PH Lima e Fernanda Muniz – Vamos à Luta
“A opressão não mais sujeitos
Somos iguais todos os seres
Não mais direitos sem deveres
Não mais deveres sem direitos”
A internacional
No último sábado, dia 18 de janeiro, ocorreu um rolezinho no Plaza Shopping em Niterói com a finalidade de repudiar e denunciar o racismo sofrido pelos jovens negros em São Paulo que foram violentamente reprimidos pela polícia e pelos governantes durante os encontros que foram organizados e marcados pela internet para os shoppings centers do estado. O rolezinho de Niterói também foi criminalizado por vários meio de comunicação burgueses e pelos empresários. O mesmo fizeram os governistas do PT e PCdoB que comandam a prefeitura de Niterói e sustentam os governos Cabral e Paes, numa tentativa de desmoralização.
Rolezinho em Niterói
Nosso grupo de jovens se reuniu em frente ao Plaza Shopping em Niterói revoltados com as claras expressões de racismo observadas nos eventos anteriores. Andamos por todo o espaço comercial cantando funk e palavras de ordem. Fomos impedidos (inclusive violentamente) de entrar em lojas, que se fechavam à medida que o nosso grupo avançava. Trabalhadores de diversas lojas aplaudiram discretamente os manifestantes e acompanharam tímidos os brados do grupo. Testemunhamos um menino preto, de aparentemente 10 anos, que acompanhava o grupo ser expulso de um banco na praça de alimentação por um dos seguranças do Plaza: “Levanta daí e mete o pé”, vociferou para a criança que, constrangida, levantou-se e afastou-se do local mesmo após os manifestantes saírem em sua defesa. Populares que se encontravam no local, sentindo-se contemplados pela causa, se somaram ao grupo. Fomos o tempo todo duramente reprimidos e escoltados, simplesmente por expressar nossa cultura e defender nossa cor. Ainda assim, a imprensa saiu em defesa dos interesses da burguesia, abafou todas as expressões favoráveis ao ato, distorceu os fatos com o claro objetivo de manobrar a opinião pública, criminalizando um movimento legítimo vinculando-o a “pautas políticas”, como se isso fosse argumento para diminuir sua importância.
Desde o início os rolezinhos são por natureza um ato de resistência e ocupação política dos espaços monopolizados pelas elites e objetivamente questionam a política dos governos Dilma, Haddad, Alckmin, Cabral, Neves, para a periferia, já que esta nos mantem excluídos. Por isso, a resposta que damos aos que tentam nos perseguir é: Sim, somos funkeiros, favelados, periféricos, capoeiristas, etc. e, acima de tudo, somos negros. Deste modo, nossa presença é a principal pauta política que reivindicamos, pois é ela a que mais incomoda as elites brancas dessa cidade, deste Estado e de todo o país. É por isso que nos removem das áreas nobres e é por isso que, apesar dos estádios da Copa do Mundo serem construídos com nosso dinheiro e por nós, trabalhadores, não poderemos assistir aos jogos.
Os que se surpreendem com negros gritando palavras de ordem contra a Copa racista da FIFA e contra as UPPs e o governo genocida do Cabral, fecharam seus olhos para todas as lutas que vem acontecendo nessa cidade/estado/país. Alguém lembra onde estão os desabrigados do Morro do Bumba? E o feirantes do Lago da Batalha? A mídia informa sobre sua situação? E os índios da Aldeia Maracanã? E a comunidade Metro Mangueira? E os trabalhadores removidos de Pinheirinho (SP)? Cadê os Amarildos? E os encarcerados no Maranhão: não lembram um navio negreiro? Francamente, elite branca: “Por que você me deu um tiro”? Palavras de mais um jovem explorado da periferia enquanto agonizava após ser vítima do disparo cruel de um PM em São Paulo.
Nenhum passo daremos atrás! Pelo fim do Racismo!
Na matéria do Jornal o Fluminense (21/01/14), assim como em outros meios de comunicação, as associações burguesas deixam claro o ódio que sentem pelos rolezinhos e declaram guerra aos negros e negras e aos moradores da periferia. Ao invés de reconhecerem o quão racista é sua atitude de fechar um shopping inteiro, assim como foi feito no Leblon, ou baixar as portas quando nos aproximamos de suas vidraças, os representantes das elites preferem debater a “REDUÇÃO DE SEU LUCRO”, como as supostas perdas que tiveram após a decisão que eles mesmos tomaram de fechar suas lojas. Além disso, os empresários vão exigir da justiça burguesa que os representa, além da proibição dos rolezinhos, a responsabilização jurídica dos organizadores pelo dito “prejuízo causado”, assim como ocorreu hoje no segundo rolezinho que ocorreu no Plaza Shopping, com uma grande mobilização de aparato jurídico e repressivo para impedir a entrada dos “rolezeiros” no espaço, com muita intimidação e truculência por parte dos oficiais de justiça. Ainda assim, o grupo de jovens se manteve lá fazendo uma intervenção com a frase “O RACISMO MATA” escrita na calçada e rodeada por velas.
Fica evidente que a discussão sobre o racismo e sobre o direito de “ir e vir” dos jovens negros e periféricos é rebaixado diante da ganância dos ricos donos de shoppings. Falam que o lucro da “casa das elites” foi reduzido em 50, 40, 30%… pelos rolezinhos. Mas não falam e nem vão falar de como alcançam tais lucros. Não vão falar de quanto sugam a nossa força de trabalho e muito menos da diferença de valores entre o que os trabalhadores vendem e o que recebem. Querem falar em lucro? Nós queremos falar em melhores salários! Não temos medo de suas ameaças! Mais uma vez os ricos querem colocar para os trabalhadores a conta de sua crise.

