Vamos à Luta com os sem-teto por reforma urbana!
Todo apoio as ocupações do MTST!
Mariana Nolte – Vamos à luta UFF
No dia 16 de janeiro, os shoppings Campo Limo e Jardim Sul fecharam as portas mais cedo alegando uma “medida de segurança”. O MTST convocou o “rolezão popular” em solidariedade aos jovens negros da periferia reprimidos pela polícia de Alckmin (PSDB) durante os rolezinhos. Mesmo proibidos de entrar nos shoppings, os trabalhadores sem-teto ocuparam as ruas da cidade gritando as palavras de ordem “Eu já falei, vou repetir, o ‘rolezão’ vocês vão ter que permitir” e “O povo na rua, Haddad a culpa é sua”! Além da faixa “Rolezão popular contra o preconceito”, denunciando o racismo e o apartheid social brasileiro, cada vez mais evidentes depois da perseguição aos jovens pobres que praticaram os rolezinhos, havia outra faixa à frente da manifestação dizendo “Todas as conquistas são consequências de uma luta”.
No dia 22/01 mais de 10 mil pessoas organizadas no MTST realizaram manifestação nos arredores do Palácio Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, encurralando Alckmin e conquistando vitorias como o aumento do aporte para projetos de moradia e apoio técnico para projeto habitacional na ocupação Vila Nova palestina e para a Faixa de Gaza.
Na manhã do último dia 27, no Distrito Federal, depois de ocupar a Secretaria de Transferência de Renda (SEDEST), os trabalhadores sem-teto impuseram uma derrota ao governo Agnelo (PT) conquistando um aumento no número e valor dos auxílios-aluguéis, além da regularização da ocupação de Planaltina.
As ocupações do MTST são um importante símbolo de resistência dos trabalhadores e dos setores explorados contra uma política de precarização da vida nas cidades aplicada pelos governos municipais, estaduais e federal. As Jornadas de Junho colocaram ainda mais fogo na pólvora de indignação das periferias, que se intensifica cada vez mais com a situação do transporte público, com as consequências nefastas das chuvas infinitamente maiores nos bairros populares, com o aumento no custo de vida que se expressa, principalmente, com o aumento acima da inflação da cesta básica na maioria das capitais brasileiras. Além da denuncia feita pelo MTST de que programas como o Minha Casa Minha Vida só fortalecem a lógica empresarial-imobiliária, já que as empreiteiras continuam especulando com as moradias. Outro problema criticando pelo movimento são os megaeventos como a Copa da FIFA e a Olimpíada que aceleram a dinâmica mercadológica que rege o capital imobiliário, tonificando o despejo de famílias, as remoções e o desperdício de recursos estatais com as empreiteiras e outras negociatas.
Nesse contexto é que ocorrem as mobilizações por habitação popular, contra o aumento das tarifas, contra a Copa do Mundo de Dilma e da FIFA e greves por aumento de salário e melhores condições de trabalho como as dos rodoviários em Porto Alegre (RS), dos profissionais de educação em Marabá (PA)e da guarda municipal em Jacareí (SP).
Apesar de estar claro que uma reforma urbana é mais do que urgente, os governos, com apoio dos seus braços jurídicos e militares seguem aplicando remoções de verdadeiros bairros populares, seja para atender aos interesses das imobiliárias, como na barbárie em Pinheirinho (SJC/SP) em 2012 ou para atender os interesses da FIFA, como na recente remoção da comunidade Metrô-Mangueira (RJ). Enquanto os moradores das favelas, comunidades e ocupações populares lutam por habitação, saneamento básico e mobilidade, o governo Dilma e a oposição de direita tucana estão juntos os reprimindo brutalmente e implementando um modelo de cidade-negócio que nada tem em comum com as reivindicações desses movimentos.
Como na palavra de ordem em destaque na faixa do ato em São Paulo, os trabalhadores sem-teto vem demonstrando que, por meio das mobilizações, é possível conseguir avanços em nossas pautas. O Vamos à Luta manifesta total apoio e solidariedade aos protestos e ocupações dos trabalhadores sem-teto em todo o país!

