Repudiamos o ataque com armas químicas de Assad ao povo sírio!

Abaixo a ditadura assassina! Contra qualquer intervenção imperialista!
Rana Agarriberri – Vamos á Luta MG
Na madrugada de quarta-feira, dia 21 de Agosto, a cidade de Al-Ghouta foi alvo do mais brutal e impiedoso ataque, que o exército de Bashar Al-Assad já realizou. Utilizando-se de armamento químico, levou à morte mais de 1700 pessoas e milhares de feridos. As maiores vítimas foram crianças. Vários vídeos postados na internet revelam a crueldade do ataque da ditadura sanguinária do governo sírio, onde crianças se debatem agonizando. Ação desse tipo só remete aos crimes cometidos pelo nazismo e por regimes que atacaram com igual crueldade os direitos humanos.
Trata-se de uma medida desesperada que tenta derrotar a revolução, do mesmo modo como foi a contra-ofensiva militar das últimas semanas que só obteve sucesso pelo apoio militar e politico direto do Hezbollah. Tudo para tentar manter de pé uma ditadura que vem sofrendo derrotas para os rebeldes e perdendo apoio no movimento de massas.
Em Al-Ghouta, localizada nos arredores de Damasco, vivem hoje cerca de 1 milhão de pessoas, metade do que havia antes do início da Revolução, em 2011. Durante esse período a escassez de comida, combustível e armamento se intensificou. Grande parte da população passa o dia com apenas 2 refeições. Uma situação que já era dramática, conforme denuncias da União dos Estudantes Livres da Síria, agora piorou.
Nós do Vamos à Luta, somos solidários e apoiamos a luta da juventude e dos trabalhadores sírios que empunham armas nas mãos para derrubar o governo genocida de Assad.  Mantemos nosso compromisso de apoiar a revolução, conforme campanha das organizações presentes no ultimo fórum mundial da Tunísia.
Os ataques foram causados pelos rebeldes?
Há quem defenda que os ataques de quarta-feira foram obra dos próprios rebeldes, para justificar uma intervenção dos americanos. Como se os americanos ou europeus precisassem de qualquer tipo de desculpa para intervirem em algum país! Como se esses parasitas que exploram o mundo não tivessem invadido recentemente o Iraque e Afeganistão sem justificativa! Como se não fosse relatado mais de 50 ataques com esse tipo de arma desde o início da Revolução! Como se os rebeldes tivessem equipamento moderno para armazenar, manipular e empregar as armas químicas!
Repudiamos os agentes da contra-revolução no interior do movimento de massas que, mesmo após esse brutal ataque, seguem ao lado da ditadura e tentam justificar tudo o que faz o clã de Assad. Do mesmo modo repudiamos os governos ditos de “esquerda” latino-americanos, como na Venezuela e Bolívia, que apoiaram e apoiam as ditaduras no norte da África. Alguns dos quais o fazem por manterem internamente em seu próprio país ditaduras capitalista como o Partido Comunista Cubano.
Os rebeldes não tem nem sequer bases fixas, tão pouco armamento moderno, como os fornecidos pela Rússia ao ditador Assad! Parte dos grupos que combatem na Síria tem armas modernas devido ao financiamento do Qatar e Arábia Saudita, que tem claras intenções com o conflito na Síria, muito distintos dos princípios da Revolução, de democracia. A maior parte do Exército Livre da Síria utiliza armamento ultrapassado e mesmo assim sofrem para comprá-los devido ao embargo estrangeiro, fazendo com que o preço no mercado clandestino subisse absurdamente. O escasso armamento moderno que o ELS adquire é fruto de armazéns conquistados do regime, através de longas batalhas, que custam a vida de centenas, milhares de pessoas. Enquanto isso a ONU estuda pela milésima vez investigar o “suposto ataque com armas químicas”. Este organismo internacional mostra cada vez mais que é um covil de bandidos a serviço do imperialismo, cujas intervenções militares supostamente “humanitárias” são marcadas por todo tido de atrocidades. Assim ocorreu em muitos países na década de 90 ou na ocupação das tropas no Haiti (encabeçada pelo governo do PT) mais recentemente e em várias outras situações.
 A revolução vem avançando apesar das organizações majoritárias que estão a frente do ELS, que são burguesas. Avança apesar dos grupos que comandam as milícias melhor armadas, que são islâmicas. Avança pela força e radicalização das massas que decidiram se armar para enfrentar o regime autoritário e objetivamente se chocam com essas direções e concepções no interior do campo militar rebelde. Mais um motivo para que os jovens indignados do mundo interior se dediquem a apoiar a revolução síria e dentro dela seu setor mais avançado. 
Desmistificando a situação da Síria
O momento que a Síria vive certamente é um dos mais difíceis de sua história e a Revolução do povo Sírio surge como uma consequência da crise econômica mundial. É igualmente uma revolta contra o intenso avanço neoliberal imposto por um regime ditatorial, alimentado pelas instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
As medidas neoliberais permitiram o crescente desmantelamento dos serviços públicos no país, e o acelerado processo de privatizações, criados para beneficiar a burguesia ligada ao regime, levaram a qualidade de vida do povo ao chão. Os salários e postos de trabalho eram precarizados. Enquanto que a família Assad tinha acesso a todo tipo de serviço e bens de consumo (inclusive gostavam muito dos luxuosos produtos importados da Europa), enquanto 33% do povo vivia na extrema pobreza (ou seja, com menos de US$2 por dia), além de terem de conviver com um regime ditatorial de mais de 40 anos, que prendia, torturava e assassinava arbitrariamente a população!
O processo de liberalização econômica criou uma desigualdade cada vez maior. Os mais pobres não conseguiam sair de sua pobreza devido à falta de possibilidades de trabalho, e a “classe média” está em queda livre. As taxas de desemprego chegavam a 20-25%, alcançando a 55% para aqueles com menos de 25 anos (em um país onde as pessoas com menos de 30 representam 65% da população total). O percentual de sírios que viviam abaixo da linha de pobreza aumentou de 11% em 2000 para 33% em 2010, segundo dados oficiais.
Na agricultura, várias centenas de milhares de trabalhadores rurais do nordeste sofrem com a privatização da terra devido à seca, que não é simplesmente uma catástrofe natural, mas uma consequência direta do aumento e da intensificação da exploração intensiva de terras pelo agronegócio, tudo escondido e facilitado pela corrupção do governo local.
Todo apoio a luta do povo sírio! Lutar em memória de nossos mortos até a ditadura cair!

Pedimos o apoio de todos os lutadores sociais a luta do povo sírio. Apoiamos a revolução síria até a completa derrubada do regime e queda de Assad e contra qualquer intervenção imperialista. Isto necessariamente supõe dar respostas às reivindicações dos trabalhadores e dos povos: ruptura com as políticas neoliberais e os laços com o imperialismo, melhores salários, distribuição da terra, direito de autodeterminação para o povo kurdo, eliminação das discriminações étnicas, de religião e gênero, apoio ativo à causa palestina, etc. Isso significa a luta pela construção de um governo operário e popular. A juventude indignada do Vamos à Luta apoio incondicionalmente esta causa.