12º Congresso da UEE-SP: a crise do governismo em meio ao desmonte da educação promovido por Dilma

Nos últimos 13 anos a marca da direção majoritária da UNE e da UEE-SP tem sido a defesa das políticas do governo federal e o imobilismo para lutar em defesa dos estudantes. Porém está cada vez mais difícil para a UJS e para a juventude petista, que compõe o campo majoritário da entidade, defender o governo. Dilma Rousseff e seu Ministro das Finanças Joaquim Levy aplicam um duro ataque à educação cortando mais R$9 bilhões de seu orçamento. Isso se desdobra em uma crise generalizada para os  estudantes das universidades, tanto públicas, que sofrem com um sucateamento nunca visto, quanto privadas, que tiveram o orçamento do FIES cortado.
Em meio aos ataques de Dilma, em São Paulo, Haddad, juntamente com Alckmin aumentou a tarifa do transporte público e reprimiu manifestações da juventude no início deste ano. Assim sendo, a opção da majoritária da UEE foi de cancelar a maior parte dos espaços de debate político, inclusive a que contava com a participação do prefeito Haddad, para evitar as críticas que viriam da oposição de esquerda.
O fracasso da política dos gabinetes
Esse setor que compõem a majoritária, não consegue explicar o porquê a UEE não estar mobilizando a juventude para os principais processos de luta que a ela vem protagonizando, como a luta contra o aumento das passagens, onde enquanto 20 mil estudantes estavam na rua nas ruas de São Paulo, a UJS preferiu as negociações nos gabinetes da prefeitura. Ou o porquê não puxa uma campanha de solidariedade às universidades federais que estão fazendo uma importante greve nacional e que ganha mais força com a entrada da Unifesp essa semana. Prefere aparecer nas fotos sorrindo ao lado da presidenta Dilma a estar mobilizando para fortalecer esta greve que enfrenta os cortes de verbas promovidos pela agenda neoliberal do governo petista.
 
As mentiras da “Onda conservadora”
Para iludir a juventude, a UJS com os setores do PT se apóiam na tese de que há uma “onda conservadora” em curso no país, como forma de “unificar” os setores “de esquerda”. Para melhor Dilma aplicar os ataques contra os trabalhadores e a juventude e desmontar a educação brasileira “em paz” os governistas dizem que temos que nos unificar contra uma suposta “onda conservadora”. Não há nada mais neoliberal e conservador do que o ajuste defendido pelo PCdoB e pelo PT, que vem retirando direitos trabalhistas e desmontando os serviços públicos para encher o bolso de banqueiros e grandes empresários.
Acreditamos que falar em “onda conservadora” em um momento onde vemos a juventude e trabalhadores lutando cada vez mais para garantir seus direitos é uma mentira construída para que não aconteçam lutas à esquerda que se enfrentem com os governos petistas. Não achamos que seja conservador a greve nas federais onde se luta contra os cortes de Dilma, nem a luta contra o aumento nas tarifas. Portanto, acreditamos que a saída pela esquerda é fortalecer as lutas que estão em curso no país, se enfrentando com os governos.
A  Oposição de Esquerda no Congresso
A Oposição de Esquerda teve um papel importante, com 93 delegados no Congresso. Nas mesas onde atuou, criticou o ajuste fiscal, se vinculando aos principais processos de luta. A participação do deputado estadual Raul Marcelo pelo PSOL e do coletivo Juntos pelo DCE da USP foram essenciais para fortalecer esse campo.
Porém, é necessário refletirmos sobre a carta de “consenso” proposta pela UJS e aceita pela maioria das correntes da oposição de esquerda onde se falava centralmente que havia uma onda conservadora encabeçada pelo PSDB. Ou seja, uma carta que servia para livrar a cara do governo Dilma, e portanto não poderia de forma alguma ser aceita pela oposição de esquerda. Achamos que foi um erro dos maiores coletivos da Oposição de Esquerda como o Juntos e o Rua, consensualizar essa carta com a UJS e com os petistas. A tática do governismo é de buscar amansar os setores combativos da esquerda para que não ocupem os espaços onde eles têm cada vez mais dificuldade de controlarem. Assim, tentam de toda forma nos convencer de que há diferenças de fundo entre PSDB e PT e que para não fortalecer a velha direita, devemos “pegar mais leve” nas nossas críticas ao PT. Não vemos dessa forma. O que Alckmin faz em nível estadual é exatamente o que Dilma faz em nível federal. Como disse Luciana Genro: são irmãos siameses. Por isso, não há como criticar um lado e poupar o outro.
Vitoriosa participação do Vamos à Luta SP!
O coletivo Vamos à Luta fez sua primeira participação no Congresso da UEE de São Paulo. Participamos do congresso com o nosso perfil radical, de luta e intransigentemente anti-governista, já demonstrado no CONUNE. Marcamos presença na mesa de conjuntura, onde apontamos a necessidade de se derrotar tucanos e petistas novamente, como fez a juventude em 2013 passando por cima da direção da UEE e da UNE e levantando pautas, como o aumento do repasse do ICMS para as estaduais e também a necessidade de nos solidarizarmos com a greve nas universidades federais, fortalecendo assim a construção de uma greve geral ao lado dos trabalhadores. Participamos também do ato contra a maioridade penal, mostrando que a juventude não precisa de mais punição e sim de mais educação, por isso a luta contra a redução deve se vincular à luta contra o ajuste fiscal que aprofunda o caos social no país.
Na plenária final, nossa bancada polarizou, em conjunto com os outros coletivos da Oposição de Esquerda, nas palavras de ordem que denunciavam os ataques dos governos Dilma e Alckmin e as traições da majoritária UEE. Em nossas defesas, colocamos que há uma unidade entre os governos do PT e do PSDB em torno do ajuste fiscal, que retira direitos da juventude e dos trabalhadores e que o Congresso da UEE tinha a tarefa central de se enfrentar com esses governos, se vinculando às principais lutas e greves e que essa velha direção majoritária da entidade não nos representa porque troca a luta pelos gabinetes.
Essa vitoriosa participação já está se traduzindo nos nossos avanços nas universidades onde atuamos, mostrando o espaço para uma juventude que busca a luta como saída e é intransigente na luta contra os governos tucanos e petistas.
Abaixo as calúnias da UJS contra a CST/PSOL!
O surgimento do Vamos à Luta e da Juventude da CST/PSOL em um espaço do Movimento Estudantil de São Paulo gerou a ira da UJS, que em meio a fala do nosso companheiro Andrey (estudante da UNICAMP), começou a gritar “CST é de direita”. A novidade de ter no principal estado do país uma juventude radicalmente anti-governista e que não titubeia em denunciar o governismo da UNE e da UEE tem incomodado muito esse setor.
Como não conseguem responder com política as denúncias que fazemos tanto ao governo quanto ao engessamento que a UJS tem colocado a UEE e a UNE, esse setor prefere se utilizar da calúnia para nos atacar. O que é ser de direita? Denunciar a política de austeridade, neoliberal que vem sendo aplicada pelo governo do PT? Está presente nas principais lutas do movimento estudantil e nas greves? Defender a construção de uma greve geral para derrotar o ajuste petista e tucano? Não nos abalaram em nada com isso, é  justamente  essa a marca da CST/Psol e da Juventude Vamos à Luta.
De direita é o governo Dilma! A marca do governo petista é o arrocho sobre as costas dos trabalhadores e da juventude. É esse governo que tomou a opção de nomear Joaquim Levy para seu principal ministério (o mesmo que foi responsável pela elaboração do programa econômico de Aécio Neves). É o governo do PT que tem como seus principais aliados Kátia Abreu e Sarney, que paga fielmente a dívida pública enquanto corta dinheiro das áreas sociais, que está mergulhado em corrupção, que aprova o parlashopping. Em São Paulo, Haddad abraçou Maluf e no Maranhão, o PCdoB tem o PSDB como seu vice. Essa sim é a nova direita que tem no Brasil.
Dizemos claramente, a UJS e todos os pelegos governistas, não nos calarão! Basta de calúnias dentro do movimento estudantil!