Vitória: A luta dos estudantes obrigou Alckmin a recuar! A “reorganização” escolar está suspensa!

“Quer desafiar? Não tô entendendo. Mexeu com os estudantes, você vai sair perdendo”

 

É oficial! Na manhã deste sábado, dia 05/12, foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo a revogação do decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que dava início ao processo de “reorganização” das escolas estaduais. O decreto havia sido publicado na última terça-feira em meio a uma semana de radicalização da luta por parte dos estudantes e uma escalada brutal da repressão por parte do governo. Frente à pesquisa indicando a queda de popularidade de Alckmin e o apoio massivo às ocupações, o governador viu que era clara a perda de respaldo político para seguir com o seu projeto de “reorganização escolar” e, se pronunciando oficialmente pela primeira vez desde o início das ocupações, declarou, na tarde desta sexta-feira, a suspensão do projeto durante todo ano de 2016, que nenhum estudante seria transferido de escola e a necessidade do diálogo. A revogação do decreto veio selar essa importante derrota do governo.

 

A crise do governo Alckmin e o apoio massivo da população

 

Na primeira pesquisa de opinião de avaliação da gestão tucana após as últimas eleições, Alckmin viu sua popularidade despencar 20 pontos percentuais. Se ano passado tinha 48% de aprovação, hoje conta com apenas 28%. São os piores índices de aprovação e os maiores de reprovação do governo, que passa de 30%, nos somados dez anos em que Alckmin esteve à frente do comando do estado. Isso é reflexo dessa importante luta que os estudantes travam hoje.

 

Temos clareza que o apoio massivo da população também tem sido fundamental nesse processo. Desde o início, os estudantes nas escolas ocupadas receberam o apoio dos pais e moradores de cada região com doações de comidas, materiais de higiene e limpeza, doações de dinheiro, atividades e aulas públicas e visitas às escolas. Não é toa que a mesma pesquisa que apontou a queda de popularidade do Alckmin, também apontou que a maioria da população hoje é contra a reorganização escolar e apoia as ocupações. Foi importante o crescimento do apoio de intelectuais e artistas. Gregório Duvivier visitou ocupações, Chico César fez show na Fernão Dias, Criolo deu uma entrevista emocionado, Paulo Miklos também declarou apoio e diversos artistas se manifestaram a favor e se dispuseram a realizar shows em apoio às ocupações.

 

Frente a uma das principais lutas dos últimos anos em São Paulo, o governo Alckmin sai muito mal avaliado. Não temos dúvidas que isso, combinado com o apoio da população  aos estudantes e a enorme disposição de luta vista nas ocupações das escolas, foi determinante pro importante recuo do governo, que viu, nas últimas semanas, todas as suas estratégias para tentar desmontar as ocupações derrotadas: a repressão inicial que não conseguiu conter as ocupações, as reintegrações de posse que, em sua maioria, foram caindo, a tentativa de manobra de suspender por 10 dias a reorganização, e a declarada “guerra contra os estudantes” dessa última semana com o uso da mídia e a repressão violenta que só serviu para aumentar a indignação dos estudantes e o apoio da população. A crise do governo é tanta que essa luta levou à queda do Secretário de Educação Herman Voorwald, que renunciou ao cargo pouco tempo depois do anúncio da suspensão do projeto.

 

Seguir fortalecendo o comando das ocupações

 

Estamos diante de uma luta histórica dos estudantes do nosso país. Esse é o principal levante de juventude após as jornadas de junho de 2013, quando milhões tomaram as ruas, derrotaram o aumento das tarifas em todas as cidades e mostraram que lutando e se organizando é possível ter vitórias e derrotar os governos. Os secundaristas de São Paulo estão dando o mesmo exemplo. São parte da geração de junho. A geração de uma juventude mais politizada, radicalizada, com muita disposição de luta, que não aceita calada as imposições e ataques que os governos querem aplicar, e que não tem nenhuma confiança nas velhas burocracias do movimento estudantil. Certamente, essa luta hoje também vai mudar a relação dos estudantes com as escolas e suas direções e com o governo. Na verdade, já está mudando.

 

A resistência dos estudantes têm sido impressionante e ficou mais clara nessa última semana. Após o governo ter declarado “guerra contra os estudantes”, eles realizaram diversos atos e trancaços de Avenidas e cruzamentos importantes da cidade de São Paulo e enfrentaram a brutal repressão da PM do governo, com diversos estudantes feridos e detidos. Mesmo assim, a cada dia foram rolando mais atos e seguiu o apoio da população. Por isso, também, o Alckmin foi obrigado a recuar.

 

Desde o início, essa luta se organizou por fora das direções das entidades como a Ubes e Upes e também a Umes; de forma espontânea e pela base. E foram sentindo também, com as ocupações,  a necessidade de se articularem e se organizar de forma mais unitária e com isso surgiu o Comando das escolas ocupadas. Esse é o espaço hoje que fala em nome dos estudantes ocupados e que nós vemos que é importante que se fortaleça cada vez mais e se amplie.

 

Todos ao grande ato do dia 09/12 em apoio aos estudantes

 

A declaração do Comando na noite de sexta-feira, muito emocionante com todos os estudantes presentes na escola Alves Cruz lendo o texto de forma conjunta, deixou claro que o movimento conquistou um importante passo. Exigiram o compromisso oficial do governo Alckmin do recuo no projeto de reorganização, um compromisso de audiências públicas onde se possam fazer os debates necessários, nenhuma punição aos estudantes que ocuparam as escolas e também aos professores, funcionários e apoiadores, punição aos policiais que reprimiram, e também a queda permanente da proposta de reorganização escolar. Está claro que o movimento conquistou uma importante vitória e que a sua luta segue essa semana, com a continuidade das ocupações, atos e atividades, para garantir que sejam atendidas o conjunto das suas reivindicações.

 

Nesse sentido, os estudantes estão chamando um grande ato na próxima quarta-feira, no dia 09/12, em apoio à luta dos estudantes. Convocando a juventude, os trabalhadores e toda população que se solidariza com essa luta a demonstrar seu apoio nas ruas. O ato vai rolar a partir das 17h com concentração no vão do Masp. Nós achamos é fundamental que todos que apoiam a luta estejam presentes nessa mobilização para fortalecer as reivindicações das ocupações e garantir a vitória completa do movimento.

 

Participe da Plenária Estadual da juventude Vamos à Luta!
Para seguir organizando a nossa indignação, poder debater e aprender com o exemplo da luta dos secundaristas daqui de São Paulo, e discutir também a situação geral da educação no país, vamos realizar no dia 12/12, no próximo sábado, a Plenária estadual da juventude Vamos à Luta SP. Vai rolar às 15h, na Rua Correia Dias 574, próximo à estação de metrô Paraíso. Venha participar, trocar ideias e debater conosco! #VamosàLuta