A crise do Estado e da nossa universidade são agudas e o parcelamento do salário dos servidores do Estado complementou a situação caótica do atraso em nossas bolsas e do salário dos terceirizados. Pezão corta verbas da educação e da saúde, enquanto os empreiteiros envolvidos em corrupção nadam em rios de dinheiro. Com obras para a Copa do Mundo gastou bilhões. Com obras para as olimpíadas, repete a fórmula. Isenta ICMS e IPVA dos grandes empresários, além de lhes perdoar dívidas bilionárias. Nas favelas e periferias, segue derramando o sangue negro, como no último massacre de 5 jovens em Costa Barros. Uma política totalmente combinada com o governo Dilma, que diz que as UPP’s são o exemplo de segurança pública para todo o país e escolheu Pezão para ser seu articulador político.
É nesse cenário que chegamos à segunda semana da combativa e necessária ocupação e greve estudantil da UERJ. Em nossa opinião, a tarefa principal de todos os estudantes da UERJ é fortalecer e massificar a ocupação, disputando o apoio da sociedade para que pressione e derrote o governo Pezão para atender nossas pautas. Para isso, é necessário corrigirmos o rumo atual do nosso movimento. Nossas assembleias não podem e não devem servir para embates entre nós mesmos, e sim, devem servir para pensarmos as melhores maneiras de fazermos crescer nosso movimento, as melhores ações que nos levem ao pagamento e regularização das bolsas, pagamento e respeito aos terceirizados, que acabe com o corte de verbas, que imponha ao governo a implementação dos 6% da receita do estado na educação. Por isso, foi fundamental que a primeira assembleia estudantil pós-ocupação tenha imposto o método democrático e levado a ocupação para as mãos da base estudantil. Os estudantes passaram por cima dos métodos burocráticos que o DCE tentou impor, começando uma ocupação sem consulta à nenhum fórum do movimento e tentando livrar a cara da reitoria em suas responsabilidades para a nossa atual crise. O DCE (PT/PCdoB) foi derrotado e a base estudantil pegou para si a tarefa de democratizar e levar a ocupação até a vitória.
É fundamental e urgente unificarmos nossa luta, nas ruas, com os outros movimentos de servidores, como o sindicato dos profissionais da educação – SEPE – para enfrentarmos Pezão de forma unificada visando uma dia de manifestação unitário, com paralisação das categorias estaduais, rumo a uma greve geral no Rio de Janeiro.
A luta contra o machismo, racismo e LGBTfobia fortalecendo a luta de todas e todos os estudantes!
A última assembleia estudantil se dividiu. Certamente, essa ruptura não ajudou a fortalecer a ocupação e a nossa greve. O DCE aproveitou uma circunstância para justificar a não realização de uma assembleia unificada e racharam a assembleia. Na prática, a divisão da assembleia ajudou nossos algozes, porque os estudantes ficaram desarmados para fazer crescer nossa ocupação.
Defendemos assembleias unificadas e o que nos unifica neste momento é o fato de que todos nós somos estudantes precarizados e que temos que derrotar a politica de sucateamento do governo estadual.
A sociedade capitalista se alicerça, além da opressão capital/trabalho, em valores e opressões como o machismo, o racismo e a LGBTfobia. A luta contra estas opressões são extremamente primordiais e totalmente ligadas e coerentes com as pautas centrais da nossa ocupação e greve, pois são negros, mulheres e LGBTs da classe trabalhadora os que mais sofrem com o sucateamento da educação. Será de enorme ajuda e contribuição para estas pautas que derrotemos Pezão e Dilma e suas políticas neoliberais, corruptas, racistas, machistas e LGBTfóbicas. Do nosso ponto de vista, estas lutas nos unificam mais ainda, respeitando a autonomia de luta de cada segmento, a luta contra as opressões deve ser a luta de todas e todos os estudantes. Se a ocupação for vitoriosa, também teremos avançado nestas lutas.
Por isso mesmo é importante explicitarmos que somos contra a realização de assembleias por segmento, que dividam nossa unidade. Todos os seguimentos devem se organizar de forma autônoma e como deliberarem, mas é necessário que possamos depois ou antes, termos uma reunião geral de todas e todos os estudantes, em assembleia. Isto evitará que o DCE se aproveite de situações para tentar jogar para baixo nossa ocupação, pois seus objetivos são blindar a reitoria e impedir que a ocupação cresça e se desenvolva, como ficou claro no sensacionalismo contido na nota DCE sobre a ocupação da piscina, feita para tentar desmoralizar nosso movimento. Também é necessário dizer que o DCE não quer outra assembleia geral para que os estudantes não elejam democraticamente uma outra comissão de negociação e que assim eles possam permanecer burocraticamente nesta comissão importante. Defendemos que toda e qualquer estudante possa se candidatar para fazer parte desta e de qualquer outra comissão em assembleia e que seja o conjunto dos estudantes que decidam.
Por fim, acreditamos que podemos colher exemplos concretos dos estudantes secundaristas de São Paulo, que acabam de conseguir uma estrondosa vitória, pois se mantiveram firmes e conseguiram cativar amplos setores da sociedade que os apoiaram, como artistas, intelectuais, figuras públicas e movimentos sociais que deram visibilidade às suas lutas, mas, sobretudo, se mantiveram combativos e unificados contra os planos do governo Alckmin (PSDB). Devemos fazer o mesmo: massificar a ocupação, com muita base presente e muita democracia, disputar a sociedade e unificar nas ruas a luta junto com os trabalhadores. Todos contra Pezão!
Propostas para a ocupação e greve da UERJ:
– Assembleias gerais semanais e num único horário. Reunião geral da ocupação todos os dias de noite;
– Unificar a luta com técnicos, professores e demais servidores do estado, com atos de rua e passeatas;
– Realizar eventos culturais (como festivais de música, aulas públicas) que traga apoio externo, também com figuras públicas, para dar mais visibilidade à nossa luta e nossas pautas;
– Que os centros acadêmicos realizem atividades na ocupação para dinamiza-la e atrair mais estudantes de todos os cursos;
– Comissão de negociação eleita em assembleia geral onde qualquer estudante possa se candidatar.
