O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, juntamente com seu secretário de educação Herman, anunciaram um plano nefasto para as escolas paulistas. Batizado de “Reorganização das Escolas”, esse plano na realidade pretende fechar mais de 400 escolas e afetaria cerca de 1 milhão de estudantes. A Juventude Vamos à Luta entrevistou estudantes da Escola Dona Zalina Rolim, que fica na Zona Leste da capital para que os estudantes possam explicar porque são contra esse plano.
- O que vocês pensam sobre o plano de (des) organização? Como os estudantes da Escola Dona Zalina Rolim seriam afetados?
Matheus: O plano de (des) organização das Escolas, é uma maneira de cortar verbas, pois vai ser fechada muitas escolas, deixara muitos professores desempregados e vai ser um grande motivo para cortar o “passe livre” por conta que o estudante estando perto de casa ele não vai precisar pegar nem um meio de locomoção para chegar até o local da escola. Os alunos do Zalina Rolim vai ser afetados por conta que a escola recebe alunos de outros lugares como por exemplo, Cidade Tiradentes, Arthur Alvim, São Mateus, Guaianazes e outros lugares, e em um porcentagem de alunos que mora na penha é muito pequena, mais ou menos uns 15% a 20%.
Gabriel: O plano no papel é de organização, porém a gente reconhece que a pratica é de desorganização, fechamentos de escolas, remanejamento de alunos e tantos outros fatos prejudiciais a nós.Uma grande parte dos alunos não são da região, moram afastados com mais de 15 km da escola, porém a gente faz todo esse percurso em busca de um ensino melhor, da melhor educação, que se diferencia pouco do nosso bairro, mas que nos faz acreditar que podemos chegar ao nosso objetivo, que é concluir o ensino médio e entrar em alguma universidade.
Ana Clara: Se as escolas do nosso bairro fossem boas, a gente não viria estudar tão longe.
Júlia: Sai da escola do meu bairro pra estudar aqui porque lá a situação é ainda mais precária. Os banheiros que tinham lá eram químicos. Eu acho que o governo faz isso pra cortar gastos com a educação mesmo porque vai fechar muitas escolas. Imagina o que vai acontecer? Fechar salas de aula com 40 alunos pra colocar com mais 40 de outra escola… A sala vai ficar com 80 alunos. Não tem como aprender. Alckmin quer menos alunos pensantes pra que assim possam votar nele.
- O que os estudantes na escola estão fazendo para se colocar contra esse plano?
Júlia: A gente ta conversando com todo mundo e alertando sobre o que vai acontecer . A gente passa em sala todos os dias. Principalmente agora que os professores foram proibidos de falar sobre o assunto. Daqui a pouco vão querer cortar matérias como Sociologia e Filosofia pros alunos não discutirem a política. Assim, os alunos do ensino privado sempre vão ter mais vantagem do que os do ensino público.
Ana Clara: A gente tem feito passeatas. Inclusive uma que parou a radial. A gente passa em sala falando que essa luta não é só nossa porque todo mundo merece uma educação de qualidade.
Matheus: Os alunos do Zalina estão contra essa (des) organização, e desde que foi anunciado essa reforma os mesmo realizaram manifestações e todos estão em uma luta pela educação.
Gabriel: Os alunos estão se organizando, passando de sala em sala, para chamar mais alunos para os atos que estão acontecendo, também por meio de redes sociais, para chamar e se juntar a mais escolas, para fazer e participar de manifestações contra as decisões tomadas pelo governo.
- Como foi a manifestação que vocês organizaram?
Matheus: – Os estudante do Zalina realizou no dia 09/10/2015 uma manifestação que tinha aproximadamente uns 70, e conseguimos fechar duas vias da radial, e andamos da penha até a vila Matilde onde encontramos outras escolas em frente a diretoria de ensino da leste.
- Está sendo chamado para o próximo dia 15/10 uma grande manifestação em várias cidades contra o Plano de (des)organização das escolas. Aqui na capital, vai acontecer em frente ao Palácio dos Bandeirantes, com concentração no Largo da Batata. Você acha importante que a Escola Dona Zalim Rolim se junte a esse ato?
Júlia: Sim porque a gente não pode parar de lutar agora. Até porque não é só o problema da nossa escola que a gente quer resolver. Não adianta a nossa escola ficar aberta e as outras fechadas. Então a gente não pode parar de lutar.
Gabriel: Não é só importante a escola Dona Zalina Rolim estar lá, como todas as escolas do estado, hoje a causa é contra a reorganização, porém gente não pode desistir da luta, por melhoras na educação. Que haja mais atos como este, de tamanha importância, por melhoras nesse sistema que não nos qualifica para uma vida, só está nos “jogando” para frente, sem qualificação alguma.
Matheus: Sim, acredito que quanto mais pessoas lutando contra essa falcatrua, mas força vai ter para conseguir reverter essa situação, e tenta derrubar essa (des) organização.
- Você já esteve em alguma outra manifestação? Você acha que é importante que estudantes façam atos como os que estão acontecendo par a darem o seu recado?
Ana Clara: Pra mim essa é a primeira.
Gabriel: Já estive em manifestações nesse ano, para apoiar os professores, a causa era, mudanças dentro das salas de aula, porque já estavam superlotadas, não há maneira de ministrar uma sala com mais de trinta alunos, quem diria 45, algumas escolas chegavam a ter 50 alunos por classe. É claro, de extrema importância. Eles prometem, mas não cumprem, e a gente? A gente se sente lesado há muitos anos e nesses dias somos um incômodo para eles, porque estamos saindo de casa para reivindicar os nossos direitos perante a educação, temos escolas, porém não um ensino de qualidade. Estamos exercendo o direito de ir e vir, isso talvez é o que mais revolta eles, por estarmos nas ruas e avenidas mais conhecidas.
Júlia: Já fui nas manifestações da greve dos professores lá em frente ao MASP.
Matheus: Sim, participei de varias outras manifestações. Eu acredito que é fundamental os jovens irem para rua lutar pelos ideais de revolução, e mostra que os jovens estão preocupado com o futuro, ao contrario do que muitos canais de televisão mostra.
