Vamos à luta pelo direito à moradia! Chega de remoções e extermínio do povo pobre!

“Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não”
Zé Keti


Quando a família real e a corte portuguesa chegaram ao Rio de Janeiro em 1808, muitas famílias receberam na porta de suas casas o carimbo “PR”, popularmente conhecido como “Ponha-se na Rua” que significava que, a partir daquela momento, as pessoas deveriam deixar suas casas para dar lugar à realeza. Pouco mais de um século depois, quem chega é a Copa da FIFA e, além dos carimbos e correspondências – quando estes aparecem –, chegam tratores, tanques de guerra, balas de borracha e balas de chumbo. Do príncipe-regente à presidenta alteram-se os sujeitos e permanece a lógica de privilégio da classe dominante em detrimento da classe dominada.

A Copa da FIFA chegou para acelerar e aprofundar a desigualdade social nas cidades de forma brutal, processo que se expressa com intensidade na cidade do Rio de Janeiro, a menina dos olhos do projeto privatista de cidade do governo “democrático e popular” de Lula a Dilma, aliados de Cabral/Pezão e Eduardo Paes. Em “parceria”, como a própria presidenta Dilma gosta de dizer, PT e PMDB, depois de orquestrarem a invasão militar do Complexo da Maré (30/03), despejaram na última sexta-feira centenas de famílias que ocupavam o prédio da TELERJ, atual propriedade da empresa de telefonia Oi e abandonado a décadas.
Impressionam as cenas de violência e repressão praticadas pela PM a mando do governo e do prefeito. No entanto, impressionam mais ainda a força e a resistência dos moradores da comunidade despejada, indignados com sua situação e conscientes da necessidade de lutar para conquistar seu direito à moradia. Em um vídeo uma trabalhadora questiona: “Se a Dilma tem dinheiro pra deixar o Rio de Janeiro bonito pro gringo por que ela não dá pra gente moradia”? Em outro  vídeo, um trabalhador afirma: “A gente só quer o nosso cantinho pra acordar e ser feliz. Dizer assim: ‘Eu tenho um teto’! Aí vem falar que o país é rico… É rico de que? De quê que o país é rico? É rico de pobreza. É rico só os magnatas. Nós somos pobres”.
            
O aprofundamento da crise econômica no país com aumento nos índices de inflação é combinado a um processo de absurda alta no valor do preço dos aluguéis, fruto da especulação imobiliária que cresceu na cidade com a realização dos megaeventos. Além disso, os serviços públicos estão cada vez mais precarizados, pela falta de investimentos nacional e estadual, baixa remuneração dos servidores e processos de privatização, como o das OS’s na saúde. Quanto mais o governo arrocha os salários, ataca os direitos, reprime e remove comunidades inteiras de seus territórios para atender os interesses da FIFA, dos banqueiros e dos empresários, maior é o efeito bumerangue que isso provoca. Enquanto o governo sofre este efeito, seus braços no movimento, como a direção majoritária da UNE (UJS-PCdoB/PT), atuam para salvar Dilma das críticas e enfrentamentos, reivindicando o falido discurso do “legado da Copa” e convocando a juventude brasileira a fazer trabalho voluntário para a FIFA.
            
Depois das Jornadas de Junho, quando a ação direta das massas nas ruas produziu conquistas concretas, nada foi e será como antes nesse país. Em 2014 já são incontáveis os números de greves nas quais a classe trabalhadora organizada com sua democracia e métodos de luta derrotou governos, patrões e direções sindicais burocráticas obtendo triunfos. É hora de seguir o exemplo dos sem-teto, dos rodoviários de PoA, dos garis do RJ e do ABC, dos militares do PA e MA, unificando as lutas por aumento de salário, redução da jornada e melhora nas condições de trabalho, por transporte público de qualidade com tarifa zero, por habitação popular e pelo fim das remoções, do extermínio do povo pobre e da militarização das favelas e acabar com os investimentos na Copa da FIFA e aplicar as verbas em saúde e educação.