Oirã Ferrer*
Mais de 90 mil estudantes brasileiros, bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), receberam por e-mail a notícia de que o programa sofrerá um corte de 50%, podendo chegar a 90%, o que afetaria o pagamento das bolsas e a continuidade das atividades já a partir de julho. O PIBID, que é vinculado à CAPES, tem como objetivo qualificar a formação dos estudantes das licenciaturas a partir da construção e participação de projetos nas escolas, envolvendo professores e estudantes do ensino superior e do ensino básico.
Os cortes de R$9,4 bilhões e de R$1,8 bilhões do governo Dilma (PT/PMDB) na educação e na pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação impactaram em de R$750 milhões a menos na CAPES, que além do PIBID, financia diversos outros programas. Além disso, é fundamental dizer que o déficit de assistência estudantil com falta de bandejões, moradias, passe-livre etc. faz com que programas como o PIBID sejam muitas vezes a principal fonte de renda de diversos estudantes, ainda que as bolsas tenham o reduzido valor de R$400,00 sem nenhum reajuste desde 2012, quando a greve estudantil conquistou um aumento na verba do PNAES.
Mais uma nota zero para a “Pátria Educadora”
Isso ocorre em meio ao fortalecimento da greve das universidades federais, com 100% das federais em greve de servidores técnico-administrativos e 36 com greve docente. A “Pátria Educadora” de Dilma mostra mais uma vez a que veio e, não à toa, o governo federal tem hoje apenas 10% de aprovação. Essa cartilha, que também é aplicada pelos governos tucanos a nível estadual, como o de Beto Richa (PR) e Alckmin (SP), está agora atingindo um dos poucos programas do ensino superior que faz uma ponte com a educação básica.
É escandaloso que o governo, ao mesmo tempo que anuncia esses ataques à educação pública e enrolarem os docentes e servidores em greve, anuncie o aumento de 20% dos recursos para o agronegócio de Kátia Abreu (PDMB), R$8 bilhões para a construção do “Parlashopping” de Eduardo Cunha (PDMB) e mais dinheiro para os banqueiros através do pagamento da dívida pública.
Mas também é escandaloso que até hoje a direção majoritária da UNE, composta pelas juventudes do PCdoB/UJS e do PT, siga optando por blindar a responsabilidade do governo e até hoje não ter feito um chamado ao movimento estudantil se unir ao ANDES e a FASUBRA contra o ajuste e os cortes.
Se a situação é grave, a solução é fortalecer a greve
Em última instância, nossa luta tem o objetivo de manter as universidades públicas abertas porque, se depender da nova direita governista e da velha direita tucana, o dinheiro que deveria servir para educar a juventude irá todo para salvar os banqueiros, empreiteiros, latifundiários, reacionários e corruptos da crise econômica. O agravamento acelerado da crise das federais, com demissões de terceirizados, estrutura precária e falta de materiais básicos desde tinta para impressoras até gases nos hospitais universitários, coloca a greve geral das federais unificada como uma necessidade cada vez maior.
Não à toa, o exemplo da UFRJ, a maior federal do país, onde os estudantes e servidores estavam em greve e ajudaram a derrotar a ala governista e privatista dos docentes que tentava impedir a greve, está arrastando mais universidades a aprovarem a adesão à greve e indicativos.
O ataque aos estudantes do PIBID é a cereja do bolo. Por isso, nossa fúria com esses cortes tem que se transformar em combustível para fortalecer a construção da greve da educação paralisando todas as atividades. Vamos ocupar as ruas até derrotar de vez o pacote de ajuste fiscal de Dilma e Levy que precariza cada vez mais a vida da juventude e da classe trabalhadora. Que esse ajuste fiscal vá embora e o PIBID fique!
Assine o abaixo-assinado: https://goo.gl/AGWp1D
*Bolsista PIBID de Ciências Sociais da UFF e militante da Juventude Vamos à Luta e da CST-PSOL
