Com a revolução Siria, contra Assad e o imperialismo!

Rana Agarriberri – Vamos à Luta MG

A Revolução na Síria, iniciada em 2011, é tema atual em vários espaços que tragam o internacionalismo à tona. Após quase três anos de guerra, quase 130 mil mortos e mais de 2 milhões de refugiados, o mundo se pergunta qual será o desfecho da intifada Síria. A esquerda também tenta definir o teor classista da Revolução e as soluções para o conflito.
Nossa juventude segue na trincheira da luta Síria, contra a ditadura de Assad e qualquer intervenção imperialista e por isso queremos polemizar com as visões de setores da esquerda que apoiam o regime Sírio com distintos argumentos. No caso do presente texto vamos abordar dois argumentos: a) aqueles que advogam que o Governo de Bashar Al Assad é progressivo frente ao imperialismo e os EUA estariam “desestabilizando” esse regime por conta de interesses econômicos no Oriente Médio e Norte da África; b) as correntes que defendem um papel progressivo da ONU num processo negociado que levaria ao fim da ditadura.
Ótimas relações com o Imperialismo
A crise econômica iniciada em 2008 ainda é forte e tende a se aprofundar nos próximos anos. Sem dúvida alguma, o Oriente Médio e Norte da África são regiões ricas e ninguém discute que o imperialismo estadunidense e Europeu tem interesses por lá. Porém, é um erro afirmar que Bashar representava um empecilho para o fortalecimento econômico do Imperialismo. Basta olharmos para os dados oficiais: após a chegada de Bashar ao poder (no início dos anos 2000), o número de pessoas vivendo na extrema pobreza subiu de 11%, para 33%! As medidas neoliberais permitiram o desmantelamento dos serviços públicos, um acelerado processo de privatizações, além de salários e postos de trabalho precarizados. A liberalização econômica fez com que a classe média entrasse em queda livre, as taxas de desemprego chegassem a 25%, alcançando 55% para aqueles com menos de 25 anos, além da intensificação da exploração intensiva de terras pelo agronegócio.
A família Assad sempre manteve ótimas relações com o Imperialismo, mesmo antes de Bashar. A realidade de exploração e miséria está na raiz da indignação popular que originou a revolução Síria. No ano de 2011, explodiram revoluções em todo Oriente Médio e Norte da África, além de radicalizadas manifestações contra os ajustes fiscais, pela qualidade nos serviços públicos e pela garantia dos direitos na Europa e América Latina. Todas as lutas com o mesmo pano de fundo: o aprofundamento da crise do capitalismo. A única saída para os grandes capitalistas é atacar os trabalhadores, e isso não é diferente na Síria! Tem a ver com a luta dos trabalhadores por melhores salários. Tem a ver com reverter a lógica do estado burguês. Tem a ver com reprimir os trabalhadores e juventude, que já não podem suportar tanta exploração! Tem a ver com sufocar uma rebelião popular que questiona as bases do sistema capitalista!

A quem serve a ONU?
A ONU é uma entidade do Imperialismo. Nações como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália são os maiores “doadores” das Nações Unidas. Sua historia é marcada por estrangulamentos à processos de lutas em todo o mundo! Voltemos aos anos 40, quando o exército de Hitler sofria derrota após derrota e as massas europeias contrárias ao nazismo, cresciam. Nesse período, Roosevelt, Churchil e Stalin se reuniram com o objetivo claro de frear as revoluções socialistas dos trabalhadores da Europa e de todo o mundo. O pacto criado após a Segunda Guerra originou a ONU, uma organização global dominada pelas potências imperialistas que deram um fórum institucional para acordos com a burocracia stalinista afim de conter as lutas no contexto da coexistência pacifica.
Recentemente, diante da intervenção Francesa no Mali (que o Governo de François Hollande não pôde esconder que tinha o objetivo de proteger os interesses das multinacionais francesas), a ONU aprovou a intervenção no seu “Conselho de Segurança”, enviando tropas juntamente com os franceses para sufocar a revolta social iniciada nos anos 80 e garantir o lucro da burguesia Francesa. Na Líbia, sua atuação não foi diferente. Após décadas de ditadura de Gaddafi, o povo líbio iniciou uma revolta, em que milhares foram mortos e feridos, massacrados com armas de guerra e inclusive ataques aéreos, que, longe de frear a rebelião, a dotou de um caráter insurrecional armado. O exército se dividiu, setores massivos formaram comitês populares revolucionários e se armaram para combater a ditadura. Quando o imperialismo percebeu que Gaddafi era indefensível, que a rebelião ocupava mais de 80% do país, ele se tornou um peso morto pelo qual já não valia a pena destinar esforços. O Imperialismo abandou Gaddafi, alegando defender a democracia e a liberdade, e, em 2011, a ONU votou a favor de uma intervenção na Líbia por meio de uma Zona de exclusão aérea. No mesmo ano, a OTAN bombardeou duramente a Líbia.
No Haiti, os efeitos do terremoto de 2010 se combinam com centenas de anos de colonialismo e saques imperialistas. A presença de tropas brasileiras e da ONU não melhoraram os principais problemas do povo. O país importa alimentos e os operários são obrigados a trabalhar por salários de fome para as multinacionais. A ocupação das tropas brasileiras e da ONU não apenas não resolveram os problemas, mas os agravaram, pois sua missão é defender as multinacionais, a pequena minoria de ricos e reprimir qualquer revolta popular. Em 22/12/2006, as tropas da ONU atacaram, à bala, uma mobilização que pedia o retorno de Aristide, assassinando 30 pessoas. Em 2008, diante das mobilizações que pediam aumento do salário, as tropas reprimiram violentamente o povo. A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, o Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas.
Por todo histórico dessa Organização, fica claro seu perfil e seu objetivo dentro da luta de classes, sendo absolutamente irreal, que ela seja utilizada como negociadora do conflito Sírio. No meio do ano de 2013, durante os ataques com armas químicas, a ONU ainda “estudava” de onde partiram os ataques e mesmo “se” havia ataques, mesmo já tendo ocorrido dezenas deles desde o início da Revolução, alimentando mais uma das longas “investigações sobre abusos”, na Síria. Desde o início da revolução Síria, a União Europeia impôs um embargo de armas, que apenas fortaleceu o Regime de Bashar, pois o embargo impede que os Rebeldes se armem; mas nada foi feito quanto ao apoio internacional que Bashar recebeu de vários países, dentre eles Rússia, Irã, China e Venezuela. Apoio político e militar que justifica a retomada de várias cidades, antes dominadas pelos rebeldes. Enquanto isso, os EUA continuam “armando” os rebeldes com medicamentos e equipamento de defesa, que não altera a correlação de forças, frente aos milhões investidos em Bashar, através de seus principais aliados.
A proposta da ONU ser protagonista de uma solução negociada parece irreal, mais irreal ainda é cogitar o recuo dos interesses imperialistas no Oriente médio e norte da África. Em hipótese alguma a burguesia recuará em seu domínio e exploração. Os fatos históricos provam sem deixar espaço para dúvidas, que ou os trabalhadores se unem para se libertar de suas correntes, ou serão inevitavelmente massacrados, pois a lógica da burguesia é o lucro a qualquer preço. O interesse do imperialismo é manter a classe dominante onde ela está, mesmo que tenha de saquear por décadas nações ricas em recursos aturais, explorar por séculos os trabalhadores e reprimi-los, se eles ousarem se rebelar contra os patrões. Como marxistas, sabemos que a única forma de garantir o recuo dos interesses imperialistas em qualquer país, é a mobilização, as greves, a auto-organização das massas e a Revolução Internacional dos Trabalhadores.