UFF a enfrentar a prefeitura por outro plano de segurança pública para a cidade.
Investir nas áreas sociais e desmilitarizar a PM!
Para pôr fim à violência nas comunidades e periferias é necessário acabar com a PM que mais mata no mundo, por isso lutamos pela desmilitarização da polícia, uma das pautas que ganhou as ruas durante e depois das Jornadas de Junho de 2013. Nas últimas semanas ocorreram fortes e vitoriosas greves militares nos estados do MA, PA e BA. Apoiamos a luta dos trabalhadores policiais por aumento de salário, melhores condições de trabalho e fim do tratamento desumano que impera na ditadura dos quartéis. Somos contra as perseguições que afetam as lideranças militares dessas lutas, como ocorre agora contra o Prisco da Bahia. A polícia é parte das forças armadas da burguesia e o braço armado do capital por isso apoiamos essas greves ao mesmo tempo em que exigimos que os militares de baixa patente se neguem a seguir sendo utilizados pelos oficiais de alta patente como instrumento de repressão nas favelas e nos protestos sociais.Também é necessário investir nas áreas sociais a nível federal, estadual e municipal, pois essa de fato é verdadeira política de segurança pública que necessitamos. Sem parar de pagar a dívida e deixar de destinar bilhões pra FIFA nenhum dos problemas sociais serão resolvidos.
Estamos ao lado da comunidade do caramujo em Niterói: queremos que suas reinvindicações sejam atendidas e os responsáveis por esse crime brutal sejam punidos.

