Diego Souza, Nilton e Raquel – Comissão de estudantes da escola T2
Eduardo Protázio – Juventude Vamos à Luta PA
No dia 24 de março, em paralelo ao início da greve da educação do Pará, para a surpresa de estudantes, servidores, pais e responsáveis da escola estadual Tiradentes II (T2) o governo do Estado (Simão Jatene/PSDB), por meio da SEDUC, deu uma ordem de despejo do atual prédio que abriga a escola. O principal motivo para tal ordem era o não pagamento de 21 parcelas de aproximadamente R$ 17 mil do aluguel do prédio, equivalente a um ano e nove meses.
Hoje o T2 ocupa uma posição de destaque nos rankings de educação estadual e na região norte do país, pois teve a melhor nota no ENEM de 2014 entre as escolas públicas e há retrospecto considerável nos índices de aprovação nos vestibulares de universidades públicas do Pará.
Contudo, a atual situação da escola não condiz com os esforços dos professores e o sucesso dos estudantes. Isso porque de modo geral a escola se encontra sucateada, com algumas salas de aula que alagam quando chove devido infiltrações na laje do prédio, salas com vidros quebrados, banheiros precários, falta de manutenção nos aparelhos de ar condicionado, sendo que alguns estão quebrados, número insuficiente de computadores na sala de informática, não há auditório na escola, quando chove a quadra de esportes também alaga, falta merenda escolar e a parte elétrica também é antiga.
Além disso Jatene extinguiu o projeto Mais Educação. Uma ferramenta fundamental para a manutenção dos jovens na escola, já que eram realizados projetos de arte, como grafite e fotografia; esporte e dança; além de aulas de reforço em matemática, português e física. Todo este processo que ocorre na escola Tiradentes II e em muitas escolas do estado é parte da política de ataques e cortes de verbas que partem do governo Dilma (PT/PMDB) e é aplicada por Jatene no Pará, sucateando a educação pública.
Por toda essa política de ataques e desvalorização da escola e da educação em geral é que o Tiradentes II se tornou símbolo de luta, resistência e mobilização. Isso porque após a tentativa de Jatene de despejar alunos e servidores do prédio, imediatamente os mesmos se organizaram em torno da escola em atividades culturais como exibição de filmes, música e debates políticos, fortalecendo mais e mais o movimento.
Atual situação da escola Tiradentes II
Após reunião com parlamentares da ALEPA uma comissão de representantes da escola recebeu o compromisso do presidente da casa, Márcio Miranda (DEM), e a informação de que o proprietário do prédio aceitaria ceder o local para abrigar a escola Tiradentes II, por mais alguns meses, com as seguintes exigências: que se aumentasse o valor do aluguel e que fosse feita a reforma do mesmo.
Sabemos que não dá pra ter confiança diante das repostas dos deputados que são base de apoio do governo Jatene, pois têm acordo com a mesma política de ataques e sucateamento da educação do estado. Fato isso é que a greve dos trabalhadores da educação está forte e pressiona o governo por reformas das escolas e uma educação de qualidade. A greve tem sido uma luta dos trabalhadores e estudantes. Portanto devemos estar atentos e pressionar cada vez mais para que se cumpra com o prometido. Além disso, é preciso garantir a manutenção do prédio atual para que continue comportando a escola Tiradentes II. O governo pode muito bem desapropriar o prédio, pois este cumpre um papel social, coletivo, dentro de uma comunidade. Só a união e mobilização de trabalhadores e estudantes poderá reverter a atual situação da escola e derrotar a política de Dilma e Jatene.
É neste cenário que greve da educação completa um mês e se mantém forte, com o apoio de famílias e estudantes, contra os desmandos do governo do Pará. Nós da Juventude Vamos à Luta apoiamos esta luta, pois só a união e mobilização de trabalhadores e estudantes poderá reverter a atual situação da escola e derrotar a política de ataques de Dilma e Jatene.
